Kamilla foi eleita a melhor jogadora do ano pela equipe de Illinois (Reprodução Instagram)
Repórter
Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 13h09.
A NBA é a maior liga de basquete do mundo. A WNBA, sua “irmã", lidera no segmento feminino. Estamos falando aqui de um mercado bilionário.
Segundo a Deloitte, as receitas globais no esporte feminino de elite atingiram pelo menos US$ 2,35 bilhões em 2025. Em 2024, esse número chegou a US$ 1,88 bilhão.
De uma forma geral, acredita-se que mercado do esporte envolvendo as mulheres tenha aumentado 240% desde 2021, de acordo com a consultoria. E a tendência é que fique mais aquecido.
Em novembro, o público terá mais uma opção de basquete feminino, inclusive com a participação do Brasil.
Trata-se do Project B, nova liga mundial que vai juntar 6 equipes e 66 atletas - com a brasileira Kamilla Cardoso, pivô do Chicago Sky, na lista. Ela foi eleita a jogadora do ano do time na WNBA. Kamilla jogou 40 partidas em 2025, tendo médias de 13.6 pontos, 8.5 rebotes e 1.2 toco por jogo.
Serão sete torneios de duas semanas em diferentes cidades ao redor do mundo - Ásia, Europa e América Latina. O Brasil é candidato a receber jogos da nova liga.
“Estou muito animada. Poder viajar e conhecer novos lugares é uma bênção. Tenho muito orgulho de poder representar o Brasil. Mal posso esperar para começar”, disse Kamilla. “Uma liga verdadeiramente internacional com estrelas brasileiras pode inspirar a próxima geração e elevar o basquete feminino no país", falou a atleta à EXAME.
Um diferencial do Project B é a relação das atletas com o quanto de caixa a liga vai gerar. Na prática, as jogadoras tornam-se acionistas nesse modelo.
“Elas participam ativamente da construção da plataforma conosco. Outro diferencial é nosso formato global. Em vez de uma liga doméstica, estamos organizando torneios de elite em vários continentes em uma plataforma que prioriza streaming e redes sociais. O terceiro é a concentração de talentos. Com seis equipes e os melhores jogadores do mundo, cada jogo terá clima de final", diz Grady Burnett.
“Desde o início, eles deixaram claro que veem os jogadores como parceiros e querem que ajudemos a moldar o futuro da liga. Isso foi muito importante para mim", disse Kamilla
Com todo o desenho do Project B, é óbvio que a pergunta sobre uma possível rivalidade com a WNBA iria aparecer. No momento, isso não parece ser prioridade para a nova liga.
“Nosso objetivo não é competir com nenhuma outra liga, mas expandir o ecossistema global do basquete. Há demanda mais do que suficiente no mundo todo. Estamos criando um novo produto que soma ao crescimento do esporte.
"Temos investidores de Europa, Ásia e Estados Unidos. E por isso sentimos que temos o que precisamos para ter sucesso”, disse Grady Burnett, cofundador e COO da Project B e que foi executivo do Facebook e do Google. Quem já entrou no negócio entende do assunto. Na lista estão Steve Young, lenda do San Francisco 49ers e vencedor de 3 Super Bowls, e Novak Djokovic, tenista com mais títulos de Grand Slam na história.
O “temos o que precisamos para o sucesso” tem um significado: atletas de elite. Além de Kamilla, estão no Project B a francesa Janelle Salaun, do Golden State Valkyries, e a chinesa Li Meng, ex-armadora do Washington Mystics. O executivo contou à EXAME que outras jogadoras brasileiras podem se juntar ao Project B.
Burnett se uniu a outro alto executivo do mercado de tecnologia, Geoff Prentice, cofundador do Skype, para idealizar e investir no Project B. “Acreditamos que a próxima empresa de várias centenas de bilhões de dólares será construída em torno de esportes e entretenimento", falou em entrevista ao Yahoo!Sports. A estratégia central será associar tecnologia e esportes com transmissão global via streaming, um mercado de bilhões de dólares.
Para atrair capital internacional, o Project B contratou a Sela, uma empresa de entretenimento do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita. A nova liga de basquete feminino já conquistou investidores de tecnologia e investidores como a Quiet Capital e Mangrove Capital.
Consultorias estimam que 90% da audiência do basquete está fora dos EUA. Ou seja, há muito o que explorar além das fronteiras da maior economia do mundo. E a inspiração para o Project B, por incrível que pareça, não veio das quadras, mas sim das pistas.
“Em um mundo de abundância de conteúdo, são os eventos ao vivo, não roteirizados e impulsionados por superestrelas que se destacam. Nos inspiramos na estrutura da Fórmula 1, uma competição global itinerante com múltiplas cidades-sede que celebra a cultura e o espírito de cada torcida única. Com nossa experiência em tecnologia, também entendemos como plataformas constroem comunidade e alcançam audiências mundiais, além do valor de dar aos atletas participação acionária significativa na empresa desde o primeiro dia”, explicou Burnett à EXAME.
Dois mercados que o executivo está de olho são América Latina e Ásia. “São oportunidades pouco exploradas. Têm bases de fãs jovens, cultura forte de basquete e comunidades digitais engajadas. O Brasil é um dos mercados de basquete mais apaixonados do mundo, com um potencial extraordinário de crescimento", comentou.
"Nosso negócio foi construído para escalar. Com mídia global, parcerias, tecnologia e eventos, vemos uma oportunidade significativa de construir uma das plataformas esportivas mais valiosas da próxima década em múltiplos esportes", disse o executivo à EXAME.