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Habilidades em inteligência artificial já aparecem associadas a diferenças de remuneração no mercado de trabalho (CSA-Archive/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 20 de setembro de 2026 às 06h01.
Duas pessoas podem ter o mesmo cargo no currículo e desempenhar funções parecidas, mas apresentar valores diferentes no mercado de trabalho. Uma das explicações que começa a ganhar força está nas habilidades relacionadas à inteligência artificial.
O novo cenário não envolve apenas a criação de cargos especializados: saber aplicar IA dentro de uma profissão também pode alterar o valor atribuído a um trabalhador.
O Global AI Jobs Barometer 2026, da PwC, analisou mais de 1 bilhão de anúncios de emprego em 27 países e encontrou um prêmio salarial médio de 62% para profissionais com habilidades de IA.
O cálculo compara salários anunciados para funções semelhantes que exigem competências de IA com aqueles de vagas que não as exigem.
O número não significa que qualquer pessoa que use ChatGPT passará automaticamente a ganhar 62% a mais.
A análise considera vagas que pedem habilidades específicas, como engenharia de prompts e machine learning, e compara sua remuneração com posições semelhantes sem essas exigências.
A diferença também varia bastante conforme o setor. No levantamento de 2026, o prêmio salarial chegou a 118% em alguns segmentos de consumo, enquanto ficou em 16% no setor público.
Ou seja, não existe uma tabela universal para “salário com IA”. O valor depende da profissão, do mercado e do tipo de competência procurada.
Parte da explicação está na forma como as empresas estão reorganizando o trabalho.
A PwC identificou dois caminhos: há funções em que a IA facilita a execução de atividades antes restritas a especialistas e outras nas quais a tecnologia automatiza tarefas rotineiras e aumenta a importância do conhecimento humano.
Nas chamadas funções “profissionalizadas”, o trabalhador utiliza a IA para lidar com partes repetitivas da atividade e concentra mais tempo em julgamento, criatividade, liderança ou decisões complexas.
Segundo o estudo, essas ocupações apresentaram crescimento de empregos duas vezes maior e crescimento salarial 42% mais rápido do que as funções classificadas como “democratizadas”.
A habilidade mais valorizada pode não ser simplesmente “saber usar IA”, mas conseguir incorporá-la ao próprio trabalho.
Um profissional de marketing, por exemplo, pode utilizar ferramentas para analisar dados, testar ideias ou acelerar determinadas etapas da produção. Já um analista financeiro pode aplicar IA na organização e interpretação de informações.
O mercado começa a refletir essa mudança. Segundo a PwC, vagas que exigem habilidades específicas de IA cresceram 69%, contra 9% do mercado de trabalho analisado.
No LinkedIn, a IA também aparece como um dos fatores que devem acelerar a transformação das competências utilizadas nas profissões: a plataforma estima que 70% das habilidades usadas na maioria dos empregos mudarão até 2030.
A tendência, portanto, é que a diferença entre profissionais com a mesma função passe cada vez mais pelo que cada um consegue fazer com as novas ferramentas.