Repórter
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 11h57.
Os Estados Unidos afirmaram nesta terça-feira, 4, que podem chegar a um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz até quarta-feira, em meio à guerra entre os dois países e às tensões envolvendo uma das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse à CNBC que Washington mantém negociações com Teerã e que há possibilidade de um entendimento "hoje ou amanhã" para restabelecer a livre circulação de navios pelo estreito.
"Estamos em negociações com os iranianos e acredito que há chances de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar rumo a uma posição mais normalizada neste conflito", afirmou.
Apesar da declaração de Bessent, o Ministério das Relações Exteriores do Irã negou que haja negociações diretas com Washington. Segundo Teerã, as conversas em andamento ocorrem apenas com Omã e têm como objetivo garantir uma passagem segura pelo Estreito de Ormuz.
A divergência ocorre enquanto a região segue em tensão. Nesta terça-feira, um projétil de origem não identificada atingiu um navio cargueiro que navegava pelo estreito, segundo informações da agência marítima britânica UKMTO.
Na segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo negocia "neste momento" com o Irã e classificou as conversas como "a última oportunidade antes da decapitação" da República Islâmica.
Segundo Trump, os diálogos tratam da reabertura do Estreito de Ormuz e da desnuclearização do Irã. O presidente americano afirmou ainda que aceitou negociar "a pedido do Irã" e com apoio de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.
Em publicação na Truth Social, Trump acusou o governo iraniano de agir com "hipocrisia", ao negar publicamente as negociações enquanto, segundo ele, mantém conversas reservadas com Washington.
Bessent afirmou que um eventual acordo permitiria a livre circulação de embarcações, sem cobrança de pedágios pelo Irã, e contribuiria para estabilizar os preços internacionais da energia.
Segundo o secretário, centenas de navios aguardam autorização para cruzar o Estreito de Ormuz, embora parte das embarcações já tenha retomado a navegação nos últimos dias.
O estreito é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, concentrando uma parcela significativa das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito.
*Com AFP