Schumacher: jornalista diz que ex-piloto não está preso na cama (Said Jan/AFP)
Redação Exame
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 10h28.
Um dos grandes mistérios do mundo do esporte envolve Michael Schumacher, ex-piloto alemão que não é visto em público desde o grave acidente de esqui nos Alpes franceses, em dezembro de 2013, que resultou em uma severa lesão na cabeça, causada por uma pedra.
Após o incidente, Schumacher ficou em estado crítico e foi colocado em coma induzido. Desde então, informações sobre sua saúde têm sido mantidas em sigilo absoluto pela família, com raras atualizações oficiais ao longo dos últimos 12 anos.
Recentemente, o tema voltou ao debate com declarações de pessoas próximas ao ex-piloto. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o ex-chefe de Schumacher na Fórmula 1, Flavio Briatore, afirmou:
“Se eu fecho os olhos, vejo o Michael sorrindo após uma vitória. Prefiro me lembrar dele assim, ao invés de vê-lo apenas deitado na cama”.
Briatore, atualmente consultor da Alpine, afirmou manter contato com a esposa de Schumacher, Corinna, mas não vê o ex-piloto pessoalmente desde o acidente.
Outros relatos surgiram recentemente. O jornalista britânico Jonathan McEvoy, do Daily Mail, afirmou que Schumacher não estaria mais acamado, com base em informações obtidas ao visitar a casa de veraneio da família em Maiorca, na Espanha. Segundo McEvoy, Schumacher seria conduzido em cadeira de rodas por enfermeiros e terapeutas dentro da residência.
Apesar disso, o estado de consciência do ex-piloto permanece indefinido. Uma fonte próxima da família, ouvida sob anonimato, afirmou:
“Não dá para ter certeza se ele entende tudo porque ele não pode falar com ninguém. A sensação é que ele entende algumas das coisas acontecendo ao seu redor, mas provavelmente não tudo.”
No dia do acidente, Schumacher esquiava entre duas pistas demarcadas, mas se aventurou em uma área fora dos limites para ajudar outro esquiador que havia caído. Embora não estivesse em alta velocidade, ele atingiu uma pedra escondida sob a neve, foi arremessado e bateu a cabeça em outra rocha. O impacto foi tão forte que chegou a quebrar o capacete.
Ele foi levado de helicóptero ao hospital de Grenoble, passou por duas cirurgias cerebrais e foi colocado em coma induzido.
Em abril de 2014, os médicos iniciaram a retirada do coma, e Schumacher começou a apresentar sinais mínimos de consciência. Em junho do mesmo ano, foi transferido para um hospital em Lausanne e, posteriormente, levado para casa, em Gland, na Suíça. A família adaptou a residência com equipamentos médicos avançados para acompanhá-lo de forma permanente.
A partir desse momento, a família optou por manter total privacidade, diante da forte pressão da mídia. A esposa, Corinna Schumacher, passou a limitar completamente o acesso de jornalistas e até mesmo de amigos próximos.
Apesar da discrição, a família foi alvo de crimes envolvendo a divulgação de informações pessoais. Em 2025, três homens foram condenados na Alemanha por tentativa de extorsão. Entre eles, um ex-segurança da casa de Schumacher, que acessou mais de 1.500 arquivos privados — incluindo vídeos, prontuários e fotos — e ameaçou divulgar o conteúdo na dark web, exigindo €14 milhões (cerca de R$ 88 milhões).
O caso lembra um episódio anterior, em 2014, quando outro homem foi preso por roubar prontuários médicos de Schumacher e acabou morrendo na prisão.
Com o silêncio da família, informações confiáveis sobre Schumacher são raríssimas. Em 2019, Jean Todt, amigo próximo e ex-presidente da FIA, afirmou que o ex-piloto assistia a corridas pela TV, embora com limitações cognitivas.
No mesmo ano, surgiram relatos sobre uma terapia com células-tronco realizada em Paris, mas os resultados nunca foram divulgados.
Em 2023, uma revista alemã publicou uma falsa “entrevista” com Schumacher, cujas respostas haviam sido geradas por inteligência artificial. A família processou a publicação e a editora responsável foi demitida.
Segundo o jornal Bild, Schumacher viaja de helicóptero entre a Suíça e a casa em Maiorca, onde há estrutura médica instalada. O ex-piloto também teria sido transportado em um carro esportivo da Mercedes, com o som do motor ligado, na tentativa de estimular respostas cognitivas — uma ligação emocional com seu passado nas pistas.
Mais recentemente, fontes afirmaram que Schumacher esteve presente no casamento de sua filha Gina, o que gerou especulações sobre uma mudança na postura da família em relação à privacidade. Embora celulares tenham sido proibidos na cerimônia, o fato de ele ter sido visto por um círculo maior de familiares e amigos pode indicar abertura para atualizações futuras.