Donald Trump: 'Jamie Dimon está errado. Temos uma pessoa ruim no Fed.' (Montagem EXAME/Getty Images)
Repórter de Mercados
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 08h34.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu nesta terça-feira, 13, as críticas feitas por Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, sobre uma possível interferência política na condução da política monetária americana.
“Acho que está tudo bem o que estou fazendo. Temos uma pessoa ruim no Fed”, disse Trump a repórteres. A fala foi uma resposta direta ao executivo do maior banco dos EUA, que acusou a Casa Branca de ameaçar a independência do Federal Reserve.
“Dimon está errado”, disse Trump, ao ser questionado sobre os comentários do executivo.
O embate entre os dois ocorre no momento em que o Fed e seu presidente, Jerome Powell, enfrentam investigações abertas pelo Departamento de Justiça dos EUA — movimento que gerou reação imediata de líderes do setor financeiro e de ex-chefes de bancos centrais ao redor do mundo.
Dimon afirmou que qualquer tentativa de manipular as decisões do Fed para fins políticos “é perigosa” e pode elevar a inflação e os juros, com impacto direto na economia global. Embora tenha feito ressalvas à atuação do banco central, o CEO do JPMorgan declarou ter "enorme respeito" por Powell.
A escalada de tensão começou após Powell confirmar que está sendo alvo de investigação por declarações dadas sobre reformas na sede do Fed. O governo também pressiona para a remoção de Lisa Cook, atual diretora da instituição.
Para Wall Street, o episódio marca uma inflexão inédita na relação entre governo e banco central. Jeremy Barnum, diretor-financeiro do JPMorgan, disse que, caso o mercado pare de acreditar que o Fed tome decisões baseadas em dados técnicos, o estrago não ficará restrito aos Estados Unidos.
O risco é de uma quebra de confiança no mercado de títulos e, com isso, perda de estabilidade econômica global, segundo executivos e ex-presidentes do Fed como Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen, que se uniram para denunciar o uso político do sistema jurídico.
Chefes de bancos centrais do Reino Unido, Canadá, Coreia do Sul e Brasil também se manifestaram. Em declaração conjunta, os líderes defenderam que “a independência dos bancos centrais é a pedra angular da estabilidade de preços, financeira e econômica no interesse dos cidadãos que servimos”.