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Claude: IA da Anthropic descobriu enzima no DNA (Anthropic/Reprodução)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 18h55.
A Anthropic afirma que o Claude ajudou a identificar um novo sistema de enzimas com características semelhantes às do CRISPR, tecnologia de edição genética. A descoberta foi feita em uma busca de 21 horas com cerca de 950 agentes de IA e 210 milhões de tokens, mas ainda não tem confirmação científica independente. A empresa criou um laboratório para investigar como IA pode acelerar descobertas biológicas.
A Anthropic, dona do Claude, afirmou nesta quarta-feira, 23, que seu modelo de inteligência artificial (IA) descobriu, de forma autônoma, um sistema de enzimas nunca descrito antes, com características parecidas às do CRISPR, a tecnologia de edição genética que revolucionou a biologia na última década. A empresa publicou os resultados em um pré-print, artigo científico ainda sem revisão por pares, e criou um novo grupo de pesquisa e um laboratório dedicados a testar se modelos de IA conseguem acelerar descobertas biológicas.
O sistema encontrado foi batizado de ART, sigla em inglês para "transcriptases reversas associadas a um conjunto de repetições" (array-associated reverse transcriptases). Ele aparece principalmente em bacteriófagos, os vírus que infectam bactérias, e combina três partes: uma enzima que copia RNA em DNA, um gene vizinho de função desconhecida e uma sequência de repetições de DNA igualmente espaçadas, um padrão parecido com o encontrado nos sistemas CRISPR.
Segundo a Anthropic, a função do ART ainda é desconhecida, mas a combinação dessas características só havia sido vista antes em um punhado de outros sistemas, todos programáveis e capazes de operações como cortar, copiar e colar DNA.
Feng Zhang, um dos pioneiros da edição genética com CRISPR e professor do MIT e do Instituto Broad, revisou o pré-print a pedido da empresa.
"Este é um exemplo interessante de como agentes de IA podem contribuir para a descoberta biológica. A identificação de conjuntos de repetição de RNA associados a transcriptases reversas é genuinamente intrigante e merece investigação futura", afirmou.
Segundo a Anthropic, cientistas deram ao Claude uma única instrução: vasculhar um banco de dados de sequências de DNA em busca de exemplos interessantes dessas enzimas copiadoras de RNA. A partir daí, agentes do Claude reuniram mais de 200 mil sequências, selecionaram 3.500 candidatas a sistemas novos e restringiram a lista a 20 casos mais promissores, analisados em relatórios escritos pelo próprio modelo.
Ao todo, a busca levou 21 horas, usou cerca de 950 agentes rodando em paralelo e consumiu 210 milhões de tokens, as unidades que medem o processamento de um modelo de IA.
Foi durante essa varredura que um dos agentes notou um padrão incomum de repetições de DNA ao lado do gene da enzima. "É espetacular: consigo ver a olho nu um conjunto de repetições em série... isso é um conjunto de repetições parecido com o CRISPR?!", escreveu o agente, segundo trecho reproduzido pela Anthropic.
A partir daí, o sistema passou a se comportar como um cientista faria diante de uma possível descoberta: contou as repetições, mediu o espaçamento entre elas, comparou o padrão com sistemas já conhecidos e buscou na literatura científica se algo parecido já havia sido descrito. Só depois disso, gerou um relatório para revisão humana.
A Anthropic afirmou que o resultado não é facilmente reproduzível. Depois de encontrar o padrão pela primeira vez, a empresa repetiu a mesma campanha de busca outras dez vezes, com o mesmo prompt inicial. Em nenhuma das dez tentativas os agentes voltaram a examinar o trecho específico de DNA que continha a descoberta, e todas elas deixaram passar o achado.
Em testes mais controlados, nos quais os pesquisadores já entregavam ao modelo o trecho de DNA relevante, em vez de deixá-lo vasculhar sozinho um banco de dados inteiro, os quatro modelos mais avançados da empresa identificaram o padrão de repetições em pelo menos 90% das tentativas.
