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Das 7 Magníficas, uma se destacou em 2025 — e não foi a Nvidia

Alphabet, controladora do Google, teve melhor desempenho anual desde 2009: saiba o motivo

Corrida da IA: Gemini bateu ChatGPT (Getty Images)

Corrida da IA: Gemini bateu ChatGPT (Getty Images)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 09h22.

O mercado acionário dos Estados Unidos encerrou o ano de 2025 sob o domínio incontestável — mas nem sempre uniforme — de um grupo seleto de empresas: as chamadas "7 Magníficas". Formado por Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Nvidia e Tesla, o grupo consolidou sua importância ao representar, coletivamente, mais de um terço de todo o valor do índice S&P 500.

Na prática, o desempenho das bolsas globais hoje depende, mais do que nunca, da trajetória e das ambições dessas companhias, transformando-as em termômetros da saúde econômica global.

No entanto, 2025 foi um ano marcado por uma bifurcação de resultados. Enquanto o S&P 500 registrou um avanço sólido de 17%, nem todas as gigantes conseguiram superar essa marca. O grande destaque positivo foi a Alphabet, que saltou impressionantes 66%, acompanhada pela Nvidia (+36%) e pela Tesla (+28%), todas batendo o índice de referência.

No lado oposto, Apple, Microsoft, Meta e Amazon enfrentaram um ano mais difícil, entregando retornos inferiores aos 17% do mercado amplo.

O principal motor por trás dessa disparidade foi a tese da Inteligência Artificial (IA), que deixou de ser uma promessa futurista para se tornar um fator determinante de fluxo de caixa e confiança dos investidores.

A Nvidia consolidou-se como a "espinha dorsal" desse ecossistema. Mesmo sob pressão regulatória e restrições de exportação para a China, a demanda explosiva por seus chips e GPUs para centros de dados — impulsionada por contratos com a OpenAI e grandes provedores de nuvem — garantiu impulso ao preço das ações.

O CEO Jensen Huang vem rebatido temores de uma bolha, sustentando que os fundamentos do setor permanecem sólidos.

Quem ficou para trás na corrida

Por outro lado, a Amazon ilustra o custo bilionário dessa corrida tecnológica. A empresa viu suas ações subirem apenas 5,5% no ano, penalizada por investimentos massivos em infraestrutura de IA, que incluíram complexos gigantescos de centros de dados na Carolina do Norte e em Indiana. Esse gasto de capital (capex) de US$ 125 bilhões drenou o fluxo de caixa livre da companhia, que passou de um saldo positivo no fim de 2024 para um déficit de US$ 8,4 bilhões no início de 2025.

A Apple também ficou aquém do índice, mas por motivos que misturam tecnologia e geopolítica. Além de adotar uma postura mais cautelosa em relação aos investimentos em IA, a gigante de Cupertino sofreu com incertezas sobre tarifas comerciais que afetaram sua produção na China e na Índia.

Ao final de 2025, o cenário para as 7 Magníficas é de uma aposta sem precedentes: o investimento em chips e nuvem segue em ritmo acelerado sob a mentalidade de "construa e eles virão".

Contudo, com apenas 15% das empresas reportando retornos mensuráveis de aplicações em IA até agora, o mercado começa a exigir que o apetite por inovação se transforme, finalmente, em lucro tangível.

Alphabet tem melhor ano desde 2009

Após um início de ano conturbado, a Alphabet, controladora do Google, encerrou 2025 com sua performance mais robusta desde 2009. Com uma valorização de 65%, a companhia superou o próprio rali de 2021 e se isolou como a maior vencedora entre as oito empresas de tecnologia da bolsa avaliadas em mais de US$ 1 trilhão.

Foi um trajetória de superação. Em abril, as ações atingiram a mínima do ano, refletindo o temor do mercado diante de possíveis tarifas comerciais massivas. Naquele momento, pairava uma dúvida: o Google conseguiria manter sua hegemonia nas buscas na era da inteligência artificial?

Com o ChatGPT e o Sora, da OpenAI, capturando a atenção do público, o modelo de negócios baseado em publicidade online era visto como um alvo fácil para a disrupção. Essa incerteza levou a Alphabet a uma queda de 18% no primeiro trimestre, seu pior desempenho desde meados de 2022.

A virada de chave começou no segundo trimestre com movimentos estratégicos no alto escalão da companhia e lançamentos de produtos que rapidamente ganharam tração.

Em abril, Josh Woodward, veterano com 16 anos de casa, assumiu o comando do aplicativo Gemini. Sob sua gestão, o grupo lançou em agosto o gerador de imagens Nano Banana, uma funcionalidade do Gemini que permitia aos usuários criar figuras digitais personalizadas a partir de múltiplas fotos.

O recurso viralizou e, em setembro, o Gemini desbancou o ChatGPT do topo da App Store da Apple, ultrapassando a marca de 5 bilhões de imagens geradas.

Além do sucesso nos produtos, a Alphabet reforçou seu "exército" de talentos ao atrair nomes de peso da concorrência. Durante o verão, a gigante fechou um acordo para trazer Varun Mohan, cofundador e CEO da startup de codificação Windsurf, junto a outros pesquisadores seniores. A startup estava em negociações anteriores com a OpenAI, mas o negócio fracassou, abrindo caminho para o Google desembolsar US$ 2,4 bilhões em taxas de licenciamento e compensações para garantir a elite da engenharia da Windsurf.

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