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Empresa no vermelho? Veja como a inteligência artificial pode cortar custos sem reduzir equipes (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 14h08.
Uma empresa com dificuldades financeiras costuma olhar primeiro para despesas, contratos e folha de pagamento. Mas existe outro ponto que pode afetar diretamente o resultado: quanto tempo e recursos são consumidos por processos ineficientes.
É nesse espaço que a inteligência artificial pode ganhar relevância. Em vez de substituir indiscriminadamente trabalhadores, a tecnologia pode automatizar tarefas repetitivas, acelerar análises e reduzir o tempo necessário para determinadas atividades.
Um dos usos mais diretos está na automação de tarefas administrativas. Sistemas de IA podem organizar documentos, resumir reuniões, classificar solicitações, responder perguntas frequentes e extrair informações de grandes volumes de dados.
Para um profissional de atendimento, por exemplo, a tecnologia pode sugerir respostas com base no histórico de um cliente. Para o financeiro, pode ajudar a comparar documentos, identificar inconsistências e preparar relatórios.
O objetivo não é simplesmente fazer mais tarefas com menos pessoas. É reduzir o trabalho operacional que consome horas de profissionais e direcionar esse tempo para atividades que exigem análise, relacionamento ou tomada de decisão.
Um experimento conduzido pela Microsoft Research com mais de 6 mil trabalhadores em 56 empresas encontrou redução no tempo gasto com algumas tarefas de conhecimento. Usuários da ferramenta analisada, por exemplo, passaram menos tempo lendo e-mails e concluíram documentos mais rapidamente.
A aplicação depende do processo e do setor, mas algumas áreas apresentam oportunidades recorrentes:
A pesquisa global da IBM publicada em 2025 também apontou ganhos de produtividade associados à IA em áreas como desenvolvimento de software, atendimento ao cliente e compras.
A adoção da tecnologia também pode gerar novas despesas. Licenças, integração com sistemas, treinamento, segurança de dados e supervisão humana precisam entrar na conta.
Por isso, o primeiro passo não deveria ser escolher uma ferramenta, mas identificar um problema mensurável. Um departamento pode começar, por exemplo, calculando quantas horas por mês são gastas em uma tarefa repetitiva.
Depois, é possível testar uma solução de IA e comparar indicadores como tempo de execução, número de erros, custo por operação e produtividade.
Essa lógica também ajuda a evitar um problema comum: implementar ferramentas de IA sem alterar o processo de trabalho. Um estudo da PwC publicado em 2026 mostrou que empresas com melhores resultados não apenas adicionam ferramentas, mas redesenham fluxos de trabalho para incorporar a tecnologia.
Mesmo sem ocupar um cargo de liderança, o funcionário pode observar tarefas que apresentam três características:
Um exemplo é transformar manualmente informações de diferentes planilhas em um relatório semanal. Se os dados estiverem estruturados, uma ferramenta de IA pode ajudar a organizar, resumir e interpretar essas informações.
O profissional continua responsável por validar o resultado, especialmente quando há informações financeiras, jurídicas, estratégicas ou confidenciais envolvidas.
Reduzir custos com IA não significa necessariamente demitir funcionários. O ganho pode aparecer como capacidade adicional: a mesma equipe consegue atender mais clientes, produzir análises em menos tempo ou reduzir erros sem aumentar proporcionalmente a estrutura.
A própria PwC identificou que uma parcela pequena das empresas pesquisadas concentra grande parte dos ganhos econômicos relacionados à IA. O estudo aponta que as organizações com melhores resultados combinam tecnologia com estratégia, dados, governança e mudanças nos processos.
Por isso, diante de uma empresa no vermelho, a inteligência artificial pode ser uma ferramenta para encontrar e reduzir desperdícios, mas não substitui o diagnóstico financeiro. O resultado depende de onde a tecnologia é aplicada, de como o trabalho é reorganizado e de como o impacto é medido.