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Rival do Corinthians, Rosario Central tem realidade financeira distante do Brasil

Adversário do Corinthians na Copa Libertadores, clube argentino ultrapassou a marca de 100 mil sócios

Torcida do Rosario Central (Divulgação)

Torcida do Rosario Central (Divulgação)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 19h37.

Anunciado oficialmente em maio de 2025, o retorno de Ángel Di María ao Rosario Central completou um ano. O atacante oficializou o regresso em julho daquele ano, logo após encerrar a sua participação no Mundial de Clubes pelo Benfica, consolidando uma volta mítica ao clube que o revelou após 18 temporadas no futebol europeu.

À época, o impacto da contratação do astro internacional foi imediato, fazendo com que o clube argentino ultrapassasse a histórica marca de 100 mil sócios-torcedores graças a uma onda massiva de novas adesões.

Sem conquistar o Campeonato Argentino desde 1987, o Rosario Central celebra os atuais 104 mil associados como um feito expressivo, garantindo a quarta posição no ranking nacional. O topo do país é liderado por River Plate (351 mil), Boca Juniors (323 mil) e Independiente (160 mil), seguidos de perto pelo Racing, que fecha o grupo dos milionários em sócios com 102 mil inscritos.

Fora das quatro linhas, o "Efeito Di María" transformou as redes sociais. Nos dias seguintes à apresentação do craque, as plataformas do clube registaram milhões de visualizações; o vídeo principal do anúncio no Instagram Reels disparou para mais de 10 milhões de visualizações, quebrando a média habitual de 150 mil acessos da página. Além disso, o clube ganhou mais de 150 mil sócios em poucos dias após o anúncio.

O impacto de Di María

"Era o esperado. Um grande presente do atleta para o seu clube. Di Maria, claro, não tem o reconhecimento e obra que tem Messi, mas é o atleta que defendendo a seleção argentina foi o mais decisivo no século. Observe quantas finais a Argentina disputou, e quantas ganhou e perdeu com ele em campo, sem ele, e suas participações nessas partidas. É dos que entregam algo mais, que as estatísticas não capturam. Dos que os garotos querem ser nas ruas", diz Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana.

Atualmente, o Rosario Central soma 686 mil seguidores na rede social, enquanto a conta pessoal de Di María arrasta uma comunidade global de mais de 26 milhões de fãs.

Victor Schildt, professor de MBA em infraestrutura esportiva e CFO da Recoma, destaca como a chegada de um jogador de projeção internacional pode ampliar a exposição do clube e fortalecer sua marca, criando novas oportunidades a partir do aumento do interesse dos torcedores.

“Um jogador como Di María traz uma visibilidade que ultrapassa o campo e coloca o clube em contato com novos públicos. Esse aumento de exposição fortalece a marca, amplia o engajamento dos torcedores e pode abrir novas oportunidades comerciais para o clube, principalmente quando existe uma estratégia para aproveitar esse momento”, avalia Schildt.

O volume de associados de gigantes como River, Boca, Independiente e Rosario supera a realidade da maioria dos clubes brasileiros, onde apenas Palmeiras, Atlético-MG e Grêmio rompem a barreira dos 100 mil inscritos. Apesar do expressivo engajamento de público, os clubes argentinos faturam significativamente menos do que os rivais do Brasil.

Receitas dos times

Enquanto as receitas anuais de River e Boca oscilam entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões, os balanços financeiros de 2025 no Brasil revelam um abismo financeiro: o Flamengo lidera com R$ 90 milhões arrecadados via programa de sócios, escoltado pelo Palmeiras com R$ 80 milhões, além de Corinthians (R$ 61 milhões) e São Paulo (R$ 56 milhões).

No cenário global, a disparidade financeira é ainda mais profunda. O Real Madrid, líder mundial com 545 mil sócios, arrecada anualmente mais de 200 milhões de euros (superior a R$ 1 milhão de milhões) apenas com a venda de carnês aos associados — uma receita que supera o ganho de todos os clubes brasileiros somados neste quesito.

Moises Assayag, especialista em finanças e negócios do futebol, destaca a força dos programas de associados dos clubes argentinos em comparação com o mercado brasileiro. Apesar de a Argentina ter uma população muito menor que a do Brasil, River Plate e Boca Juniors possuem bases de associados superiores às dos principais clubes brasileiros. Para ele, a diferença passa pela cultura de pertencimento e pelo modelo de relacionamento construído pelos clubes com seus torcedores.

“Quando você olha de forma comparativa, chama atenção o tamanho dos programas de associados dos clubes argentinos. Estamos falando de um país com aproximadamente um quinto da população brasileira, mas que tem clubes com programas de sócios muito engajados. O River Plate, por exemplo, tem quase duas vezes mais sócios do que o nosso maior programa, o do Palmeiras. No Brasil, ainda há muito potencial a ser explorado. Os programas acabaram ficando muito associados à compra de ingressos, com preços mais baixos e prioridade, enquanto existe espaço para ampliar o relacionamento, o engajamento e as formas de geração de receita. Na Argentina, o torcedor se sente mais parte do clube e, em muitos casos, participa efetivamente da sua vida. Isso ajuda a explicar a força desses programas por lá”, avalia Assayag.

Diante desses números, o Brasil permanece fora do Top 5 global de programas de sócios-torcedores, um ranking amplamente dominado pelo Real Madrid, seguido por Bayern de Munique (382 mil), River Plate (351 mil), Boca Juniors (323 mil) e Benfica (300 mil).

Para especialistas, essa diferença está na particularidade dos torcedores argentinos, na entrega que os clubes europeus oferecem de matchday e serviços pré, durante e pós-jogos, mas também evidenciam que o mercado brasileiro possui um limite e que ainda está aprendendo com o que acontece fora do país.

Apesar do centenário futebol brasileiro, os programas de sócio-torcedor ainda não atingiram a maioridade institucional. Nos últimos dez anos, o modelo evoluiu para se tornar uma fatia crucial das receitas e do relacionamento com o público, mas o potencial de crescimento continua vasto.

"Por maiores que sejam os avanços e os números, ainda há um espaço enorme para alcançar o patamar visto em clubes da Europa ou até de outros países da América Latina", explica Reginaldo Diniz, CEO e sócio-fundador da End to End, agência que gere os programas de sócios de clubes como Palmeiras, Grêmio, Atlético-MG, Bahia, Botafogo e Red Bull Bragantino.

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