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O truque da Alibaba para desafiar o Claude e o ChatGPT sem cobrar caro

O modelo mais recente aciona menos de 4% do sistema por consulta, e o Estado chinês paga metade da conta de energia. A receita de IA ainda é 4% do faturamento

Alibaba: empresa lançou IA mais barata que concorrentes americanos (Bloomberg / Colaborador/Getty Images)

Alibaba: empresa lançou IA mais barata que concorrentes americanos (Bloomberg / Colaborador/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 10h59.

A Alibaba colocou seu modelo mais capaz no mercado por US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 6 na saída, sem a sobretaxa que o setor costuma cobrar por contexto longo.

Na faixa intermediária, o corte é mais agressivo. O Qwen 3.7 Plus sai por US$ 0,40 e US$ 1,60seis vezes menos que o modelo de topo da própria empresa.

É uma tabela que os concorrentes americanos não conseguem acompanhar. Rodar uma bateria padrão de testes no V4-Flash, da DeepSeek, custa cerca de US$ 0,03, contra US$ 3,15 no Claude Fable 5, da Anthropic — mais de 100 vezes de diferença, segundo a consultoria Artificial Analysis, em dados divulgados pela Reuters na segunda-feira, 3.

A máquina só liga a parte que precisa

Os modelos de topo de linha Qwen operam por especialização: cada solicitação ativa apenas o segmento de conhecimento relevante, não o sistema inteiro.

O Qwen3.8-Max, anunciado na segunda, tem 2,4 trilhões de parâmetros totais, dos quais 95 bilhões ficam ativos por consulta. Menos de 4% da máquina é acionado a cada resposta — e é essa economia de energia e de processamento que aparece na tabela.

A segunda parte da conta não está no código, e sim na energia.

Subsídios do governo chinês cobrem até 50% dos custos elegíveis de data center. Sobre essa base subsidiada, a empresa planeja investir mais de US$ 55 bilhões em infraestrutura entre os anos fiscais de 2026 e 2028 — mais do que gastou em capital em toda a década anterior.

Já os concorrentes americanos bancam expansão semelhante com caixa próprio e dívida de longo prazo.

A guerra de preços da IA começou — e quem dita o ritmo são os modelos chineses

O modelo é a isca, a nuvem é o negócio

A Alibaba publica boa parte de seus modelos com pesos abertos no Hugging Face, o que permite baixar e rodar o sistema sem pagar licença. A família Qwen ultrapassou 600 milhões de downloads.

Quem constrói sobre a tecnologia, porém, tende a contratar a nuvem de quem a distribui. A receita do Cloud Intelligence Group cresceu 34,5% em um ano, com produtos de IA mantendo crescimento de três dígitos por nove trimestres consecutivos.

A conta que ainda não fecha

No primeiro trimestre, a receita ligada à IA foi de cerca de US$ 1,3 bilhão — 4% do faturamento total, diante de um compromisso de US$ 55 bilhões em infraestrutura.

O lucro ajustado por ação caiu no período, pressionado pelos gastos com IA. E a popularidade não virou dinheiro no aplicativo de consumo: o Qwen tem 203 milhões de usuários mensais, terceiro no mundo, atrás de ChatGPT e Doubao.

Barato também não é equivalente. Na medição da Artificial Analysis, o modelo chinês mais barato marca 50 pontos de 100 no índice de inteligência, enquanto os americanos ficam nove pontos ou mais acima.

O mercado, ainda assim, comprou a tese. O anúncio do Qwen3.8-Max elevou a ação em 7% na bolsa de Hong Kong.

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