Mas, quando precisavam usar arquivos e ferramentas por conta própria, como aconteceu na descoberta original, essa taxa caiu para até 32%, segundo o site especializado Daily.dev. Na prática, isso significa que o resultado depende bastante do comportamento imprevisível dos agentes de IA, e não de um método garantido de descoberta.
A enzima em si também não era desconhecida: estudos anteriores já a haviam identificado num tipo de vírus bacteriano conhecido como fago gigante. Segundo a Anthropic, o que o Claude fez de inédito foi notar as características que a acompanhavam, o conjunto de repetições e o gene vizinho, que ninguém havia associado a ela antes.
O anúncio é o primeiro resultado divulgado pelo novo laboratório da Anthropic, confirmado em 18 de setembro, na Baía de São Francisco. O espaço trabalha só com os níveis mais baixos de biossegurança e não lida com agentes patogênicos capazes de infectar humanos, segundo a empresa; todo o trabalho de bancada é feito por cientistas humanos, com o Claude auxiliando na interpretação dos dados.
A iniciativa se soma a outros movimentos recentes da Anthropic na área. Em abril, a empresa pagou US$ 400 milhões pela Coefficient Bio, startup de biotecnologia. Em junho, lançou o Claude Science, plataforma que integra mais de 60 bancos de dados científicos. A OpenAI, principal concorrente, lançou no mesmo mês o GPT-Rosalind, um modelo dedicado a pesquisas de ciências da vida.
Em publicação na rede social X, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, comentou o resultado com cautela. "Sua função precisa, utilidade biotecnológica, se houver alguma, ou nível de importância ainda não estão claros, mas, no mínimo, é um trabalho do qual eu teria orgulho", escreveu.
Today we announced the Claude-led discovery of a molecular machine that we suspect could represent a new gene editing mechanism. Its precise function, biotechnological utility (if any), or level of significance is not yet clear, but at minimum it is work I would have been proud… https://t.co/hyzhzirNJe
— Dario Amodei (@DarioAmodei) September 23, 2026
Segundo a Anthropic, o Claude identificou um sistema de enzimas chamado ART, sigla para “transcriptases reversas associadas a um conjunto de repetições”. O sistema combina uma enzima que copia RNA em DNA, um gene vizinho de função desconhecida e sequências repetidas de DNA semelhantes às encontradas em sistemas CRISPR.
Não. A Anthropic afirma que o ART tem características parecidas com sistemas CRISPR, mas sua função ainda é desconhecida. A empresa diz que a combinação específica de enzimas e repetições de DNA nunca havia sido descrita antes.
A Anthropic deu ao Claude a tarefa de procurar sequências interessantes de enzimas em bancos de dados de DNA. Agentes de IA analisaram mais de 200 mil sequências, selecionaram 3.500 candidatas e chegaram a 20 sistemas considerados promissores para análise.
Segundo a Anthropic, a busca levou 21 horas, envolveu cerca de 950 agentes de IA trabalhando em paralelo e consumiu aproximadamente 210 milhões de tokens, unidade usada para medir o processamento dos modelos de inteligência artificial.
Ainda não. O resultado foi publicado em um pré-print, artigo científico que ainda não passou por revisão por pares. A Anthropic afirma que a função do sistema ART e sua importância biológica ainda precisam ser investigadas.
Não de forma consistente. A Anthropic repetiu a mesma busca dez vezes e, em nenhuma delas, os agentes encontraram novamente o trecho específico de DNA associado à descoberta original. Em testes mais controlados, nos quais o modelo recebia o trecho relevante, a identificação do padrão ocorreu em pelo menos 90% das tentativas.
A Anthropic criou um laboratório de pesquisa biológica na Baía de São Francisco e vem ampliando sua atuação científica. A empresa comprou a startup Coefficient Bio por US$ 400 milhões e lançou o Claude Science, plataforma com acesso a bases de dados científicos.
O pré-print foi revisado por Feng Zhang, professor do MIT e do Instituto Broad e um dos pesquisadores associados ao desenvolvimento de tecnologias de edição genética baseadas em CRISPR. Ele afirmou que o trabalho é um exemplo interessante de como agentes de IA podem contribuir para descobertas biológicas.