Inteligência Artificial

Não é o ChatGPT: o negócio nos bastidores que rende bilhões à OpenAI

Receita vem da venda de modelos para empresas e desenvolvedores e cresce fora do radar do público

OpenAI: empresa lidera ranking das startups de IA que mais captaram recursos nos EUA em 2025 (Getty Images)

OpenAI: empresa lidera ranking das startups de IA que mais captaram recursos nos EUA em 2025 (Getty Images)

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 11h24.

Pensar na OpenAI sem que isso leve diretamente ao ChatGPT é difícil, uma vez que ele é o "carro-chefe" da empresa de inteligência artificial e o grande responsável pelo seu sucesso global. No entanto, o chatbot não é o único que rende cifras para a companhia: a OpenAI adicionou mais de US$ 1 bilhão em receita recorrente anual com o negócio de APIs só neste último mês.

É o que comunicou o CEO da OpenAI, Sam Altman, nesta quinta-feira, 22, em uma publicação no X. "As pessoas pensam em nós principalmente como ChatGPT, mas a equipe da API está fazendo um trabalho incrível!", escreveu o executivo.

A API (Interface de Programação de Aplicações, em tradução livre) é um serviço que permite a terceiros usarem os modelos de IA da OpenAI dentro de seus próprios produtos e sistemas. Na prática, a empresa ganha dinheiro ao fornecer a tecnologia por trás dos produtos dos clientes.

Por meio da API, esses terceiros, que podem ser desenvolvedores e empresas, integram os modelos da OpenAI a produtos que vão desde softwares internos até serviços comerciais voltados ao público final. A cobrança se baseia no volume de uso, o que torna o negócio recorrente e escalável.

Há nomes de destaque que utilizam a API da OpenAI como base de seus produtos. A Perplexity, por exemplo, recorre aos modelos da empresa para gerar respostas em seu mecanismo de busca. Já a Harvey, startup jurídica, usa os sistemas da gigante da IA para auxiliar advogados em pesquisas e redação de documentos.

Pressão por receita

Ao surgir como uma alternativa de receita que faz sucesso, o negócio de API pode ser um "respiro" para a OpenAI. A empresa enfrenta uma grande pressão em relação aos custos da estrutura dos data centers, cada vez maiores conforme o avanço da IA — segundo a Business Insider, os valores estão estimados em cerca de US$ 1,4 trilhão nos próximos anos.

A pressa para ganhar mais dinheiro é tanta que, na última semana, a OpenAI informou que se prepara para testar anúncios no ChatGPT, em uma nova tentativa de monetização. O anúncio pegou o setor de IA de surpresa, uma vez que Altman já havia demonstrado receio com a ideia de combinar publicidade e IA, que chamou de "último recurso".

Agora, o CEO já mudou o tom em relação a essa combinação. Numa entrevista ao podcast da OpenAI, ele disse não ser "totalmente contra" a medida, embora tenha enfatizado que seria necessário olhar para os anúncios com cautela.

Além disso, no início desta semana, a diretora-financeira da OpenAI, Sarah Friar, divulgou num comunicado que a empresa estuda adotar "modelos de licenciamento" para obter parte dos lucros de produtos e estudos bem-sucedidos de clientes.

"Digamos que, na descoberta de medicamentos, se licenciássemos nossa tecnologia, tivéssemos uma descoberta revolucionária. O medicamento decola e nós receberíamos uma porcentagem licenciada de todas as suas vendas", reforçou a CTO em um episódio do "The OpenAI Podcast", publicado na segunda-feira, 19.

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