Manchester City foi condenado em 114 das 115 acusações e pode sofrer graves sanções. (Visionhaus/Getty Images) (Visionhaus//Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 16h41.
RESUMO | Uma comissão independente considerou o Manchester City culpado de quase todas as mais de 100 acusações de irregularidades financeiras, incluindo pagamentos falsos e distorções de mais de £900 milhões (cerca de R$ 6,85 bilhões) entre 2009 e 2018. O clube confirmou que irá recorrer da decisão.
A estabilidade institucional do Manchester City sofreu um revés sem precedentes após a conclusão de uma investigação que durou quase dois anos. Uma comissão independente considerou o clube culpado de praticamente todas as mais de 100 acusações de infrações às regras financeiras da Premier League cometidas entre os anos de 2009 e 2018. O veredito foi confirmado oficialmente pela liga, revelando um cenário de manipulação contábil sistêmica estruturada para burlar o Fair Play Financeiro.
De acordo com as conclusões da comissão, e divulgadas pelo Bleacher Report, os dirigentes do clube foram formalmente implicados em práticas de "pagamentos falsos" e em artifícios voltados a inflar artificialmente receitas e reduzir despesas de forma deliberada. Os números divulgados impressionam pela magnitude: o clube foi considerado culpado por superestimar suas receitas em £854,5 milhões (aproximadamente R$ 6,51 bilhões) e subestimar despesas em £66,2 milhões (cerca de R$ 504 milhões), totalizando distorções financeiras superiores a £900 milhões (equivalente a cerca de R$ 6,85 bilhões).
Para a Premier League, o relatório representou o desfecho de um processo monumental. O diretor-executivo da entidade, Richard Masters, classificou o caso como o mais significativo da história do campeonato, ressaltando o compromisso de avançar rapidamente com as próximas etapas para determinar as penalidades cabíveis. Além das fraudes contábeis, a comissão apontou que a instituição violou repetidamente seus deveres de cooperação e boa-fé durante o processo arbitral, emitindo declarações consideradas imprecisas ou enganosas.
A resposta da cúpula do Manchester City veio de forma imediata por meio de canais oficiais e de comunicados direcionados aos funcionários. O clube expressou profunda surpresa e decepção com o teor da decisão publicada pela comissão independente. Em nota oficial, a diretoria reiterou sua inocência, argumentando dispor de um conjunto abrangente de evidências irrefutáveis que comprovariam a lisura de suas operações comerciais e o pagamento integral de patrocínios diretamente pelas empresas parceiras.
O CEO do clube, Ferran Soriano, buscou tranquilizar os colaboradores internos por meio de um pronunciamento em vídeo, reafirmando que a instituição adotará uma postura implacável na defesa de seus interesses. O Manchester City confirmou que utilizará o direito estatutário de apelar do veredito dentro do prazo estabelecido, fixado até a próxima sexta-feira, 2 de outubro. Segundo o regulamento da Premier League, o recurso será analisado por uma nova comissão composta por três membros independentes, cujo julgamento focado na revisão do processo original deverá ser concluído nos próximos meses.
A gravidade dos termos utilizados pela comissão independente — que mencionou acordos fictícios, ocultação de dados e a clara intenção de contornar os regulamentos desportivos — projeta uma sombra sobre a era mais vitoriosa da história do clube. Desde a aquisição realizada em 2008 pelo grupo liderado por Sheikh Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, vice-presidente e primeiro-ministro adjunto dos Emirados Árabes Unidos, o Manchester City conquistou oito títulos da Premier League e se consolidou como uma potência global.
Embora o relatório não aponte envolvimento direto de Sheikh Mansour nas irregularidades administrativas, a repercussão do caso atinge diretamente a reputação associada ao projeto esportivo de Abu Dhabi no cenário internacional. Com sanções severas ainda em aberto — variando desde pesadas multas financeiras e perdas de pontos até a exclusão sumária do campeonato —, o futuro esportivo da equipe permanece sob suspense enquanto se aguarda o desdobramento da fase de recursos.
O clube foi considerado culpado de mais de 100 infrações financeiras, incluindo "pagamentos falsos" e distorções contábeis superiores a £900 milhões (cerca de R$ 6,85 bilhões).
A investigação abrangeu irregularidades supostamente cometidas entre as temporadas de 2009 e 2018.
O Manchester City declarou inocência, classificou a decisão como equivocada e confirmou que entrará com um recurso oficial.
O clube tem até sexta-feira, 2, para protocolar o recurso com base nas regras de apuração da Premier League.
As sanções em aberto incluem desde pesadas multas e deduções de pontos na tabela até a exclusão da liga, dependendo da decisão final da comissão.