Lucas trocou a Noruega pelo Brasil e garantiu medalha histórica nas Olímpiadas de Inverno ( FABRICE COFFRINI/AFP)
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Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 11h12.
O Brasil escreveu neste sábado, 14, o seu nome na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. Lucas Pinheiro Braathen conquistou a medalha de ouro no slalom gigante do esqui alpino, em Bormio, na Itália, garantindo a primeira medalha olímpica do país — e da América do Sul — na competição.
Nascido em 19 de abril de 2000, em Oslo, na Noruega, Lucas é filho do norueguês Bjørn Braathen e da brasileira Alessandra Pinheiro de Castro. Cresceu entre a capital norueguesa e temporadas no Brasil, especialmente em São Paulo e Campinas, cidades onde vive parte de sua família materna. Português, inclusive, foi sua primeira língua, depois aprendeu norueguês com o pai e na escola.
Olimpíadas de Inverno: favorito falha e atleta do Cazaquistão leva ouro histórico na patinaçãoO primeiro contato com o esporte aconteceu ainda na infância. Após o divórcio dos pais, viveu por um período em São Paulo, onde sonhava em se tornar jogador de futebol e acompanhava vídeos de Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.
Aos nove anos, decidiu experimentar o esqui alpino por incentivo do pai. Apesar das dificuldades do início considerado tardio, a adaptação foi rápida.
Aos 14 anos, passou a integrar a equipe de desenvolvimento da Noruega. Dois anos depois, filiou-se à Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS). Em 2019, no Mundial Júnior, conquistou prata no Super G e bronze no Combinado. Na temporada 2020/2021, venceu o slalom gigante em Sölden, na Áustria, sua primeira medalha na Copa do Mundo — e logo um ouro.
Menos de três meses depois, sofreu uma grave lesão no joelho, com rompimento de ligamentos, que o afastou por oito meses. Retornou na temporada seguinte e voltou ao topo do pódio em Wengen, na Suíça. Em Beijing 2022, porém, não completou as provas disputadas.
O auge com a Noruega veio em 2022/2023. Em 20 etapas da Copa do Mundo, subiu ao pódio sete vezes e conquistou o título da temporada no slalom, garantindo o "globinho de cristal".
Às vésperas da temporada 2023/2024, surpreendeu ao anunciar aposentadoria, aos 23 anos, em meio a divergências com a federação norueguesa sobre patrocinadores e regras de vestimenta. Meses depois, decidiu retornar às competições representando o Brasil, com apoio da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) e autorização para manter seus pontos na FIS.
"Eu queria escrever uma história maior do que o esporte que eu praticava. Sempre vai surgir um novo esquiador da Noruega. Mas não é sempre que surge um esquiador do Brasil", disse à CNN em maio de 2024.
Quem é Eileen Gu, a atleta mais bem paga das Olimpíadas de Inverno 2026A estreia com a bandeira brasileira aconteceu na temporada 2024/2025. Mesmo largando em posições ruins, acumulou bons resultados. O primeiro pódio pelo Brasil veio no slalom gigante em Beaver Creek, nos Estados Unidos. Na sequência, conquistou outras quatro medalhas na temporada.
Na fase seguinte, consolidou-se entre os principais nomes do circuito. Antes da pausa para Milano Cortina 2026, disputou 17 provas e terminou 14 entre os dez primeiros. Soma cinco pódios no período, incluindo ouro no slalom em Levi, na Finlândia — a primeira vitória brasileira em uma etapa de Copa do Mundo de esporte olímpico de inverno — além de quatro pratas.
Aos 25 anos, está no melhor momento da carreira. Ocupa o segundo lugar no ranking mundial do slalom e a vice-liderança na classificação geral da temporada.
Fora das pistas, Lucas também atua como modelo e é patrocinado pela marca italiana Moncler. Divide-se entre o esporte e o universo da moda, participa de semanas internacionais e mantém uma linha própria de óculos de esqui da Oakley. Em 2025, mudou-se para Milão.
Mesmo tendo passado a maior parte da vida na Noruega, preserva laços com o Brasil. Torcedor do São Paulo Futebol Clube, aprecia churrasco, samba e bossa nova — e costuma ouvir "Mas, que nada", de Jorge Ben Jor, antes das competições.
"Meu lado brasileiro define quem eu sou, é grande parte de mim. É calor humano. Todo mundo ama, quer te conhecer, falar com você… É um sentimento mais próximo, sem julgamentos", disse ao Olympics.com em 2022.