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O crescimento de livros produzidos com inteligência artificial levou plataformas de venda a rever regras de publicação e controle de conteúdo (Getty Images)
Redatora
Publicado em 25 de junho de 2026 às 05h07.
A inteligência artificial já transformou áreas como programação, design e produção de conteúdo. Agora, o mercado editorial também começa a sentir os efeitos dessa tecnologia.
Livros produzidos total ou parcialmente por IA passaram a ocupar espaço nas principais plataformas de autopublicação, levantando discussões sobre direitos autorais, transparência e os mecanismos utilizados para garantir a qualidade das obras.
O fenômeno levou empresas como a Amazon a rever parte de suas políticas para conter o crescimento acelerado desse tipo de publicação.
Com ferramentas de IA generativa, tornou-se possível produzir centenas de páginas em poucas horas. A tecnologia é utilizada para criar romances, livros de negócios, culinária, programação, jardinagem, autoajuda e até guias de viagem.
O problema, segundo especialistas, não está necessariamente no uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio à escrita, mas na publicação em massa de conteúdos pouco revisados ou com informações imprecisas.
Em muitos casos, as obras são disponibilizadas diretamente por meio de plataformas de autopublicação, sem passar por processos editoriais tradicionais.
O crescimento desse mercado levou a Amazon a adotar medidas inéditas. A empresa passou a limitar o número de livros que um autor independente pode publicar diariamente na plataforma, estabelecendo um teto de três obras por dia.
A mudança foi uma resposta ao aumento expressivo de livros produzidos rapidamente com auxílio de IA. Antes da restrição, usuários conseguiam publicar dezenas de títulos diariamente, inundando categorias inteiras com obras semelhantes.
Embora a empresa exija que autores informem quando utilizam conteúdo gerado por inteligência artificial durante o processo de publicação, ela não proíbe livros escritos com essa tecnologia.
A política atual busca identificar possíveis violações de direitos autorais e reduzir práticas abusivas, sem impedir o uso legítimo da IA como ferramenta criativa.
Além do aumento no volume de publicações, surgiram casos de obras atribuídas indevidamente a escritores conhecidos.
Um dos episódios mais comentados envolveu Jane Friedman, especialista em publicação e ex-presidente da HarperCollins. Ela encontrou diversos livros publicados na Amazon utilizando seu nome como autora, embora nunca tivesse escrito aquelas obras.
Após a repercussão do caso, a Amazon removeu os títulos da plataforma, mas o episódio reforçou a preocupação de autores e editoras com o uso indevido da inteligência artificial para produzir conteúdos que imitam estilos, nomes e temas de escritores reconhecidos.
Outro caso citado pelo Washington Post mostrou que um livro técnico levou mais de um ano para ser produzido por seu autor.
Poucas semanas após o lançamento, uma obra muito semelhante, criada com auxílio de IA e com título praticamente idêntico, já estava disponível para venda.
Para quem compra livros, o principal desafio passa a ser identificar a origem e a qualidade do conteúdo.
Diferentemente das obras publicadas por editoras tradicionais, muitos títulos independentes chegam às plataformas sem revisão editorial, verificação de informações ou curadoria especializada.
Especialistas recomendam observar avaliações de outros leitores, histórico do autor, descrição da obra e data de publicação antes da compra.
Em categorias como viagens, medicina ou negócios, esse cuidado torna-se ainda mais importante, já que informações incorretas podem comprometer a utilidade do conteúdo.
O desafio para editoras, plataformas de venda e leitores será distinguir quando a tecnologia amplia a criatividade humana e quando ela passa a substituir processos fundamentais de autoria, revisão e qualidade editorial.