Atlético-MG e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada do governo estadual. América-MG receberá outros R$ 2 milhões. (Foto: Pedro Souza / Atlético) (Foto: Pedro Souza / Atlético)
Redator na Exame
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 16h59.
RESUMO | O governo estadual de Minas Gerais firmou um acordo de R$ 32 milhões para patrocinar América, Atlético e Cruzeiro por meio de empresas públicas estaduais, amenizando o impacto financeiro provocado pela proibição das casas de apostas.
A brusca reviravolta regulamentada pela Medida Provisória do Governo Federal que suspendeu as atividades e a publicidade das casas de apostas no Brasil gerou uma corrida imediata por alternativas financeiras no futebol brasileiro. Diante da iminência de perdas expressivas nos orçamentos dos clubes, o Governo do Estado de Minas Gerais agiu rapidamente e anunciou, nesta terça-feira, 29, um acordo de patrocínio no valor total de R$ 32 milhões destinado ao trio da capital: América, Atlético e Cruzeiro.
O anúncio oficial ocorreu após uma reunião de alinhamento institucional realizada na Cidade Administrativa, sede do governo estadual na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), liderou as negociações e oficializou o pacto ao lado de importantes figuras da gestão dos clubes, como Pedro Lourenço (dono da SAF do Cruzeiro), Renato Salvador (investidor do Atlético) e Marcus Salum (coordenador do grupo de gestão do América).
Embora o montante global de R$ 32 milhões represente cerca de um terço do que os clubes tradicionalmente arrecadavam com as grandes marcas do setor de apostas esportivas, a iniciativa estadual surge como um colchão de amortecimento para evitar colapsos nas folhas de pagamento e nos planejamentos estratégicos de curto prazo. O arranjo financeiro será viabilizado por meio do aporte de três empresas estatais de peso: a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig).
Durante o anúncio oficial, o governo detalhou a distribuição proporcional dos recursos entre as equipes mineiras, ponderando o porte e a capilaridade de cada instituição no cenário esportivo nacional. Ficou estabelecido que o Atlético receberá R$ 15 milhões, o Cruzeiro contará com o mesmo patamar de R$ 15 milhões, enquanto o América terá direito a R$ 2 milhões.
"É um ato de responsabilidade com o futebol de Minas Gerais, um ato de responsabilidade com as torcidas. Os contratos serão assinados nos próximos dias. Serão 15 milhões de reais para o Atlético, 15 milhões de reais para o Cruzeiro e 2 milhões de reais para o América", declarou o governador Mateus Simões durante a coletiva.
Em contrapartida ao apoio financeiro estatal, os clubes firmaram o compromisso de entregar benefícios diretos à sociedade mineira. Entre as exigências contratuais estipuladas pelo governo estão investimentos direcionados ao fomento e à estruturação do futebol feminino, além da disponibilização de ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda em partidas oficiais. Além dos três grandes da capital, gestores de outras praças do estado, como Athletic e Uberlândia, também iniciarão conversas com o governo em busca de alternativas de receitas compensatórias.
A articulação do governo mineiro ilustra o tamanho do buraco financeiro que a proibição federal das apostas abriu nos clubes brasileiros. Dados de consultorias especializadas, como a Convocados, apontavam que as empresas do setor injetavam anualmente cerca de R$ 1,03 bilhão apenas em patrocínios másters e propriedades de exibição na Série A do Campeonato Brasileiro, sem contar acordos regionais e de naming rights. Com a publicação da MP que derrubou a publicidade e o funcionamento das plataformas, 14 dos 20 clubes da elite nacional viram suas principais fontes de receita evaporarem da noite para o dia.
A medida federal, implementada a poucos dias do primeiro turno das eleições, estabeleceu um cronograma de adequação e encerramento das atividades. Desde a última sexta-feira, novos depósitos e publicidades estão proibidos. O calendário avança para o dia 5 de outubro, prazo limite para o resgate voluntário de saldos pelos apostadores e remoção definitiva de marcas de patrocínio em uniformes e placas de publicidade. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos deverão sair do ar em território nacional, dando início a uma complexa operação de devolução de saldos bancários que se estenderá até meados do mês sob a supervisão do sistema financeiro e da Caixa Econômica Federal.
O montante acordado é de R$ 32 milhões, distribuídos entre os três principais clubes do estado.
O Atlético receberá R$ 15 milhões, o Cruzeiro ficará com R$ 15 milhões e o América receberá R$ 2 milhões.
O patrocínio será custeado pela Cemig, pela Codemge e pela Codemig.
Os times deverão investir no futebol feminino e disponibilizar ingressos gratuitos para estudantes de baixa renda.
A iniciativa busca amenizar o impacto financeiro imediato gerado pela Medida Provisória federal que baniu a publicidade e a operação das casas de apostas no país.