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Apple processa OpenAI e acusa dona do ChatGPT de roubo de segredos comerciais

Processo apresentado na Califórnia marca uma mudança na relação entre as empresas, que anunciaram uma parceria para integrar o ChatGPT ao iPhone em 2024

Da parceria ao ringue: Apple e OpenAI trocam a colaboração pela disputa judicial. (Ilustração feita por IA/Exame)

Da parceria ao ringue: Apple e OpenAI trocam a colaboração pela disputa judicial. (Ilustração feita por IA/Exame)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 10 de julho de 2026 às 21h12.

Última atualização em 10 de julho de 2026 às 21h17.

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A Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI nesta sexta-feira, 10, em um tribunal federal da Califórnia, sob a acusação de apropriação de segredos comerciais e uso indevido de informações confidenciais para o desenvolvimento de dispositivos de hardware voltados à inteligência artificial. A empresa afirma que a OpenAI utilizou conhecimento interno da Apple para acelerar seus projetos de produtos físicos.

Na petição apresentada à Justiça, a fabricante do iPhone afirma que funcionários e executivos da OpenAI teriam atuado para obter dados sigilosos da Apple por meio da contratação de ex-colaboradores e de processos seletivos. Segundo o documento, a prática teria ocorrido de forma coordenada entre integrantes da equipe técnica, executivos da área de hardware e parceiros comerciais da empresa de inteligência artificial.

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O processo representa uma mudança na relação entre as duas companhias. Em 2024, Apple e OpenAI anunciaram uma parceria que levou a integração do ChatGPT ao sistema operacional do iPhone, com participação do CEO da OpenAI, Sam Altman, na apresentação realizada na sede da Apple. Desde então, a relação entre as empresas mudou após a OpenAI ampliar seus investimentos no segmento de hardware.

A mudança de cenário ganhou força depois que a OpenAI anunciou, em 2025, a compra da startup IO Products, fundada pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive. A aquisição foi fechada por US$ 6,4 bilhões e marcou a entrada da empresa no desenvolvimento de produtos físicos baseados em inteligência artificial.

Outro fator citado no contexto da disputa é a estratégia da Apple para a próxima geração da Siri. A assistente virtual, prevista para estrear no outono do hemisfério norte, utilizará os modelos Gemini, do Google, em vez da tecnologia desenvolvida pela OpenAI.

Grande parte das acusações apresentadas pela Apple envolve ex-funcionários contratados pela OpenAI. Entre eles está Tang Tan, antigo vice-presidente da Apple e atual chefe de hardware da empresa de inteligência artificial. A Apple afirma que Tang Tan orientava candidatos que ainda trabalhavam na companhia a compartilhar informações confidenciais durante entrevistas de emprego e a apresentar componentes físicos da empresa em demonstrações técnicas.

A ação também cita Chang Liu, ex-funcionário da Apple que posteriormente ingressou na OpenAI. Segundo a fabricante do iPhone, ele teria deixado a empresa levando um notebook pertencente à Apple. A companhia ainda acusa a OpenAI de orientar profissionais em processo de desligamento sobre formas de contornar procedimentos internos de segurança.

Outro ponto levantado no processo envolve fornecedores da indústria. A Apple afirma que a OpenAI solicitou a fabricantes a utilização de uma técnica de acabamento metálico desenvolvida pela empresa, levando esses parceiros a acreditar que havia autorização para o uso da tecnologia.

Em comunicado à imprensa, a Apple afirmou que identificou evidências de que profissionais contratados pela OpenAI teriam se apropriado de informações confidenciais relacionadas a tecnologias, processos internos e produtos ainda não anunciados.

A OpenAI negou as acusações. Em nota, a empresa declarou que não tem interesse em segredos comerciais de outras companhias e que permanece concentrada no desenvolvimento de tecnologias próprias voltadas à inteligência artificial.

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Processo amplia pressão sobre a OpenAI antes de possível IPO

A IO Products também aparece como ré no processo. Até o momento, a OpenAI não informou quando pretende lançar sua linha de hardware nem revelou detalhes dos produtos em desenvolvimento. Em novembro, Sam Altman afirmou apenas que os primeiros protótipos já haviam sido concluídos.

A Apple não informou se a disputa judicial poderá afetar o acordo comercial firmado entre as empresas para integrar o ChatGPT ao Apple Intelligence.

O processo amplia a lista de disputas judiciais envolvendo a OpenAI em um momento em que a empresa se prepara para uma possível oferta pública inicial de ações (IPO). A ação foi protocolada cerca de dois meses após a empresa vencer um processo movido por Elon Musk, cofundador da OpenAI, que acusava Sam Altman, Greg Brockman e a organização de descumprirem compromissos relacionados à sua estrutura sem fins lucrativos. Musk informou que pretende recorrer da decisão.

Na ação apresentada à Justiça, a Apple solicita indenização, medidas liminares e uma determinação judicial para impedir que a OpenAI continue utilizando informações consideradas sigilosas pela companhia.

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