Turner & Townsend: Brasil segue uma trajetória distinta de crescimento, onde a demanda por infraestrutura digital figura entre os setores prioritários para a atividade construtiva (Freepik)
Repórter de Mercados
Publicado em 27 de julho de 2026 às 05h00.
Fora do radar do grande público, a construção de data centers se tornou um dos principais motores da expansão da infraestrutura no Brasil. São Paulo concentra a maior parte da demanda, consolidando-se como a sede regional de diversas empresas globais de tecnologia e atraindo investimentos que buscam suportar não apenas a inteligência artificial, mas também o crescente movimento em direção à soberania de dados.
Segundo a Turner & Townsend, o Brasil segue uma trajetória distinta de crescimento, onde a demanda por infraestrutura digital figura entre os setores prioritários para a atividade construtiva. A complexidade desses projetos se reflete na necessidade de infraestrutura técnica especializada, mas o cenário brasileiro é favorecido por prazos relativamente curtos para o fornecimento de materiais de construção e pela possibilidade de redução das taxas de juros, o que aumenta a confiança dos investidores.
Ainda assim, São Paulo mantém competitividade internacional. Na capital paulista, o custo médio de construção de data centers é de aproximadamente US$ 10,75 por watt instalado. A cidade tem custos inferiores a mercados como Tóquio, que registra US$ 15,15 por watt; Singapura, com US$ 14,53/W; Zurique, US$ 14,2/W; Londres, US$ 12,02/W; Frankfurt, US$ 11,60/W; e Northern Virginia, US$ 10,92/W.
Além dos custos por watt, a São Paulo o Rio de Janeiro destacam-se globalmente por uma queda de mais de 50% nos níveis de inflação dos custos de construção em relação ao ano anterior, recuando de 5,6% em 2025 para 2,7% em 2026.
Além de data centers, outros setores impulsionam a construção no país. O setor de transporte e mobilidade lidera a demanda, seguido por habitação residencial e social, impulsionados pela urbanização crescente. A inflação média dos custos de construção no Brasil (2,7% em 2026) permanece abaixo da média projetada para a América Latina em 2027 (3,4%) e muito inferior aos 7% registrados na África.
Segundo Kamila Lima, diretora de Project Management da Turner & Townsend no Brasil, a adoção de IA e a urbanização estão redefinindo prioridades. Ela ressalta que o país oferece vantagens competitivas únicas, como uma indústria nacional de tecnologia em expansão e um elevado potencial para a ampliação da infraestrutura de transporte e conectividade.
No ranking regional de custos, o Rio de Janeiro registra custo médio de até US$ 1.844/m², enquanto São Paulo chega a US$ 1.760/m². Ambos os mercados mantêm-se altamente competitivos frente a Monterrey (US$ 2.275/m²) e Cidade do México (US$ 2.198/m²), que lideram os custos na América Latina.
A escassez de profissionais especializados e a capacidade técnica são os maiores desafios. Em 80% dos mercados latino-americanos analisados, há falta de mão de obra qualificada em funções críticas de engenharia mecânica, elétrica e hidráulica (MEP). Adicionalmente, o relatório aponta que 80% desses mercados também enfrentam limitações na capacidade das empresas contratantes da construção civil para absorver e entregar projetos de data center.
Veja o ranking de mercados da América Latina por custo por metro quadrado: