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De barrado nos EUA a protagonista na Europa: árbitro somali apita Supercopa da Uefa

Aos 34 anos, Omar Artan comandará PSG x Aston Villa nesta quarta-feira, em Salzburgo

Omar Artan: árbitro somali ganhou notoriedade no último ano ((Photo by KENZO TRIBOUILLARD / AFP))

Omar Artan: árbitro somali ganhou notoriedade no último ano ((Photo by KENZO TRIBOUILLARD / AFP))

Gabriella Brizotti
Gabriella Brizotti

Colaboradora

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 11h30.

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Omar Artan vai transformar uma partida entre Paris Saint-Germain e Aston Villa em um momento histórico para a arbitragem. Nesta quarta-feira, 12, o somali de 34 anos será o responsável por apitar a Supercopa da Uefa, em Salzburgo, na Áustria, e se tornará o primeiro árbitro não europeu a comandar a decisão.

A escolha representa mais um passo na trajetória de Artan, que nos últimos anos passou a ocupar um espaço de destaque no futebol africano. Agora, ele terá a missão de conduzir o duelo entre o atual campeão da Champions League e o vencedor da Europa League.

Acordo entre Uefa e CAF abre caminho para Artan

A presença do árbitro somali na decisão europeia está relacionada a um acordo de cooperação firmado neste ano entre a Uefa e a Confederação Africana de Futebol (CAF).

A iniciativa prevê uma aproximação maior entre as duas entidades, inclusive com intercâmbio de profissionais. A escalação de Artan para a Supercopa é um dos primeiros grandes resultados dessa parceria.

“É uma grande honra para Omar Artan e para os árbitros africanos”, afirmou Patrice Motsepe, presidente da CAF, em declaração divulgada pela Uefa.

A oportunidade também coroa uma ascensão rápida. Artan entrou para a lista internacional de árbitros da Fifa em 2018 e, seis anos depois, tornou-se o primeiro somali a trabalhar em uma edição da Copa Africana de Nações.

Antes disso, já havia comandado uma final da Liga dos Campeões da CAF e recebeu da entidade o prêmio de Árbitro Africano do Ano.

Árbitro viveu frustração antes da nova oportunidade

A história de Artan ganhou um capítulo especialmente difícil pouco antes da Supercopa. Selecionado para trabalhar na Copa do Mundo de 2026, ele não conseguiu participar do torneio depois de ter a entrada nos Estados Unidos negada pela autoridade de Alfândega e Proteção de Fronteiras, mesmo possuindo um visto válido.

Segundo um funcionário do governo americano, a decisão estaria relacionada a supostas ligações com pessoas suspeitas de integrar organizações terroristas.

O episódio ocorreu em meio ao endurecimento das políticas migratórias do governo de Donald Trump. A Somália estava entre os países atingidos pelas restrições de entrada impostas pelos Estados Unidos.

Artan falou posteriormente sobre a frustração de perder a oportunidade de trabalhar no Mundial.

“Foi um período muito difícil. Muitas pessoas tiveram empatia comigo, porque, quando alguém trabalha por muitos anos para fazer algo e, de repente, não pode realizar aquilo, é muito difícil”, afirmou o árbitro da Uefa.

Pouco depois de ficar fora da Copa, Artan recebeu uma oportunidade que também não tem precedentes. Ao apitar PSG x Aston Villa, ele será o primeiro árbitro de fora da Europa a comandar uma Supercopa da Uefa.

Para Artan, a trajetória até aqui serve também como mensagem para outros profissionais que buscam espaço no futebol internacional.

“Acredito que, se eu conseguir, qualquer pessoa pode conseguir. Nunca parem de sonhar”, afirmou o árbitro somali.

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