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AiMOGA: empresa venderá robôs no Brasil (AiMOGA/Reprodução/Fundo gerado por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 06h01.
Em uma concessionária da montadora chinesa Chery, uma robô humanoide de 1,68 metro de altura e 70 quilos acena para o cliente e dá detalhes sobre os carros disponíveis para venda. De óculos escuros e cabelos loiros, ela também consegue servir um copo de suco de laranja caso necessário. Pode até parecer roteiro de ficção científica, mas é realidade: e o próximo destino dela é o Brasil.
A AiMOGA Robotics, divisão de robótica da fabricante, começa a operar no país no último trimestre deste ano com dois produtos. Um deles é a robô humanoide Mornine, voltada para concessionárias. Já o segundo é o cão-robô Argos, que será vendido ao público. A informação foi divulgada com exclusividade à EXAME.
Os robôs serão vendidos nas concessionárias da OMODA & JAECOO, e ambos já receberam a homologação da Anatel — os primeiros do tipo a serem aprovados no Brasil.
Segundo a empresa, a entrada no mercado de robôs no Brasil é "mais um passo importante na estratégia da Chery International de expandir seu ecossistema de tecnologias inteligentes para além da indústria automotiva".
"A inteligência artificial e a robótica são pilares fundamentais do ecossistema de mobilidade do futuro que estamos construindo globalmente. A chegada da AiMOGA ao Brasil reforça nosso compromisso em oferecer tecnologias de ponta que gerem valor real para os consumidores e demonstrem como a robótica baseada em inteligência artificial pode transformar a experiência das pessoas no dia a dia", afirma Mr. Hu Peng, CEO do Chery International Group Brasil.
A Mornine é um robô humanoide desenhado para atuar nas lojas da marca. Conectada a plataformas em nuvem, interage por voz com clientes, apresenta funcionalidades dos veículos, responde perguntas e encaminha o atendimento a um consultor quando necessário. Também caminha, cumprimenta visitantes e dança.
Segundo a companhia, é o primeiro robô humanoide do mundo a obter dupla certificação da União Europeia, para hardware e software, em requisitos de segurança, cibersegurança e proteção de dados.
Já o Argos é um cão robótico voltado ao entretenimento e à interação, que executa comandos como correr, sentar, deitar e dar a pata. Opera de forma autônoma, sem necessidade de conexão com a internet.
Mornine: robô estará disponível no Brasil neste ano (AiMOGA/Divulgação)
Os dois têm autonomia de duas horas e estações próprias de recarga. A plataforma de desenvolvimento combina modelos de linguagem de grande escala (LLMs, na sigla em inglês), interação multilíngue, percepção espacial e semântica, visão computacional e controle de movimento de alta precisão.
A empresa afirma ter entregado mais de dois mil robôs humanoides e cães robóticos, presentes em mais de 60 países, três anos após deixar de ser um projeto de pesquisa.
A chegada acontece em um momento específico do mercado global.
No final de julho, a FCC, agência que regula telecomunicações nos Estados Unidos, incluiu robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior na lista de produtos considerados ameaça à segurança nacional. A medida barra novos modelos de obter a autorização necessária para serem importados ou vendidos no país.
O escopo alcança robôs móveis terrestres acima de 2 quilos que combinem sensores, conectividade e software de controle — exatamente a categoria dos dois produtos da AiMOGA. O documento não cita empresas, mas um grupo interagências convocado pela Casa Branca apontou risco de monitoramento de cidadãos e de controle remoto dos aparelhos por terceiros.
O Ministério do Comércio da China pediu a revogação da medida e ameaçou adotar contramedidas.
A conta de mercado explica a tensão, já que a China responde por cerca de 85% do mercado global de robôs humanoides. Dos aproximadamente 15.000 humanoides embarcados no mundo em 2025, duas empresas chinesas despacharam mais de 5.000 unidades cada, segundo a consultoria Omdia. As rivais americanas entregaram algumas centenas.
No Brasil, o caminho regulatório seguiu na direção oposta. A homologação da Anatel avalia compatibilidade eletromagnética e uso do espectro de radiofrequência, sem componente de segurança nacional equivalente ao adotado pela agência americana.
A Chery é a maior exportadora de veículos da China e opera há mais de 20 anos fora do país, com sede em Wuhu, na província de Anhui.
A aposta em robótica atende a uma lógica dupla.
O robô mais vendido do mundo custa R$ 88 mil — e quer ganhar Wall StreetDentro da concessionária, a Mornine responde à escassez de profissionais em funções de atendimento e à demanda por serviço multilíngue — os dois problemas que a empresa aponta como origem do produto.
Fora dela, o Argos abre uma linha de receita que não depende de vender carro.