Redação Exame
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 18h00.
A virada de ano vai trazer aumento das tarifas de ônibus em diversas capitais brasileiras.
A justificativa de prefeituras é elevação de custos operacionais, com diesel, salários e manutenção da frota, além de queda no número de passageiros e necessidade de manter o equilíbrio financeiro dos contratos de concessão.
Entre as capitais que já anunciaram oficialmente reajustes para o ano que vem estão Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis, Fortaleza e Salvador.
Em comum, os governos locais destacam que o valor pago pelo passageiro segue abaixo da chamada tarifa técnica, o custo real da operação, diferença que vem sendo coberta por subsídios públicos cada vez mais elevados.
Em São Paulo, a tarifa de ônibus passará de R$ 5,00 para R$ 5,30 a partir de 6 de janeiro, um aumento de 6%.
A prefeitura de São Paulo justificou que os dados técnicos que fundamentam a decisão indicam que o novo preço está abaixo da inflação acumulada do setor (IPC-Fipe Transporte Coletivo), que registrou 6,5% no ano.
Modais administrados pelo governo do estado, metrô e trens também terão as tarifas reajustadas, chegando a R$ 5,40.
No Rio de Janeiro, a passagem dos ônibus municipais sobe de R$ 4,70 para R$ 5,00 a partir de 4 de janeiro.
Apesar disso, as empresas concessionárias receberão R$ 6,60 por passageiro, com a diferença bancada pelo município por meio de subsídio tarifário.
Já em Belo Horizonte, a passagem dos ônibus municipais sobe de R$ 5,75 para R$ 6,25 a partir de 1º de janeiro, alta de cerca de 8,7%.
O aumento atinge todas as linhas convencionais e suplementares. No transporte metropolitano, que atende a Região Metropolitana, o reajuste médio será de 8,93%, válido a partir de 9 de janeiro. A prefeitura afirma que a atualização segue critérios previstos em contrato.
Em Florianópolis, que já tem a passagem mais cara entre as capitais, o reajuste em 2026 chega a até 12%, dependendo da forma de pagamento.
A tarifa paga em dinheiro ou Pix sobe de R$ 6,90 para R$ 7,70, enquanto a passagem paga por meio do Cartão Cidadão passa de R$ 5,75 para R$ 6,20.
A prefeitura informou que, a partir de janeiro, o pagamento em dinheiro será aceito apenas nos terminais de integração, como forma de reduzir custos operacionais.
Na capital cearense, Fortaleza, a passagem inteira passará de R$ 4,50 para R$ 5,40 a partir de 1º de janeiro.
A tarifa estudantil permanece em R$ 1,50. Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), o reajuste reflete o aumento de insumos e a queda de 45% na demanda desde 2019. A prefeitura afirma que apenas 9% dos usuários pagarão a tarifa cheia, já que a maioria utiliza vale-transporte ou gratuidades.
Para 2026, também está prevista a ampliação da frota, com a chegada de mais de 120 ônibus novos.
Em Salvador, embora o percentual exato ainda não tenha sido definido, o prefeito Bruno Reis confirmou que haverá reajuste em 2026, tanto na tarifa pública quanto na tarifa técnica.
Atualmente, o passageiro paga R$ 5,60, enquanto o custo real do sistema é de R$ 6,19. A diferença vem sendo coberta pela prefeitura, que deverá manter a política de subsídios. Segundo o prefeito, a correção é uma exigência contratual e jurídica.
Com Agência O Globo