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China começa a produzir em série sua própria máquina de fazer chips

Empresa estatal de Xangai inicia a fabricação de equipamentos DUV, tecnologia dominada pela holandesa ASML, segundo o site The Information; ação da fabricante caiu mais de 8% e arrastou o setor

DUV: China inicia produção em série de máquinas para fabricar chips (Imagem gerada por IA/Exame)

DUV: China inicia produção em série de máquinas para fabricar chips (Imagem gerada por IA/Exame)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 28 de julho de 2026 às 08h34.

Última atualização em 28 de julho de 2026 às 08h38.

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A China começou a produzir em massa, pela primeira vez, uma das máquinas mais complexas e disputadas da indústria de semicondutores: os equipamentos de litografia DUV, usados para gravar os circuitos nos chips.

O avanço, revelado pelo site The Information nesta segunda-feira, 27, é um marco na campanha de Pequim para depender menos de fornecedores estrangeiros — e derrubou as ações das empresas que hoje dominam esse mercado.

A litografia é a etapa em que padrões microscópicos são "impressos" sobre as pastilhas de silício que dão origem aos chips.

A técnica DUV (sigla em inglês para ultravioleta profundo) é a mais avançada que a China pode comprar legalmente, depois que os Estados Unidos e a Holanda bloquearam o acesso do país à geração seguinte, a EUV, usada nos chips mais modernos.

O que a China conseguiu fazer

Por trás da produção está a Shanghai Aishengna Electronic Technology Group, uma empresa estatal pouco conhecida, sem site nem informações públicas sobre suas operações, segundo a Reuters.

A companhia teria reunido equipes de duas fabricantes de equipamentos ligadas ao esforço chinês de autossuficiência, a startup Yuliangsheng, afiliada da SiCarrier, apoiada pela Huawei, e a Shanghai Micro Electronics Equipment (SMEE).

A escala, por enquanto, é modesta. A previsão é entregar cerca de cinco máquinas ainda em 2026 e aproximadamente 20 em 2027.

Os primeiros clientes seriam três pilares da indústria chinesa de chips, a SMIC, a Hua Hong e a ChangXin Memory Technologies (CXMT), a fabricante de memória que estreou na Bolsa na segunda-feira, 27, com alta de 466%.

O feito tem limites técnicos importantes. A maioria dos componentes das máquinas é doméstica, mas algumas peças críticas ainda vêm do Japão, e atrasos em fornecedores locais seguraram a produção deste ano.

Além disso, a DUV grava, em uma única passagem, circuitos da classe de 28 nanômetros — bem acima dos chips de ponta —, e só alcança padrões menores com técnicas de repetição que aumentam o custo e reduzem o aproveitamento.

O tombo das ações de chips

A reação nos mercados foi brutal. As ações da holandesa ASML — única fabricante mundial dos equipamentos de litografia mais avançados e líder absoluta em DUV — fecharam em queda de 8,5%, no menor patamar desde o início de junho. Outras fabricantes de equipamentos europeias caíram junto, com a Besi recuando quase 10% e a ASMI, mais de 7%.

O baque atravessou o Atlântico. Nos Estados Unidos, as americanas Applied Materials, Lam Research e KLA chegaram a cair cerca de 7% no pior momento do dia, e a AMD recuou 7,3%.

O que é a DUV, tecnologia no centro da guerra de chips entre EUA e China

Para os investidores, isso significa que, se a engenharia chinesa venceu o gargalo da litografia, o mais difícil de toda a cadeia, o resto dos equipamentos americanos também fica vulnerável a ser substituído por versões locais.

A virada de humor foi abrupta. O setor abria o dia em alta, embalado pela distensão nas tensões com o Irã e por uma reportagem do Wall Street Journal sobre a Nvidia negociar para garantir US$ 250 bilhões em financiamento para um data center da OpenAI. O otimismo evaporou assim que a notícia da China circulou.

Por que a queda pode ter exagerado?

A dimensão do tombo, porém, contrasta com o tamanho real da ameaça no curto prazo. As cinco máquinas previstas para 2026 representam menos de 4% da capacidade anual de DUV da ASML, que planeja despachar cerca de 130 sistemas do tipo no ano. As 20 unidades de 2027 equivaleriam a pouco menos de 12% da capacidade da holandesa.

A própria escala do mercado chinês sugere que há espaço para os dois. A expansão da produção de memória na China deve exigir centenas de máquinas de litografia até 2030 — mais do que a ASML conseguiria fornecer sozinha, mesmo sem restrições.

Nessa leitura, a fabricação local seria menos uma substituição da empresa holandesa e mais uma necessidade para dar conta da demanda.

Há ainda o fator político. A notícia chega no momento em que o Congresso americano avança o chamado MATCH Act, projeto que pretende bloquear a China de comprar ou receber manutenção justamente dessas máquinas DUV.

Se o país passa a fabricá-las em casa, parte do efeito dessas restrições futuras se esvazia — o que, para o mercado, é um risco tão relevante quanto a concorrência comercial em si.

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