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Entenda o acordo sobre o Estreito de Ormuz discutido por Irã, Omã e EUA

Donald Trump afirma que negociações avançam, mas divergências ainda cercam a reabertura da principal rota do petróleo mundial

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 11h03.

O Parlamento do Irã discute os termos de um acordo com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações "estão avançando".

Segundo a agência iraniana Fars, parlamentares defendem que o texto inclua a proibição da passagem de navios dos Estados Unidos e de Israel pelo estreito, além de mecanismos de compensação financeira por parte de países considerados hostis.

O acordo é visto como um passo importante para a retomada da navegação normal na principal rota marítima de exportação de petróleo do mundo, afetada desde o início da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos.

O que prevê a proposta?

De acordo com a imprensa iraniana, o texto em discussão estabelece que o Irã ficará responsável pelo controle da entrada das embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto a saída seria supervisionada em conjunto com Omã.

O projeto também prevê a adoção de um corredor central para o tráfego marítimo e o encerramento gradual das rotas alternativas atualmente utilizadas.

Entre as propostas debatidas pelos parlamentares estão:

  • proibição da passagem de navios dos Estados Unidos e de Israel;
  • compensações financeiras de países considerados hostis;
  • restrições a cargas ligadas a Israel;
  • criação de taxas relacionadas a seguros e custos ambientais.

Ainda não está claro se o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, já aprovou a proposta, condição considerada essencial para sua implementação.

O que dizem Estados Unidos e Irã?

Trump afirmou que as negociações seguem em andamento, mas evitou confirmar um acordo. O presidente americano também voltou a defender a reabertura total do Estreito de Ormuz e afirmou que a navegação deve ocorrer sem pedágios, autorizações ou cobranças.

Já Teerã sustenta que a retomada plena do tráfego depende do fim do bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos, medida sobre a qual Washington ainda não sinalizou qualquer mudança.

O principal negociador iraniano com os EUA, Mohammad Bagher Ghalibaf, ironizou as sucessivas ameaças feitas pela Casa Branca, classificando a postura americana como uma "diplomacia teatral em repetição".

Por que o Estreito de Ormuz é importante?

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e é uma das rotas mais estratégicas do comércio mundial de petróleo.

Desde a escalada do conflito no Oriente Médio, o tráfego de navios permanece reduzido, com parte das cargas sendo transportada em operações especiais sob escolta militar e embarcações navegando com os sistemas de localização desligados.

Apesar da expectativa em torno de um acordo, ainda existem dúvidas sobre sua implementação. Mediadores árabes manifestaram preocupação com a capacidade dos negociadores iranianos de garantir que eventuais compromissos sejam cumpridos diante da pressão de alas mais conservadoras do regime.

Enquanto isso, os preços do petróleo seguem reagindo às negociações. O barril do Brent permaneceu próximo de US$ 82 após subir cerca de 4% na sessão anterior.

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