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O Manchester City pode perder dinheiro e os troféus caso seja punido?

A possibilidade de reescrever a história recente do futebol inglês e europeu abre precedentes complexos, dividindo opiniões entre atletas afetados e gerando debates sobre o real valor de conquistas retroativas.

Caso Manchester City seja punido, os clubes vice-campeões poderiam ser beneficiados com títulos retroativos. (Visionhaus/Getty Images) (Visionhaus/Getty Images)

Caso Manchester City seja punido, os clubes vice-campeões poderiam ser beneficiados com títulos retroativos. (Visionhaus/Getty Images) (Visionhaus/Getty Images)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 29 de setembro de 2026 às 19h45.

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RESUMO | Caso o Manchester City seja punido com a retirada de títulos por infrações às regras financeiras da Premier League, mais de duas dezenas de troféus conquistados entre 2011 e 2026 poderão ser redistribuídos aos clubes que terminaram como vice-campeões.


A estabilidade do futebol moderno enfrenta um horizonte de incertezas após o desdobramento das investigações sobre as contas do Manchester City. Caso o clube seja formalmente considerado culpado e punido com a retirada de títulos e troféus decorrentes de infrações às normas financeiras da Premier League, o impacto transformará a modalidade. Entre 2011 e 2026, a instituição acumulou 26 conquistas de expressão, incluindo oito títulos do Campeonato Inglês, levantando um debate global sobre quem herdaria tal legado.

O peso estatístico dessa reviravolta é imediato. Como o quarto clube mais vitorioso da história do futebol inglês em termos de títulos da primeira divisão, o Manchester City perderia a grande maioria de suas taças recentes. Caso os oitos campeonatos nacionais conquistados na última década e meia fossem sumariamente anulados e reatribuídos aos segundos colocados de cada temporada, a equipe despencaria no ranking histórico de campeões ingleses, nivelando-se a emblemas tradicionais como Tottenham, Burnley e Portsmouth.

Os potenciais herdeiros dos troféus e os precedentes históricos

Segundo o The Athletic, a redistribuição de taças por vias jurídicas não constitui um terreno totalmente inexplorado no esporte mundial. O caso mais célebre permanece sendo o escândalo do Calciopoli na Itália em 2006, quando a Juventus perdeu títulos da Série A e um deles foi entregue formalmente à rival Internazionale.

Aplicando a mesma lógica retroativa ao cenário do futebol inglês e continental dos últimos quinze anos, a lista de beneficiados incluiria gigantes tradicionais, mas também equipes de menor expressão que perderam finais pontuais:

  • Premier League: Manchester United (2011-12, 2017-18, 2020-21), Liverpool (2013-14, 2018-19, 2021-22) e Arsenal (2022-23, 2023-24) figuram como os principais potenciais beneficiados nas coroas nacionais.
  • Copas Domésticas (FA Cup e League Cup): Clubes como Stoke City (vice da FA Cup em 2011), Watford (2019), Sunderland (2014), Aston Villa (2020) e Tottenham (2021) ganham espaço em um hipotético quadro de honra retroativo.
  • Competições Internacionais: O impacto transbordaria para o cenário global, colocando a Inter de Milão como detentora da Champions League de 2022-23, o Sevilla com a Supercopa da UEFA de 2023-24 e o Fluminense como o eventual detentor do título do Mundial de Clubes de 2023-24.

O valor emocional da justiça tardia

De acordo com o The Athletic, a reação dos protagonistas afetados pela hegemonia dos citadinos revela um mosaico complexo de sentimentos. Enquanto treinadores e jogadores da época — como o técnico Tony Pulis, que comandou o Stoke City na decisão da FA Cup de 2011 — manifestam abertamente a sensação de terem sido lesados em campo, outros atletas questionam a validade de comemorações tardias.

Exemplos em outras modalidades, como no ciclismo profissional após os escândalos de dopagem de Lance Armstrong e Floyd Landis, demonstram que receber uma camisa amarela ou uma medalha anos mais tarde após processos intermináveis traz um alívio centrado na justiça desportiva, mas jamais substitui a magia efêmera de saborear o momento no topo do pódio. Para os 26 clubes que acumularam vice-campeonatos diante da máquina vitoriosa montada em Manchester, a busca por uma reparação regulamentar pode representar menos a ânsia pela festa e mais a exigência intransigente pelo respeito às regras do jogo.


Quantos troféus o Manchester City conquistou no período em questão?

O clube acumulou 26 troféus oficiais entre os anos de 2011 e 2026, abrangendo competições nacionais e internacionais.

Quais sanções estão sendo avaliadas contra o clube?

Além de multas e deduções expressivas de pontos, especula-se a possibilidade de anulação de títulos e rebaixamento por infrações financeiras regulamentares.

Existe precedente no futebol para a perda retroativa de títulos?

Sim, o caso mais marcante ocorreu na Itália em 2006 com o escândalo Calciopoli, que resultou na retirada de títulos da Juventus e na reatribuição de conquistas.

Quais clubes brasileiros seriam afetados no cenário internacional?

Na final do Mundial de Clubes de 2023-24, o Fluminense terminou como vice-campeão diante do Manchester City, figurando como potencial herdeiro da taça em caso de sanção extrema.

A redistribuição de taças é um consenso entre os atletas afetados?

Não; embora muitos vejam a medida como um ato de justiça regulamentar, há quem considere a entrega tardia de troféus uma vitória sem o impacto emocional original.

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