Seleção do Irã: equipe iraniana somou cerca de 2.536 quilômetros em deslocamentos durante a primeira fase, segundo levantamento ((Foto: Patrick T. Fallon / AFP))
Publicado em 27 de junho de 2026 às 14h35.
A seleção do Irã voltou a subir o tom contra a organização da Copa do Mundo após o empate por 1 a 1 com o Egito, neste sábado, 27. O técnico Amir Ghalenoei afirmou que a equipe foi tratada de forma "injusta" pelos Estados Unidos durante o torneio e pediu que a Fifa impeça situações semelhantes em futuras edições da competição.
As reclamações da delegação iraniana ocorrem em meio ao conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que voltou a escalar nesta sexta, 26, em meio a uma troca de acusações dos países de violação do acordo de paz. No caso da seleção iraniana, o foco das críticas são as limitações impostas à equipe para entrar e permanecer em território estadunidense.
"Estou orgulhoso dos meus jogadores. O que eles fizeram deve ser escrito na história, porque o país anfitrião nos tratou de forma muito injusta", afirmou Ghalenoei após a partida com o Egito na madrugada de hoje. O treinador também fez um apelo à Fifa para que "não permita que os anfitriões tratem jogadores e equipes da mesma forma nas futuras Copas do Mundo".
A preparação do Irã foi alterada antes mesmo do início da competição. A seleção precisou transferir sua base de treinamentos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México. Nos dois primeiros compromissos, em Los Angeles, a delegação recebeu autorização para entrar nos Estados Unidos apenas 24 horas antes das partidas e teve de deixar o país logo após os jogos, em razão das regras de seus vistos.
Na terceira rodada, diante do Egito, em Seattle, nos EUA, as restrições foram parcialmente flexibilizadas, permitindo que a equipe chegasse dois dias antes do confronto. Ainda assim, o grupo precisou retornar a Tijuana após a partida.
As dificuldades logísticas também foram alvo de críticas do capitão Mehdi Taremi, que classificou a situação como um "desastre logístico". Segundo o atacante, o problema não era a cidade mexicana, mas a obrigação de cruzar repetidamente a fronteira durante uma competição de alto nível.
Um levantamento do portal ge, da TV Globo, mostrou que as restrições impostas pelos Estados Unidos afetaram a rotina da seleção iraniana e aumentaram o desgaste da preparação. Apesar disso, os números não indicam que o Irã tenha percorrido a maior distância entre os integrantes do Grupo G.
A equipe iraniana somou cerca de 2.536 quilômetros em deslocamentos durante a primeira fase, abaixo dos 6.073 quilômetros percorridos pela Nova Zelândia e dos 3.380 quilômetros da Bélgica. O diferencial esteve menos na distância e mais nas limitações para cruzar a fronteira entre México e Estados Unidos, além da necessidade de deixar o território americano imediatamente após algumas partidas.
Até mesmo o Egito enfrentou restrições semelhantes. A seleção africana precisou deixar Seattle após um jogo e retornar à sua base em Spokane antes de voltar à cidade para disputar a rodada seguinte.
A insatisfação iraniana aumentou depois do empate com o Egito. Nos acréscimos, Shoja Khalilzadeh chegou a marcar o gol que garantiria a classificação às oitavas de final, mas o lance foi anulado por impedimento após revisão do VAR.
Após a partida, Ghalenoei afirmou que, além das dificuldades enfrentadas fora de campo, a equipe também teve azar durante a competição. "Eu costumava pensar que éramos uma equipe totalmente oprimida, mas depois desses três jogos percebi que também tivemos azar", declarou.
A delegação também voltou a usar o vestiário para enviar uma mensagem simbólica. Em uma carta deixada em Seattle, os jogadores agradeceram a hospitalidade da cidade e defenderam que "a honra está acima da vitória", afirmando que o fair play representa "a alma do futebol".
As críticas contrastam com o posicionamento da Fifa. Antes do início da Copa, o presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que a organização havia trabalhado para garantir a presença do Irã no torneio, apesar das circunstâncias políticas envolvendo o país.
Mesmo invicto, com três empates, o Irã terminou a fase de grupos dependendo dos resultados das demais chaves para saber se avançará às oitavas de final entre os melhores terceiros colocados.
(*) Com informações da BBC, ge e ESPM