Aon: Mercado brasileiro de M&A está mais seletivo e concentrado em operações de maior valor. (Imagem gerada com IA/Exame)
Repórter de Mercados
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 06h01.
Última atualização em 15 de agosto de 2026 às 18h37.
O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) movimentou mais dinheiro no primeiro semestre de 2026, mesmo com menos operações realizadas. Segundo levantamento da Aon, em parceria com a TTR Data e a Datasite, o país registrou 593 transações entre janeiro e junho, queda de cerca de 35% em relação ao mesmo período de 2025, mas o valor agregado dos negócios avançou 15%, para US$ 32,557 bilhões.
O movimento indica uma mudança no perfil das operações, com investidores concentrando recursos em negócios maiores e ativos considerados estratégicos, em vez de ampliar o volume de transações menores.
“O desempenho do primeiro semestre indica um mercado brasileiro mais seletivo, porém concentrado em operações de maior porte, o que contribuiu para o aumento do capital mobilizado mesmo diante da redução no número de transações”, afirma André Nogueira, líder de M&A and Transaction Solutions para o Brasil na Aon.
Segundo o executivo, embora o Brasil continue sendo um mercado prioritário para investidores, o cenário eleitoral aumenta a cautela de compradores internacionais. “Esse ambiente de maior incerteza tende a afetar o apetite por riscos no curto prazo, especialmente em transações mais sensíveis”, diz.
Entre as maiores operações do período, destacam-se:
Enquanto isso, o mercado tradicional de fusões e aquisições liderou em volume financeiro, com 297 transações que somaram US$ 20,333 bilhões. Na sequência vieram as operações de private equity, com 41 negócios e valor agregado de US$ 6,528 bilhões. Já as aquisições de ativos responderam por 151 operações, movimentando US$ 4,424 bilhões. O segmento de venture capital registrou 106 transações, com movimentação de US$ 1,272 bilhão.
Segundo Pedro da Costa, head de M&A and Transaction Solutions para a América Latina na Aon, o cenário regional mostra uma combinação de investidores estratégicos, fundos e empresas locais buscando equilibrar risco e retorno.
“Em toda a região, o perfil das transações revela uma combinação de operações lideradas por fundos de Participações em Empresas (Private Equity), investidores estratégicos e atores locais, muitas vezes sob estruturas que buscam equilibrar risco e retorno em contextos ainda voláteis”, afirma.
O setor de tecnologia, especialmente software e serviços de TI, liderou o ranking em número de transações no período, com 104 operações. O resultado reforça a busca dos investidores por empresas ligadas à digitalização e infraestrutura tecnológica.
O mercado imobiliário apareceu logo na sequência como um dos principais segmentos em atividade, com 98 transações, alta de 17% no volume de negócios na comparação anual.
Também tiveram destaque os setores de serviços profissionais, com 37 operações, e bancos e investimentos, com 31 transações.
A concentração de investimentos em determinados segmentos acompanha uma estratégia mais seletiva dos compradores, que têm priorizado empresas com maior previsibilidade de receita, ativos estratégicos e potencial de crescimento no longo prazo.
Entre os negócios que marcaram o primeiro semestre estão operações relacionadas à transição energética e sustentabilidade.
A aquisição da mineradora Serra Verde pela companhia americana USA Rare Earth movimentou US$ 2,75 bilhões. O negócio reforça o interesse internacional por ativos ligados a minerais estratégicos.
Outro destaque foi a compra da FS Bioenergia, empresa de biocombustíveis, pela Amaggi, em uma operação avaliada em cerca de US$ 1 bilhão.
Para a Aon, essas transações refletem uma tendência de investidores buscarem ativos associados a setores considerados estratégicos para a economia global.
O movimento de seletividade também apareceu no restante da América Latina. A região registrou 1.062 transações no primeiro semestre, queda de cerca de 30% na comparação anual. O valor agregado, porém, permaneceu próximo da estabilidade, em US$ 49,107 bilhões, recuo de aproximadamente 6%.
O Brasil liderou o ranking regional em número de operações. O Chile ficou em segundo lugar, com 163 transações, seguido por Argentina, com 129, e México, com 118.
Apesar da queda no volume de negócios, alguns países registraram aumento expressivo no capital movimentado. O México teve alta de 21% no valor agregado, chegando a US$ 10,911 bilhões, enquanto a Colômbia registrou crescimento de 50%, para US$ 7,230 bilhões. O Peru teve avanço de 313%, alcançando US$ 4,337 bilhões.
No cenário internacional, empresas latino-americanas mantiveram investimentos fora da região, principalmente na Europa, com 42 transações, e na América do Norte, com 22 operações. Já os compradores mais ativos na América Latina vieram da América do Norte, com 163 transações, Europa, com 143, e Ásia, com 37.
“Em toda a região, a seletividade continua elevada, com forte ênfase na qualidade dos ativos, na visibilidade de fluxos de caixa e na solidez do marco regulatório de cada jurisdição”, afirma Costa.