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Tokenização imobiliária no Brasil já movimenta R$ 20 bilhões e mira R$ 320 bilhões até 2030

País se torna um dos mais relevantes para o registro em blockchain de propriedades

Tokenização imobiliária

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Cointelegraph
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Agência de notícias

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 18h01.

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Comprar uma fração de um imóvel pelo celular, sem passar por cartório e com um investimento a partir de poucas centenas de reais: essa promessa vem ganhando corpo no Brasil, onde a tokenização imobiliária já movimentou cerca de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas, com aproximadamente 450 incorporadoras operando esse modelo.

Levantamento da ABToken mostra que o modelo, que representa digitalmente a fração ou a integralidade de um imóvel por meio de um token em blockchain, já movimentou cerca de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) no Brasil, com aproximadamente 450 incorporadoras utilizando algum formato de tokenização em seus empreendimentos.

O relatório “Panorama Estratégico e Regulatório da Tokenização Imobiliária”, elaborado pela ABToken, detalha a expansão do setor no Brasil. De acordo com o documento, a tokenização já mobilizou cerca de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), com aproximadamente 450 incorporadoras operando nesse mercado.

Em 2024, as ofertas tokenizadas formalmente reguladas somaram R$ 1,3 bilhão, patamar que está em revisão pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Já o volume de ativos do mundo real (RWA) superou R$ 1,5 bilhão somente em janeiro de 2026, o que representa um crescimento superior a 1.100% em um ano, segundo dados da RWA Monitor.

A base de investidores também avançou. O país contabiliza cerca de 30 mil carteiras digitais abertas, das quais 9 mil já foram reportadas à Receita Federal, conforme informações da Propriedade Digital.

Apesar do crescimento, a liquidez continua sendo um dos principais desafios do setor. O estoque de imóveis tokenizados em circulação no mercado secundário permanece entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões, valor ainda modesto diante do volume total mobilizado pela tokenização imobiliária.

Brasil x Europa: protagonismo com regulação em construção

No comparativo global, o Brasil aparece como protagonista: o mercado mundial de tokenização imobiliária foi avaliado entre US$ 3,7 bilhões e US$ 3,8 bilhões em 2025, e o país é citado pela ABToken como referência em inovação regulatória, à frente de mercados tradicionalmente mais maduros em ativos digitais.

A Europa avança sob um regime único, o MiCA (Markets in Crypto-Assets Regulation), com implementação faseada concluída em 2025 e transição para empresas não autorizadas se encerrando em julho de 2026. É a principal vantagem do bloco sobre o Brasil, que ainda opera com regulação fragmentada e pendente de lei específica sobre registro tokenizado. Em contrapartida, o MiCA limita formatos de geração de renda passiva via token, o que tende a frear a inovação em produtos de rendimento se comparado aos modelos híbridos do mercado brasileiro.

A visão do setor sobre o marco legal

Lideranças têm defendido que seja adotada uma política clara para a tokenização imobiliária no Brasil, independentemente das mudanças que o PL 4438/2025 ainda venha a sofrer em sua tramitação no Senado.

“É fundamental que o texto final garanta transparência ao mercado, segurança jurídica tanto para compradores quanto para incorporadores, e que preserve o direito de propriedade de todos os envolvidos na operação. Um ponto central do projeto que considero uma inovação fantástica é a integração dos tokens imobiliários ao Sistema Nacional de Registro de Imóveis, o que garante rastreabilidade real sobre a origem e a titularidade de cada imóvel tokenizado", afirma Heitor Kuser, CEO e idealizador do CIMI360.

O Fórum Internacional de Tokenização Imobiliária (FITI), dentro do CIMI360, reúne especialistas para discutir liquidez e regulação, nos dias 27 e 28 de agosto, no Rio de Janeiro.

No radar do congresso também está a projeção de médio prazo: a parcela brasileira do segmento de tokenização é estimada em R$ 320 bilhões até 2030, dentro de um mercado global que pode chegar a US$ 4 trilhões no mesmo horizonte.

A digitalização de ativos imobiliários é tema de um dos quatro fóruns temáticos do congresso, ao lado de Imóveis Públicos, Distressed Asset e Consórcios. Cada um trata de uma fatia distinta do mesmo problema: como destravar patrimônio parado e transformá-lo em movimento econômico, seja ele físico ou digital.

O país já provou que consegue originar volume em tokenização. "Agora o desafio é construir liquidez, proteção ao investidor e um marco legal à altura do que o mercado já movimenta", destaca Kuser.

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