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Jalapeño: OpenAI diz que chip é mais potente que da Nvidia (OpenAI/Reprodução)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 08h18.
A OpenAI divulgou na terça-feira, 25, os primeiros resultados de desempenho do Jalapeño, seu primeiro chip próprio voltado à inferência de inteligência artificial (IA) — a etapa em que um modelo já treinado processa perguntas e gera respostas.
Segundo a empresa, o chip entrega mais capacidade de processamento por watt de energia consumida e menor latência do que sistemas atualmente no mercado, incluindo os processadores GB200 e GB300, da Nvidia.
Os testes foram conduzidos no InferenceX, benchmark público da consultoria SemiAnalysis que mede o processo completo de atender uma requisição de IA, do início ao fim.
Segundo a OpenAI, o Jalapeño é avaliado para operar a 700 watts (W) de potência, mas manteve consumo sustentado igual ou inferior a 550 W nos testes realizados — contra os 1.200 W do GB200 e os 1.400 W do GB300, da Nvidia.
A OpenAI testou o chip em três modelos de linguagem de grande porte (LLMs) distintos — o próprio GPT-OSS 120B, o DeepSeek R1, da chinesa DeepSeek, e o Kimi K2.5, da também chinesa Moonshot AI —, e diz ter obtido ganhos em todos eles: entre 1,5 e 1,9 vez mais trabalho de IA processado por watt no pico de desempenho, entre 1,7 e 3,6 vezes menos latência de ponta a ponta, e um desempenho de 2,1 a 4,1 vezes maior em cargas de trabalho altamente interativas, como agentes de IA que precisam responder em tempo real.
No teste com o DeepSeek R1, comparado ao GB300 da Nvidia, o Jalapeño apresentou cerca de 1,7 vez mais capacidade de processamento por quilowatt (kW) no pico e latência 3,6 vezes menor. Já no GPT-OSS 120B, na comparação com o GB200, o ganho de eficiência energética chegou a 1,9 vez, com latência 1,7 vez menor.
No maior modelo testado, o Kimi K2.5, de 1 trilhão de parâmetros, o Jalapeño entregou cerca de 1,5 vez mais desempenho por watt e latência 3,4 vezes menor.
Segundo a OpenAI, o Jalapeño foi projetado desde o início para lidar bem tanto com a etapa de processamento inicial de um pedido (prefill), que exige muito poder de computação, quanto com a geração de respostas token a token (decode), mais dependente de largura de banda de memória — dois estágios que, segundo a empresa, costumam forçar um trade-off em outros chips do mercado.
A arquitetura também minimiza a movimentação de dados entre núcleos e chips, mantendo o estado do modelo, incluindo o chamado KV cache, próximo do processamento — o que ajuda a manter a velocidade estável em tarefas que exigem várias etapas em sequência, como agentes autônomos de IA.
A OpenAI afirma ter usado seus próprios modelos de IA para acelerar o desenvolvimento do Jalapeño, reduzindo o tempo entre o design inicial e o envio para fabricação (tapeout) para nove meses.
Gerações anteriores de modelos ajudaram a projetar e colocar o chip em funcionamento, enquanto modelos mais recentes, como o Codex, otimizam como ele é programado.
Segundo a empresa, implementações geradas por IA para blocos específicos do GPT-OSS chegaram a rodar entre 1,5 e 1,8 vez mais rápido do que versões escritas por engenheiros humanos especializados — usando essa combinação, a equipe levou apenas dois meses para colocar três modelos de peso aberto, que não estavam no plano original do projeto, em alto desempenho no chip.
Apesar da comparação direta de desempenho, a OpenAI afirma que pretende continuar usando amplamente aceleradores da Nvidia e de outros parceiros, tanto para treinamento quanto para inferência de modelos.
A empresa planeja começar a implantar o Jalapeño em sua própria infraestrutura de computação até o fim deste ano, como o primeiro passo de um roteiro de múltiplas gerações — a segunda geração do chip já está em desenvolvimento avançado, e uma terceira começa a tomar forma.