(Imagem gerada por IA/EXAME)
Repórter
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 15h24.
A inteligência artificial amplia de forma acelerada sua presença na indústria esportiva e deixa de atuar apenas na análise de dados e desempenho. A tecnologia passa a ocupar novas funções dentro e fora dos gramados, com aplicações voltadas à formação de atletas, avaliação de talentos, produção de conteúdo, relacionamento com torcedores e diferentes áreas da operação de clubes e empresas do setor.
O avanço acompanha a capacidade cada vez maior de transformar dados, imagens e movimentos em informações estratégicas para o esporte. Recursos como visão computacional, inteligência artificial generativa e automação começam a integrar processos que, até pouco tempo atrás, eram realizados exclusivamente de forma presencial ou manual.
Uma das novas frentes está na forma como a informação chega aos torcedores. Durante a Copa do Mundo de 2026, o Flashscore, um dos principais aplicativos de resultados e notícias esportivas do mundo, utilizou a AILA, apresentadora virtual multilíngue desenvolvida para converter estatísticas e dados esportivos em conteúdo audiovisual.
A personagem comandou o projeto Route 48, série de perfis de jogadores produzida a partir de dados em português do Brasil e espanhol, além de participar de campanhas na América Latina, Espanha e França. A tecnologia permite que uma mesma apresentadora seja utilizada para transformar informações esportivas em conteúdos adaptados a diferentes idiomas e mercados.
“Já contávamos com uma redação global impulsionada por IA para escalar nossas notícias esportivas em 31 países. A AILA abriu um espaço completamente novo e trouxe novas possibilidades para ampliar ainda mais a produção de conteúdo”, afirma Alan Záruba, Chief Digital Content Officer da Livesport.
A apresentadora combina características humanas e inteligência artificial generativa. Seus movimentos, gestos, expressões e atuação diante das câmeras foram captados a partir de uma atriz real, enquanto seu rosto foi criado de forma totalmente sintética, sem reproduzir a aparência de qualquer pessoa identificável.
Após a experiência durante o Mundial, a AILA passou a integrar de forma permanente a estratégia de conteúdo da plataforma, que atualmente publica notícias em 13 idiomas, está presente em 31 mercados e alcança mais de 20 milhões de usuários por mês.
A inteligência artificial também ganha espaço na relação entre clubes e torcedores. A Somos Young, empresa brasileira especializada em tecnologia para relacionamento entre organizações e seus públicos, desenvolve soluções que combinam IA, dados, CRM, automação e atendimento digital em diferentes etapas da jornada do consumidor.
No futebol, a companhia acumula projetos realizados com clubes como Corinthians, Cruzeiro, Vasco, Grêmio e Vitória. A tecnologia é utilizada para ampliar a capacidade de atendimento, compreender melhor o perfil dos torcedores e personalizar as interações, criando oportunidades de engajamento, fidelização e geração de receitas.
“Acreditamos no potencial da inteligência artificial para transformar e otimizar as relações entre cliente e marca, tornando cada interação mais ágil, personalizada e estratégica. A tecnologia permite compreender melhor os públicos, antecipar demandas e criar experiências mais relevantes ao longo de toda a jornada. No futebol, isso significa não apenas ampliar a capacidade de atendimento, mas também fortalecer a relação identitária entre clube e torcedor, além de oportunizar novas fontes de geração de receita”, destaca Henrique Borges, vice-presidente da Somos Young.
Outra frente de aplicação da tecnologia está dentro das quatro linhas, especialmente nos processos de formação e identificação de talentos. O CUJU utiliza inteligência artificial e visão computacional para permitir que jovens atletas realizem exercícios de futebol usando apenas um celular, criando uma alternativa para quem está distante de grandes clubes, centros de treinamento ou avaliações presenciais.
A plataforma reúne oito atividades voltadas à análise de fundamentos técnicos e capacidades físicas. Durante os exercícios, a câmera do celular registra os movimentos executados pelos jogadores e, por meio de visão computacional, a tecnologia identifica, mede e avalia cada ação. Os resultados são processados e permitem comparações entre diferentes atletas.
Além da inovação tecnológica, o modelo busca democratizar o acesso às oportunidades no futebol. Em um ambiente historicamente marcado por peneiras presenciais, indicações e observação direta, a possibilidade de demonstrar habilidades remotamente amplia o número de jogadores que podem ser observados por clubes e profissionais da área.
“A tecnologia não substitui o olhar de treinadores e observadores, mas pode ampliar o alcance desse processo. Um jovem que está distante dos grandes centros muitas vezes tem poucas oportunidades de mostrar seu potencial. Com a inteligência artificial, conseguimos criar uma primeira ponte entre esses atletas e o futebol profissional”, afirma Vinícius Las Casas, gestor de marketing do CUJU no Brasil.