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Com R$ 145 milhões, futebol feminino bate recorde na janela de transferências; Brasil se destaca

Assim como no futebol masculino, Inglaterra também domina lista de transferências

 (Agência Brasil/Reuters)

(Agência Brasil/Reuters)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 18h16.

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O mercado global de transferências do futebol feminino alcançou um patamar inédito neste meio de ano, impulsionado por um crescimento financeiro e por uma movimentação recorde de atletas profissionais.

Segundo o último relatório publicado pela Fifa, o montante investido no setor passou dos 28,6 milhões de dólares (cerca de R$ 145,6 milhões), valor que representa mais do que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.

Embora os clubes da Inglaterra tenham liderado os gastos absolutos do mercado com US$ 8 milhões injetados, o grande destaque para o cenário nacional foi o saldo comercial positivo dos times brasileiros. O Brasil consolidou-se como um polo exportador de talentos.

Depois da Inglaterra, a Espanha foi a segunda na lista de maiores gastos (US$ 6,6 milhões), seguida por Alemanha (US$ 4,9 milhões), Estados Unidos (US$ 2,9 milhões) e Itália (US$ 2,1 milhões).

“As atletas brasileiras são referências técnicas e cada vez mais se consolidam como ativos de altíssimo valor no mercado internacional. Transações deste porte impulsionam todo o ecossistema, atraindo marcas globais, novos patrocinadores e provando que o futebol feminino é um produto rentável e em plena ascensão”, explica Ruskaya Zanini, Chief Operating Officer (COO) da FSports, agência que detém com exclusividade os direitos de comercialização do futebol feminino da CBF no ciclo 2025–2029.

O Brasil ocupou a 35ª posição do ranking de investimentos, com gastos de 39,9 mil dólares (R$ 203 mil) em 11 contratações. Mesmo com números modestos, o Brasil se destacou no faturamento. Os clubes do país registraram 20 vendas de jogadoras, arrecadando 748 mil dólares (cerca de R$ 3,8 milhões). A evolução representa uma taxa de crescimento de 5,3% nas transferências de saída em relação aos períodos anteriores.

"O crescimento das transferências evidencia o amadurecimento do futebol feminino e a valorização dos seus ativos. O Brasil, como um dos grandes formadores de talentos, tem uma oportunidade importante de transformar essa capacidade em negócios internacionais, fortalecendo o ciclo de investimentos na modalidade", diz Danielle Vilhena, Diretora de Operações e Projetos de Marcas da Agência End to End.

Símbolos do momento

O grande símbolo desse sucesso financeiro foi a negociação da atacante Leticia Teles. Vendida pelo Corinthians ao Al-Qadsiah, da Arábia Saudita, por aproximadamente 700 mil dólares (R$ 3,5 milhões), a jogadora cravou seu nome na história ao se tornar a maior venda de todos os tempos do clube alvinegro, além de assumir o posto de segunda maior transação do futebol feminino brasileiro.

“Esse crescimento mostra que os esportes femininos, em especial o futebol, está ganhando espaço de verdade, não só em visibilidade, mas também em receita. O desafio agora é transformar esse momento em estrutura, investimento e continuidade", comenta Renata Armiliato, gerente de futebol feminino do Internacional. Em 2024, a atacante Priscila foi negociada pelo clube Colorado com o América do México por R$ 2,8 milhões, registrando na época a maior venda da história do futebol feminino brasileiro.

Outra transferência internacional bastante expressiva envolveu a atacante Kerolin, destaque da Seleção Brasileira. A jogadora assinou com o Barcelona por quatro temporadas — estendendo seu vínculo até o final de 2030 — após defender o Manchester City nas duas últimas edições da liga inglesa. Embora os valores oficiais não tenham sido divulgados, fontes apontam que o negócio foi fechado em 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 8,6 milhões).

O montante estabelece uma tríplice marca histórica: é a maior venda do Manchester City feminino, a compra mais cara do Barcelona na modalidade e a maior transferência de uma atleta brasileira na história, superando o recorde anterior de Amanda Gutierres ao Boston Legacy (R$ 5,89 milhões).

Recorde de movimentações

A Fifa contabilizou a transferência internacional de 1.406 jogadoras profissionais, estabelecendo um recorde de movimentações, com uma alta de 19,2% comparado ao recorde anterior.

“O crescimento do futebol feminino está diretamente ligado à diversificação do público que consome o esporte. Estruturar uma frente dedicada a essa cobertura é um passo natural para o Flashscore, que quer ir além do placar e contribuir para a construção de narrativas, bastidores e conteúdos que aproximem o torcedor da modalidade”, afirma Alexandre Vasconcellos, Diretor Regional do Flashscore no Brasil.

Para Renê Salviano, CEO da Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo, o aumento das receitas dos esportes femininos, impulsionado pela elite do futebol feminino global, confirma que a modalidade entrou definitivamente no radar econômico. "Esse avanço é resultado de maior profissionalização, da melhoria na gestão dos ativos e de um interesse crescente do público, dos patrocinadores e dos investidores, que passaram a enxergar o esporte como uma plataforma consistente de negócios e engajamento."

“Os números mostram que o futebol feminino deixou de ser um mercado de potencial e passou a ser um mercado de investimento. O recorde nas transferências e a liderança da Inglaterra mostram que existe uma estrutura cada vez mais profissional e disposta a movimentar dinheiro por grandes talentos. Para o Brasil, que continua sendo um celeiro de jogadoras, o desafio é transformar essa capacidade de formação em um mercado mais forte, com clubes capazes de desenvolver, valorizar e negociar essas atletas por valores cada vez maiores”, pontua Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e organizador de uma das principais competições do segmento, a Brasil Ladies Cup.

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