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Empresas têm restringido o uso de ferramentas públicas de IA para reduzir riscos envolvendo dados estratégicos e informações confidenciais (Imagem gerada por IA)
Redatora
Publicado em 25 de junho de 2026 às 09h00.
Enquanto a inteligência artificial ganha espaço nas empresas e passa a integrar atividades do dia a dia, um movimento paralelo vem chamando a atenção: grandes organizações estão restringindo ou até proibindo o uso de determinadas plataformas de IA generativa por seus funcionários.
A decisão pode parecer contraditória em um momento de forte investimento na tecnologia, mas especialistas apontam que o objetivo não é frear a inovação e, sim, proteger ativos estratégicos da companhia.
Nos últimos anos, empresas como Apple, Samsung, Amazon e JPMorgan Chase passaram a adotar regras mais rígidas para o uso de ferramentas como ChatGPT e outros assistentes baseados em IA.
Em comum, todas demonstraram preocupação com o tratamento de informações inseridas pelos usuários e com os impactos que isso pode causar para dados corporativos.
Ao utilizar uma IA generativa, muitos profissionais inserem documentos, códigos, contratos, apresentações ou informações internas para obter resumos, traduções ou sugestões de texto. O problema é que esses conteúdos podem conter dados confidenciais da empresa.
Foi justamente esse tipo de situação que levou a Samsung a restringir o uso de chatbots após um engenheiro inserir um trecho de código-fonte confidencial na plataforma. O episódio acendeu um alerta sobre como pequenas ações individuais podem comprometer projetos estratégicos.
No caso da Apple, segundo o Wall Street Journal, a preocupação envolve principalmente informações relacionadas ao desenvolvimento de produtos e códigos proprietários, considerados ativos essenciais da companhia.
Outro ponto que preocupa empresas é a proteção da propriedade intelectual. Em diversos setores, informações compartilhadas com plataformas externas podem envolver algoritmos, pesquisas, projetos em desenvolvimento e estratégias de negócio.
Mesmo quando uma ferramenta oferece opções para desativar o histórico das conversas, muitas organizações preferem adotar uma postura mais conservadora, estabelecendo políticas internas que proíbem o envio de qualquer informação estratégica para serviços públicos de IA.
Além da segurança da informação, entram em cena questões legais. Empresas sujeitas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) precisam garantir que dados pessoais de clientes, colaboradores e parceiros sejam tratados de acordo com a legislação.
Instituições financeiras, por exemplo, lidam diariamente com informações altamente sensíveis. Por isso, bancos como JPMorgan Chase, Bank of America, Citigroup, Deutsche Bank, Wells Fargo e Goldman Sachs limitaram o uso de ferramentas de IA generativa por seus funcionários, buscando reduzir riscos regulatórios e de compliance.
Outro desafio é a própria confiabilidade das respostas produzidas pelos modelos. Como sistemas de IA ainda podem gerar informações imprecisas ou inventar dados, muitas empresas evitam que conteúdos produzidos automaticamente sejam utilizados sem revisão humana.
Apesar das restrições, poucas empresas abandonaram completamente a inteligência artificial.
Em muitos casos, o caminho escolhido foi desenvolver plataformas internas ou contratar versões corporativas das ferramentas, que oferecem controles adicionais de segurança, gestão de usuários e políticas específicas para proteção de dados.
O próprio Goldman Sachs, que restringe o uso de versões públicas do ChatGPT, utiliza recursos de inteligência artificial em atividades internas de desenvolvimento de software.
A consultoria Bain & Company também integrou soluções da OpenAI aos seus sistemas corporativos, mas dentro de ambientes controlados.
Na prática, o movimento mostra que a discussão deixou de ser "usar ou não usar IA". A questão agora é definir como utilizar essas ferramentas sem comprometer informações estratégicas, cumprir exigências regulatórias e manter a governança dos dados.