Repórter
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 17h53.
Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 18h18.
A Kings League quer transformar o Brasil em um dos principais motores de crescimento da competição nos próximos anos. A liga criada por Gerard Piqué prepara uma nova etapa no país, com expansão da comunidade de torcedores, aproximação com clubes tradicionais, novos formatos comerciais e o desenvolvimento de uma competição feminina.
Os planos foram apresentados nesta terça-feira, em São Paulo, pelo próprio Piqué, fundador da Kings League, Djamel, CEO global da organização, e Anadege Freitas, country manager da operação brasileira. Para os executivos, o Brasil deixou de ser apenas um mercado estratégico e passou a ocupar posição central na expansão internacional da marca.
“Para nós, o Brasil é um mercado muito valioso, e o público, desde o primeiro dia, demonstrou um comprometimento e um grande engajamento com o produto”, declarou Piqué durante a coletiva.
A próxima fase da estratégia passa por transformar a Kings League em um ecossistema mais integrado. A ideia é aumentar a participação dos presidentes das equipes, aproximar marcas e criar novas oportunidades comerciais em torno da competição.
EXCLUSIVO: Kings League cresce entre fãs brasileiros e aproxima futebol do universo gamerSegundo Piqué, a liga trabalha há meses para criar estruturas conjuntas de marketing, competição e negócios com os presidentes dos times brasileiros. O objetivo é fazer com que eles participem mais diretamente da construção da propriedade esportiva no país.
Gerard Piqué, fundador da Kings League,, e Anadege Freitas, country manager da operação brasileira, durante coletiva em São Paulo sobre a expansão da competição no Brasil. (Mateus Omena/Exame)
A Kings League chegou ao Brasil com uma proposta diferente do futebol tradicional: combinar esporte, entretenimento e consumo digital. Agora, a estratégia é transformar esse engajamento em uma plataforma de negócios mais ampla.
Anadege Freitas afirmou que o Brasil está entre os dois maiores mercados da Kings League no mundo e que o potencial está justamente na combinação entre a paixão pelo futebol e o comportamento de consumo das novas gerações.
“A gente tem três frentes principais para os próximos anos: crescimento e expansão da comunidade, fortalecimento do ecossistema e transformar o negócio em algo mais escalável e sólido”, afirmou a executiva.
Segundo ela, a liga registrou crescimento de 21% no engajamento nas redes sociais na comparação anual e alcançou mais de 1 milhão de espectadores simultâneos em transmissões. A organização agora busca ampliar essa audiência para novas regiões do país, principalmente fora do eixo Sudeste.
O Nordeste aparece como uma das prioridades. A executiva citou o crescimento da comunidade na região e parcerias com times locais como exemplos do potencial de expansão da competição.
De Piqué ao Canal do Benja: a nova jogada da Kings League no BrasilUma das principais apostas para a próxima fase da Kings League no país é a criação de uma competição feminina. Inspirada na expansão global da modalidade, a Queens League está em estudo para chegar ao Brasil.
Ainda sem detalhes definidos, a iniciativa já desperta interesse comercial, segundo Anadege. A executiva afirmou que marcas demonstraram interesse em participar de uma possível competição feminina e que o modelo pode abrir novas oportunidades de relacionamento com atletas, equipes e torcedores.
“Já existe interesse, por parte das marcas, de fazer parte de uma Queens, de uma possível Queens”, disse Anadege.
Piqué também citou o futebol feminino como uma das oportunidades de crescimento da Kings League no Brasil, especialmente diante do avanço da modalidade e da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Kings League prepara nova fase de crescimento no Brasil com expansão da competição e novos projetos para o mercado esportivo. (Reprodução/X/Kings League Brasil)
Além do Brasil, a Kings League trabalha para ampliar sua presença internacional. O principal alvo da próxima etapa são os Estados Unidos, mercado considerado estratégico pela companhia.
Piqué afirmou que a liga trabalha na preparação da operação americana, incluindo definição de cidade, estrutura e participantes. A previsão é que o projeto avance até 2027.
O fundador da Kings League também revelou que a empresa não pretende buscar novos investidores neste momento. No início de 2026, a companhia levantou cerca de US$ 65 milhões (aproximadamente R$ 330 milhões) em uma rodada liderada pelo fundo americano Alignment Growth, recursos que devem financiar os próximos passos de expansão.
A prioridade agora, segundo Piqué, é usar esse capital para consolidar a liga como uma referência global no futebol 7 e no modelo que mistura esporte e entretenimento digital.
A expansão da Kings League também passa pela aproximação com clubes tradicionais. Questionado sobre a possibilidade de equipes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo entrarem no ecossistema da liga, Piqué afirmou que já existe interesse de clubes brasileiros.
O desafio, segundo ele, é encontrar um formato comercial que funcione para os dois lados. A Kings League possui parceiros globais e busca equilibrar essas relações com clubes que tenham grande força local, mas diferentes níveis de alcance internacional.
“Existe um enorme interesse em se juntar a nós de alguma forma, e o que precisamos descobrir é como fazer isso”, afirmou Piqué.
Para a Kings League, a aproximação representa uma oportunidade de conectar o futebol tradicional a uma audiência mais jovem, que acompanha esporte principalmente por plataformas digitais e novos formatos de conteúdo.