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O que há de errado com o gramado deste time cinco vezes vice-campeão da NFL?

Franquia da NFL gasta milhões e arranca piso do Highmark Stadium antes do primeiro jogo oficial da temporada.

Partes de grama soltam do solo durante partida de pré-temporada do Buffalo Bills no Highmark Stadium, em Nova York. (AFP) (Perry Knotts/Getty Images)

Partes de grama soltam do solo durante partida de pré-temporada do Buffalo Bills no Highmark Stadium, em Nova York. (AFP) (Perry Knotts/Getty Images)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 6 de setembro de 2026 às 08h40.

Última atualização em 8 de setembro de 2026 às 11h45.

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O projeto de transição de piso sintético para grama natural no novo estádio do Buffalo Bills enfrentou problemas de infraestrutura logo nos primeiros testes em campo. Uma reportagem publicada pelo portal The Athletic detalha os motivos que levaram a diretoria do clube da NFL a arrancar todo o piso do Highmark Stadium antes do primeiro jogo oficial da temporada de 2026.

As placas de grama da espécie Kentucky bluegrass receberam instalação em outubro de 2025. O campo permaneceu sem uso por 10 meses, mas as raízes falharam na fixação no solo. Durante os jogos de pré-temporada contra o Carolina Panthers e o Pittsburgh Steelers, além de dois treinos abertos no complexo de US$ 2,2 bilhões (R$ 12,1 bilhões), os atletas arrancaram grandes pedaços de grama com as travas das chuteiras durante jogadas rápidas de partida.

A situação gerou críticas de atletas e de especialistas em agronomia esportiva. Um jogador definiu a condição do piso de forma direta após a abertura dos portões, enquanto a presidência de operações de negócios tentou minimizar os danos públicos. A troca completa do campo ocorreu semanas antes do confronto contra o Detroit Lions, partida de estreia do time em sequência de três jogos seguidos em casa no período de 18 dias.

Falhas técnicas e excesso de tecnologia no gramado

Especialistas consultados pelo The Athletic apontam erros de manejo na manutenção da grama e questionam a eficiência dos sistemas subterrâneos. O campo possui infraestrutura de ventilação, aquecimento, irrigação e sensores de nível de oxigênio operados por computadores. No entanto, o excesso de aparatos tecnológicos pode ter prejudicado o desenvolvimento natural das raízes, deixando a vegetação sem resistência ao estresse físico de atletas de elite.

Profissionais do setor indicam que a equipe de jardinagem falhou na taxa de drenagem e na aplicação de agentes de umidade do solo, permitindo o surgimento de doenças fúngicas nas folhas. A arquitetura do novo estádio, projetada com painéis de metal para redirecionar ventos fortes da região de Nova York e proteger os torcedores, também alterou a incidência de luz solar direta e a circulação de ar sobre o campo.

O lendário George Toma, conhecido na história do esporte profissional norte-americano pelo trabalho de preparação de campos de Super Bowl, criticou o ocorrido em entrevista ao The Athletic. Segundo o especialista de 97 anos de idade, os profissionais da atualidade confiam em tecnologia em excesso e se distanciam dos métodos básicos de jardinagem.

O impacto das exigências de grama na NFL

A troca de piso em Buffalo insere-se em um contexto de pressão exercida pelo sindicato de jogadores da NFL por superfícies de grama natural. Pesquisas internas da associação indicam que a esmagadora maioria dos atletas prefere atuar em relva natural em razão da menor incidência de lesões musculares e articulares. O movimento ganhou força após exigências da Federação Internacional de Futebol (FIFA) para partidas de torneios de seleções em estádios dos Estados Unidos.

Apesar da preferência dos atletas, administradores de arenas esportivas enfrentam desafios de manutenção em regiões de clima rigoroso. O custo de substituição de um campo inteiro de futebol americano atinge cifras expressivas de orçamento para as franquias. A diretoria do Buffalo Bills defendeu a decisão da troca total do piso dentro da janela de prazo estipulada pela liga, assegurando que o novo gramado atenderá aos padrões de segurança exigidos para os confrontos oficiais do campeonato profissional.

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