Santiago Bernabéu: estádio pertence ao Real Madrid (Reprodução/Bernabéu)
Colaboradora
Publicado em 19 de agosto de 2026 às 20h43.
O futebol europeu volta a ocupar espaço nos fins de semana, mas a nova temporada começa sob uma condição pouco habitual: o calor se tornou um dos adversários que clubes, ligas e jogadores terão de enfrentar. A combinação de temperaturas recordes, seca prolongada e incêndios que atingiram diferentes regiões do continente já interfere até em uma questão aparentemente básica do esporte, a manutenção dos gramados.
Na Europa Ocidental, que reúne países como Inglaterra, França e Espanha, junho e julho registraram as maiores temperaturas médias para o período desde o início das medições, segundo dados do Observatório Climático da União Europeia. E o continente atravessa, desde maio, a quinta onda de calor do ano.
O cenário coincide com a retomada das principais competições. A Premier League começa nesta sexta-feira, 21, enquanto a Ligue 1 também inicia sua temporada. A LaLiga já teve partidas da primeira rodada, embora Barcelona e Real Madrid façam suas estreias apenas neste fim de semana. Na Itália, a Serie A retorna no domingo. Na Alemanha, a Bundesliga começa no dia 28.
O impacto mais evidente aparece na Inglaterra. Mais de 70% do território inglês estava sob algum nível de seca na semana passada, enquanto aproximadamente 27 milhões de pessoas enfrentavam restrições relacionadas ao consumo de água. Julho também terminou como o mês mais seco no país em 190 anos, com algumas áreas registrando apenas 1% da chuva normalmente esperada, segundo o ge.
No futebol amador, as consequências já são concretas. A Anglian Combination League, competição que reúne 85 equipes, adiou o começo da temporada em duas semanas diante das condições dos campos. Sem chuva, os gramados ficaram excessivamente secos e compactados, aumentando o risco de lesões.
A própria Federação Inglesa de Futebol publicou orientações para clubes, competições e árbitros sobre como avaliar a segurança das superfícies de jogo. A entidade, entretanto, não determinou uma paralisação geral das partidas realizadas em gramados afetados pela estiagem.
Na Premier League, a situação é diferente. Os clubes da principal divisão inglesa possuem estrutura e recursos financeiros para buscar alternativas e preservar os campos, mesmo diante das restrições.
Segundo a liga, as regras para utilização de água variam de acordo com a região e não atingem todos os clubes da mesma maneira. Em partidas disputadas com temperatura de 30°C ou mais no início do jogo, o árbitro também pode determinar uma pausa para hidratação.
Na França, a preocupação também chegou à elite do futebol. A Liga Francesa de Futebol Profissional firmou uma parceria com o laboratório IAGE para acompanhar as condições dos gramados e identificar problemas provocados pelo clima, incluindo o surgimento de fungos e outras doenças.
O período sem partidas e grandes eventos costuma ser utilizado pelos clubes para recuperar os campos dos estádios e dos centros de treinamento. Neste ano, porém, alguns deles foram afetados por patógenos, aumentando a necessidade de acompanhamento especializado.
O problema não está restrito à França e à Inglaterra. Na Holanda, limitações à irrigação também afetaram equipes das divisões inferiores. A federação nacional enviou orientações aos clubes sobre como proceder caso a qualidade dos campos comprometa a realização das partidas, incluindo a possibilidade de cancelamento.
Algumas equipes já investem em soluções próprias para reduzir a dependência do abastecimento convencional. Um exemplo é o Manchester City, que anunciou no fim do ano passado que os 16 campos de seu centro de treinamento passaram a utilizar exclusivamente água da chuva para irrigação.