(Jamie McCarthy/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 07h59.
A Saks Global, conglomerado que reúne algumas das mais tradicionais lojas de luxo dos Estados Unidos, entrou com pedido de proteção contra falência nesta semana.
A empresa controla marcas históricas como Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, conhecidas por atender consumidores de alta renda e por vender grifes como Chanel, Burberry e Brunello Cucinelli.
A empresa entrou com pedido de Chapter 11, mecanismo da legislação americana que permite a reorganização das dívidas enquanto o negócio continua operando. Segundo a companhia, o processo dá tempo para renegociar débitos com credores e buscar novos investidores ou até um comprador.
Sem conseguir levantar recursos suficientes e após perder caixa, a Saks chegou a correr o risco de uma liquidação total, o chamado Chapter 7, caso não obtivesse um empréstimo emergencial para manter as operações durante o processo judicial.
Junto ao pedido de recuperação judicial, a Saks Global anunciou um pacote de financiamento de cerca de US$ 1,75 bilhão para reforçar o caixa. Desse total, US$ 1 bilhão entram de forma imediata por meio de um empréstimo do tipo debtor-in-possession (DIP), usado para manter a empresa funcionando durante o processo.
A companhia também confirmou a troca no comando. Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus, assume imediatamente o cargo de diretor-presidente. Ele substitui Richard Baker, que havia assumido a função havia apenas duas semanas e foi o principal arquiteto da estratégia de aquisições que elevou o endividamento do grupo.
Em documentos enviados à Justiça americana, a Saks Global estimou que seus ativos e passivos ficam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões. A empresa declarou ter entre 10.001 e 25.000 credores.
Entre os credores sem garantia estão grandes marcas de luxo. A Chanel aparece com cerca de US$ 136 milhões a receber, seguida pela Kering, dona da Gucci, com US$ 60 milhões, e pelo grupo LVMH, com US$ 26 milhões, segundo os registros judiciais.
A situação financeira da Saks se deteriorou após a aquisição da Neiman Marcus, em 2024, em um negócio de US$ 2,7 bilhões, estruturado com cerca de US$ 2 bilhões em dívida.
A operação reuniu sob um mesmo grupo três nomes centenários do luxo americano, mas elevou o risco financeiro em um momento de desaceleração das vendas globais do setor.
Mesmo antes da compra, a empresa já enfrentava dificuldades para pagar fornecedores. Após a fusão, chegou a melhorar temporariamente os pagamentos, mas depois passou a adotar prazos de até 90 dias, o que afastou marcas e reduziu a oferta de produtos nas lojas.
Com fornecedores retendo mercadorias, as prateleiras ficaram mais vazias, o que afetou as vendas e afastou consumidores para concorrentes como a Bloomingdale’s, que reportou desempenho mais forte em 2025.
No mercado financeiro, os títulos de dívida da Saks passaram a ser negociados abaixo do valor de face, aumentando dúvidas sobre a capacidade de pagamento da empresa. “Os ricos continuam comprando, só não tanto na Saks”, disse David Swartz, analista da Morningstar, no mês passado.
O futuro da Saks Global deve ficar mais claro nas próximas semanas, à medida que o processo judicial avança.
Entre os cenários possíveis estão a entrada de um comprador com grande capacidade financeira, a venda de partes do negócio ou até o fechamento de lojas físicas, com foco apenas no comércio online.
Enquanto isso, a empresa afirma que suas lojas seguem abertas e operando normalmente durante a recuperação judicial.