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IA já pode prescrever medicamentos em parte dos EUA

Estado de Utah autorizou um modelo de inteligência artificial a renovar determinadas receitas médicas, a iniciativa estabelece limites para o uso da tecnologia e reacende o debate sobre responsabilidade, segurança e regulamentação

Utah autorizou o uso de inteligência artificial para renovar receitas médicas de baixo risco, dentro de regras específicas e com limitações clínicas (Adam Berry/Getty Images)

Utah autorizou o uso de inteligência artificial para renovar receitas médicas de baixo risco, dentro de regras específicas e com limitações clínicas (Adam Berry/Getty Images)

Publicado em 26 de junho de 2026 às 09h05.

A inteligência artificial acaba de dar mais um passo em direção à prática clínica. No estado de Utah, nos Estados Unidos, um sistema desenvolvido pela empresa Doctronic passou a renovar receitas médicas de forma autônoma para uma lista restrita de medicamentos.

A iniciativa representa um dos primeiros casos em que uma IA recebe autorização para desempenhar uma atividade tradicionalmente reservada a profissionais de saúde.

Apesar do avanço, o modelo está longe de substituir médicos. A autorização foi construída com diversas restrições e busca atender apenas situações consideradas de baixo risco, principalmente pacientes que já utilizam medicamentos de uso contínuo e precisam apenas renovar a prescrição.

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Como funciona o sistema

Antes de aprovar a renovação, a inteligência artificial conduz o paciente por uma entrevista semelhante à realizada durante uma consulta médica.

O sistema faz perguntas sobre sintomas, efeitos colaterais, mudanças no quadro clínico e outras informações necessárias para avaliar se a receita pode ser renovada com segurança.

Caso todos os critérios sejam atendidos, a prescrição é enviada diretamente para a farmácia escolhida pelo paciente.

A tecnologia não realiza novos diagnósticos nem inicia tratamentos inéditos. Seu papel é limitado à renovação de medicamentos previamente prescritos.

Quais medicamentos podem ser prescritos

O programa foi autorizado apenas para cerca de 190 medicamentos de uso comum.

Medicamentos considerados de maior risco ficaram de fora. Entre eles estão opioides utilizados para controle da dor, remédios para tratamento de TDAH, medicamentos injetáveis e outras substâncias sujeitas a controle mais rigoroso.

A limitação foi criada justamente para reduzir riscos clínicos e impedir que a IA seja utilizada em situações que exigem avaliação médica mais aprofundada.

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Quem responde se houver um erro?

Essa é uma das principais dúvidas levantadas pelo projeto.

Embora a inteligência artificial execute parte da análise, a responsabilidade jurídica continua sendo da empresa responsável pelo sistema e do modelo regulatório aprovado pelo estado.

A tecnologia não possui personalidade jurídica nem responde legalmente por eventuais falhas.

Ao mesmo tempo, especialistas observam que ainda existe uma zona cinzenta entre a legislação estadual e a regulamentação federal americana.

Enquanto os estados tradicionalmente regulam o exercício da medicina, a agência reguladora FDA entende que determinados sistemas de IA também podem ser enquadrados como dispositivos médicos quando são utilizados para diagnosticar, tratar ou prevenir doenças.

Até o momento, a FDA não se manifestou sobre o caso específico.

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Benefícios e riscos

Os defensores da iniciativa afirmam que o modelo pode reduzir filas, facilitar o acesso de pacientes com doenças crônicas aos medicamentos e diminuir custos operacionais.

A empresa estima cobrar inicialmente US$ 4 por renovação, com expectativa de reduzir esse valor conforme o serviço seja ampliado.

Por outro lado, especialistas alertam que decisões clínicas automatizadas exigem mecanismos rigorosos de supervisão, transparência e auditoria.

Um erro na interpretação das respostas do paciente ou uma mudança clínica não identificada pela IA pode resultar em uma renovação inadequada da receita.

Pode acontecer em outros países?

A tendência é que experiências semelhantes sejam acompanhadas de perto por autoridades regulatórias em diferentes partes do mundo.

Empresas responsáveis pela tecnologia já discutem sua expansão para outros estados americanos, enquanto países da Europa, da Ásia e da América Latina avançam em debates sobre regras específicas para o uso de inteligência artificial na saúde.

Mesmo com a rápida evolução tecnológica, especialistas avaliam que a adoção em larga escala dependerá menos da capacidade da IA e mais da criação de normas claras sobre responsabilidade, segurança clínica e proteção dos pacientes.

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