Pasandideh afirmou que a seleção iraniana busca transmitir uma mensagem de paz durante sua participação no Mundial ((Foto: Patrick T. Fallon / AFP))
Repórter de ESG
Publicado em 21 de junho de 2026 às 16h15.
O embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou neste domingo, 21, que as restrições impostas pelos Estados Unidos à seleção iraniana durante a Copa do Mundo violam as normas da Fifa e prejudicam o desempenho da equipe no torneio.
Em entrevista à Agência EFE na sede diplomática iraniana na Cidade do México, o diplomata criticou as condições de deslocamento e hospedagem impostas à delegação em meio às tensões políticas entre Teerã e Washington.
“Nossos jogadores têm que viajar um dia antes e voltar logo após a partida, não têm muito tempo para poder descansar bem e se recuperar”, disse Pasandideh.
Segundo ele, as medidas adotadas pelas autoridades americanas representam “atitudes totalmente negativas” e acabam misturando disputas políticas com o ambiente esportivo.
Sem autorização para se hospedar e treinar em território americano durante a competição, a seleção iraniana estabeleceu sua base em Tijuana, cidade mexicana localizada na fronteira com os Estados Unidos.
De acordo com o embaixador, a solução foi construída em coordenação entre a Fifa e o governo do México.
Pasandideh afirmou que a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, demonstrou disposição para apoiar a equipe desde a divulgação do calendário da Copa. Segundo ele, a permanência da seleção no torneio dependeu diretamente dessa alternativa logística.
“Se o México não tivesse aceitado acolher a equipe iraniana, eles não teriam disputado esta Copa do Mundo”, afirmou.
O diplomata explicou que a federação iraniana e a Embaixada da Suíça em Teerã, responsável por representar os interesses americanos no Irã devido à ausência de relações diplomáticas formais entre os dois países, apresentaram pedidos às autoridades dos Estados Unidos para flexibilizar as regras aplicadas à delegação.
Segundo ele, as solicitações não tiveram resposta positiva. “Até agora não houve resultado e eu não acredito que isso vá mudar”, declarou.
As reclamações ganharam força após a estreia da seleção contra a Nova Zelândia. A federação iraniana apresentou uma queixa formal à Fifa em razão das dificuldades relacionadas ao visto de entrada única do jogador Mehdi Torabi e à impossibilidade de viajar para Los Angeles com dois dias de antecedência para a partida contra a Bélgica.
Segundo o governo iraniano, a situação obrigou a delegação a realizar deslocamentos mais curtos e apertados a partir da fronteira mexicana.
Pasandideh afirmou que a seleção iraniana busca transmitir uma mensagem de paz durante sua participação no Mundial e criticou a influência das disputas geopolíticas sobre a competição.
“A mensagem que a nossa seleção está nos transmitindo é que somos um país e somos uma equipe que busca a paz, e para nós o esporte é algo à parte da política”, disse.
O diplomata também agradeceu o apoio recebido de governos e instituições que, segundo ele, colaboraram para viabilizar a participação iraniana na Copa do Mundo apesar das restrições enfrentadas pela delegação.