Lucas Paquetá: jogador puxa gastos e leva Flamengo à maior janela da história (Divulgação)
Redatora
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 14h50.
Flamengo e Lanús iniciam nesta quinta-feira, 19, a decisão da Recopa Sul-Americana, torneio que reúne os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana de 2025. O primeiro jogo será no estádio La Fortaleza, em Buenos Aires, com a partida de volta marcada para a próxima semana, no Maracanã.
Além do peso esportivo do confronto, um dado chama atenção antes da bola rolar: a diferença entre os valores de mercado dos elencos. Segundo o site Transfermarkt, o grupo de jogadores do Lanús em 2026 é avaliado em 43,6 milhões de euros (cerca de R$ 271 milhões), praticamente o mesmo valor atribuído ao meia Lucas Paquetá, estimado em 42 milhões de euros (aproximadamente R$ 263 milhões).
Já o Flamengo aparece como o elenco mais valioso das Américas, com avaliação de 223,8 milhões de euros (cerca de R$ 1,3 bilhão).
No Lanús, o atleta com maior valor de mercado é o meia Marcelino Moreno, avaliado em 5,1 milhões de euros (cerca de R$ 30,9 milhões). Ele também foi a contratação mais cara da história do clube argentino, comprado por 2,7 milhões de euros (aproximadamente R$ 17 milhões) junto ao Coritiba.
A disparidade entre Flamengo e Lanús reflete um cenário mais amplo no futebol sul-americano: o crescimento da diferença financeira entre clubes brasileiros e argentinos. Especialistas apontam que o movimento está ligado a mudanças no modelo de gestão, ao aumento de receitas no Brasil e à queda do poder econômico do futebol argentino nos últimos anos.
Para Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia durante o processo de SAF do clube e atual CEO da Squadra Sports, o domínio brasileiro recente está conectado a uma combinação de fatores, como maior público, avanço em patrocínios e evolução na negociação de direitos.
Já o especialista em finanças do esporte Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados, afirma que o contraste vai além de um clube específico e representa a distância entre dois mercados. Segundo o executivo, o Brasil opera em outro patamar de investimento por conta do tamanho do mercado interno, do potencial de receitas e da entrada de novos modelos, como a SAF.
A diferença aparece também nos valores de patrocínio. O Flamengo, atual campeão da Libertadores, tem contratos que superam R$ 260 milhões por ano (cerca de US$ 50 milhões). Já o Lanús, de acordo com estimativas citadas por especialistas do setor, opera com valores em torno de R$ 12 milhões anuais (aproximadamente US$ 2,3 milhões).
Para Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, a crise econômica argentina teve impacto direto no futebol do país e reduziu a capacidade de investimento dos clubes, o que contribuiu para ampliar a distância em relação ao Brasil.
Outro fator apontado como decisivo está nas premiações. No Brasil, o campeão do Brasileirão pode receber até R$ 60 milhões, enquanto a Copa do Brasil distribui valores entre R$ 95 milhões e R$ 100 milhões ao vencedor.
Na Argentina, o campeão nacional recebe cerca de US$ 500 mil (aproximadamente R$ 2,8 milhões), e o vencedor da Copa Argentina fica com cerca de US$ 170 mil (em torno de R$ 920 mil).
Para o advogado especializado em direito desportivo Cristiano Caús, a distância entre os valores pagos no Brasil e na Argentina é um dos principais elementos que explicam a diferença de competitividade entre as ligas.
O educador financeiro Fernando Lamounier, diretor da Multimarcas Consórcios, também avalia que o contraste está ligado ao tamanho do mercado, ao modelo de governança e ao nível de monetização das competições em cada país. Segundo Lamounier, torneios brasileiros com maior aporte financeiro criam um ambiente mais atrativo para investidores e ajudam a sustentar elencos mais caros.
Nos últimos anos, o cenário também se traduziu em resultados. O Brasil igualou a Argentina em número de títulos na Libertadores e, desde 2019, apenas clubes brasileiros conquistaram a competição, com participação argentina em finais se tornando cada vez mais rara.