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Monza consagra Antonelli e expõe o custo de Leclerc para Hamilton

A vitória do italiano saindo de 19º reforça sua força na disputa pelo título. Na Ferrari, a rivalidade interna cobra pontos que a equipe não pode desperdiçar

Kimi Antonelli: piloto venceu o Grande Prêmio da Itália (Sam Bagnall/Getty Images)

Kimi Antonelli: piloto venceu o Grande Prêmio da Itália (Sam Bagnall/Getty Images)

Publicado em 6 de setembro de 2026 às 13h03.

Última atualização em 6 de setembro de 2026 às 13h03.

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Kimi Antonelli largou em 19º e venceu o Grande Prêmio da Itália. Aos 20 anos, encerrou uma espera de 60 anos por um italiano no lugar mais alto do pódio dessa prova. George Russell foi segundo e Max Verstappen, terceiro. Em Monza, a festa italiana teve um protagonista da Mercedes. A Ferrari terminou com Hamilton em sexto e Leclerc fora da corrida. Resultado em Monza, marco histórico.

Para mim, esse resultado deixa uma discussão que vai além da recuperação de Antonelli. O italiano está mostrando uma capacidade impressionante de transformar situações difíceis em resultado. A Ferrari, por sua vez, precisa encarar o quanto a disputa entre seus pilotos está custando. Hamilton já tem trabalho suficiente tentando alcançar a Mercedes. Encontrar mais uma dificuldade dentro da própria equipe torna essa tarefa ainda maior.

Na largada, Leclerc apertou Hamilton na primeira sequência de curvas e o britânico precisou sair da pista, perdendo posições. Pouco depois, na segunda volta, Leclerc perdeu o controle na saída da Parabólica durante a disputa com Oscar Piastri e bateu. A corrida foi interrompida. Felizmente, ele conseguiu sair do carro e foi liberado após avaliação médica. Incidentes no início da corrida.

O episódio da largada não gerou punição. Ainda assim, considero que Leclerc errou na medida da disputa com Hamilton. Uma manobra pode passar pela avaliação dos comissários e continuar sendo uma péssima escolha para a equipe. Havia uma corrida inteira pela frente, com o líder do campeonato largando atrás. A Ferrari precisava aproveitar essa oportunidade. Decisão sobre o incidente.

E essa discussão já vinha de Zandvoort. Na etapa anterior, Hamilton ficou atrás de Leclerc mesmo estando com pneus mais novos e em uma estratégia diferente. A Ferrari prolongou a permanência de Charles na pista por uma volta antes de sua parada, adiando a liberação de Lewis. Hamilton terminou em quarto, atrás das duas Mercedes. Estratégia da Ferrari em Zandvoort.

Naquela mesma corrida, a Mercedes trocou as posições de Russell e Antonelli para permitir que o italiano, com pneus mais novos, atacasse Norris. A vitória ficou com a McLaren, mas a decisão deu uma chance à equipe. É esse tipo de clareza que eu espero da Ferrari: identificar quem tem condição de avançar naquele momento e agir enquanto a oportunidade existe. A troca de posições da Mercedes.

É nesse sentido que vejo Leclerc atrapalhando Hamilton. Em duas etapas consecutivas, a disputa interna acrescentou uma dificuldade ao trabalho de Lewis. Em Zandvoort, a responsabilidade passa claramente pela condução da estratégia. Em Monza, a escolha de Leclerc na largada teve um efeito direto. São situações diferentes, mas o custo recai sobre o mesmo objetivo: colocar a Ferrari em condições de disputar resultados melhores.

Leclerc tem todo o direito de disputar posição e construir seu campeonato. Sua velocidade está demonstrada, inclusive pela vitória em Silverstone nesta temporada. A questão é como usar essa competitividade a favor da Ferrari. Quando os dois carros se encontram na pista, alguém precisa considerar também o que acontece à frente deles. Vencedores da temporada.

Também seria simplificar demais colocar todo o sexto lugar de Hamilton na conta do companheiro. A Ferrari manteve Lewis na pista durante o safety car virtual, com pneus médios já desgastados. Essa escolha também precisa entrar na avaliação. Não temos como afirmar qual seria sua posição final sem o episódio da largada. Temos como cobrar uma execução que reduza perdas evitáveis. Pneus e estratégia de Hamilton.

Do outro lado, Antonelli entregou uma corrida que ajuda a explicar sua liderança. A punição por troca de componentes da unidade de potência o colocou no fundo do grid. A bandeira vermelha reagrupou o pelotão e favoreceu sua recuperação. Depois, uma parada durante o safety car virtual lhe deu pneus mais novos para perseguir Russell, que permaneceu na pista. A ultrapassagem decisiva veio nas voltas finais. A recuperação de Antonelli.

Essas circunstâncias fazem parte da análise. Antonelli teve um carro competitivo e oportunidades estratégicas. O mérito está em aproveitar tudo isso sob a pressão de correr em casa e sair de 19º. Era preciso atravessar o pelotão, chegar em condição de disputar a ponta e concluir a ultrapassagem sobre o companheiro. Ele fez.

Monza amplia uma sequência que já era forte. Antonelli havia vencido na China, no Japão, em Miami, no Canadá, em Mônaco e na Bélgica. Agora são sete vitórias na temporada. Circuitos com características distintas, exigências diferentes e um piloto conseguindo repetir resultados. É essa repetição que me faz enxergar nele uma potência da Fórmula 1. Resultados da temporada, vitória na Itália.

O campeonato traduz o tamanho do domingo: Antonelli chegou a 267 pontos, contra 201 de Russell e 191 de Hamilton. A vantagem sobre o companheiro passou de 59 para 66 pontos. Sobre Lewis, subiu de 59 para 76. A etapa que oferecia aos perseguidores uma oportunidade de aproximação terminou com o líder ainda mais distante. Classificação após Monza.

Ainda há campeonato, e uma vantagem pode diminuir. Mas Antonelli está obrigando seus adversários a trabalhar com uma margem de erro cada vez menor. Para Hamilton, isso torna ainda mais cara qualquer volta desperdiçada atrás do companheiro ou qualquer decisão tardia no box.

Como gestor, vejo um problema conhecido nessa Ferrari: profissionais muito capazes podem entregar menos do que poderiam quando o objetivo coletivo perde espaço nas decisões individuais. A responsabilidade de organizar isso é de quem comanda. A equipe precisa combinar liberdade para competir com critérios claros para preservar suas oportunidades.

Minha cobrança a Leclerc é por mais discernimento na disputa com Hamilton. À Ferrari, por decisões mais rápidas e uma direção esportiva que funcione na pista. E Antonelli merece o reconhecimento pelo que já está entregando. Depois de Monza, qualquer plano para ganhar este campeonato precisa começar por descobrir como vencê-lo.

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