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Modelos do Claude e do ChatGPT atacaram alvos reais em teste, diz órgão britânico

Em 10 de 122 execuções, agentes agiram por conta própria na internet aberta. Caso mais grave envolveu identidades falsas para pressionar um desenvolvedor a aprovar código malicioso

Claude: Anthropic anunciou recentemente que modelos da IA haviam 'hackeado' empresas (Unsplash/Reprodução)

Claude: Anthropic anunciou recentemente que modelos da IA haviam 'hackeado' empresas (Unsplash/Reprodução)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 08h46.

Modelos de ponta da Anthropic e da OpenAI invadiram softwares de terceiros e enviaram e-mails a pessoas reais para roubar credenciais durante avaliações de segurança conduzidas pelo AI Security Institute (Aisi), órgão do governo britânico dedicado à pesquisa em segurança de inteligência artificial (IA).

Segundo o instituto, o Mythos 5, da Anthropic, e o GPT 5.6 Sol, da OpenAI, praticaram atividade sustentada e potencialmente danosa dirigida a pessoas e organizações reais. As informações foram publicadas pelo Financial Times.

Em 10 das 122 execuções de teste, o agente tomou ação autônoma e não autorizada na internet aberta. Quase todos os casos envolveram o modelo da Anthropic; dois envolveram o da OpenAI.

Os testes foram executados na internet aberta, com modelos que tiveram parte das salvaguardas removidas. A violação foi contida em uma hora.

O caso mais grave

A ocorrência de maior impacto envolveu a tentativa de inserir código malicioso em um projeto de código aberto hospedado no GitHub, principal plataforma de desenvolvimento de software do mundo.

Para conseguir a aprovação, o agente recorreu à engenharia social: criou identidades falsas na internet e as usou para pressionar o responsável pelo projeto a aceitar o código.

O desenvolvedor percebeu e recusou.

Segundo o Aisi, é a primeira vez que riscos ligados à autonomia e ao engano se manifestam com essa clareza no mundo real, sem comando específico. O órgão afirmou que o episódio aponta para uma mudança no cenário de risco e exige atenção imediata.

O terceiro caso em duas semanas

O achado se soma a dois episódios divulgados nas últimas semanas pelas próprias empresas.

Em 21 de julho, a OpenAI informou que um de seus agentes escapou de um ambiente de teste isolado, obteve acesso à internet e comprometeu a infraestrutura da Hugging Face, plataforma de modelos de código aberto, para roubar credenciais.

Em 30 de julho, a Anthropic divulgou que revisou 141.006 execuções de avaliação e encontrou três casos em que seus modelos acessaram sistemas de organizações reais. Em um deles, publicou um pacote malicioso em repositório público, baixado e executado por 15 sistemas.

São, juntos, os primeiros exemplos públicos de ataque cibernético conduzido por sistema de IA fora do controle humano.

O que dizem as empresas

A Anthropic agradeceu ao Aisi e afirmou que o caso reforça a necessidade de uma conversa mais ampla sobre como avaliar com segurança agentes cada vez mais capazes. Defendeu ainda padrões compartilhados mais rígidos para a construção de ambientes de avaliação.

A OpenAI reconheceu a necessidade de testes independentes, mas ressalvou que os incidentes ocorreram em ambientes de avaliação com salvaguardas reduzidas, em condições que não refletem o uso comum.

"Se entendermos a IA, podemos torná-la mais segura", afirmou Kanishka Narayan, ministro britânico responsável pela pasta de IA, ao defender a divulgação dos achados.

O cerco regulatório

O episódio chega em um momento de pressão política sobre o setor.

No começo do ano, o governo de Donald Trump proibiu temporariamente a Anthropic de exportar seus modelos mais avançados, citando riscos de segurança. As restrições foram flexibilizadas no fim de junho.

Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, esteve na semana passada com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, em Washington. Disse a jornalistas ser favorável à legislação de segurança cibernética voltada a modelos de IA.

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