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O MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, é o palco da final da Copa do Mundo e foi encontrado sob efeito da fumaça nos últimos dias (AFP)
Repórter de ESG
Publicado em 18 de julho de 2026 às 15h33.
Última atualização em 18 de julho de 2026 às 17h12.
A fumaça densa que cobriu boa parte do Nordeste dos Estados Unidos nas últimas semanas deve dar uma trégua na hora da final da Copa do Mundo disputada pela Argentina e Espanha no domingo, 19.
Segundo meteorologistas ouvidos pelo portal Independent, uma frente de tempestade prevista para passar por Nova Jersey neste fim de semana deve varrer o ar poluído da região de East Rutherford, no condado de Bergen, onde fica o New Jersey Stadium, palco da partida.
A previsão é de que a chuva forte deve dispersar a camada mais densa de fumaça antes do apito inicial, deixando o céu apenas levemente enevoado.
O índice de qualidade do ar da região, que neste sábado ainda era considerado insalubre, deve passar para a faixa "moderada" até amanhã e pode chegar a um patamar que representa pouco ou nenhum risco à saúde do público em geral.
A melhora, no entanto, "tem um preço". Mais cedo, o mesmo sistema de tempestades que deve limpar o ar interrompeu o treino da seleção espanhola em campo próximo ao estádio, em meio a raios e ventos fortes.
A governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill, chegou a alertar a população sobre risco de tornados, enchentes repentinas e granizo. Já a FIFA informou que segue monitorando os impactos tanto da fumaça quanto das tempestades sobre as condições do gramado.
Enquanto o ar melhora no entorno da cidade, o problema que gerou a fumaça está longe de acabar. O Canadá enfrenta atualmente 858 incêndios florestais ativos, segundo o Centro Interagências Canadense de Incêndios Florestais, com cerca de 200 concentrados na província de Ontário.
Nos Estados Unidos, Minnesota soma 17 focos ativos e já decretou emergência estadual para reforçar o combate às chamas.
Não é a primeira vez que o verão canadense traz fumaça para o outro lado da fronteira, mas os especialistas apontam que o número de focos aumentou de forma expressiva nas últimas semanas.
O cenário dramático é agravado pelas mudanças climáticas e combina dois fatores: temperaturas acima da média persistindo desde o fim de junho e chuvas abaixo do esperado em Ontário. Um "domo de calor", sistema de alta pressão que aprisiona o ar quente sobre a região, tem piorado ainda mais o quadro de propagação do fogo.
O resultado é um ciclo que a ciência e o clima já vêm descrevendo há anos: incêndios mais longos, mais intensos e mais frequentes, à medida que o aquecimento global eleva os termômetros e altera padrões de chuva.
Nesta semana, cerca de 109 milhões de pessoas no Centro-Oeste, Meio-Atlântico e Nordeste dos EUA conviveram com ar poluído, em um dos episódios mais amplos de fumaça de incêndios já registrados na região e com uma série de riscos à saúde.
Na sexta-feira, o presidente Donald Trump chegou a ameaçar a imposição de tarifas adicionais ao Canadá como forma de cobrar pelos prejuízos climáticos.
O problema, aliás, não deve parar no continente americano. Segundo projeções do Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS), serviço europeu de monitoramento da atmosfera, a fumaça deve continuar avançando pelo Atlântico Norte e pode chegar à Europa nos próximos dias.
"Nossas previsões mostram que a fumaça continuará se deslocando para o leste [...] destacando a escala da poluição causada pelos incêndios florestais e como ela pode viajar milhares de quilômetros além das áreas atingidas pelo fogo", afirma Mark Parrington, cientista sênior do CAMS.
A instabilidade climática também não deu trégua na véspera da decisão. Neste sábado, uma forte chuva voltou a atingir Nova York, reacendendo as preocupações com uma possível interrupção da final.
Nos EUA, partidas em estádios abertos seguem um protocolo rígido de segurança: quando um raio é registrado a até 13 quilômetros do local, o jogo é suspenso automaticamente, e só pode ser retomado após 30 minutos sem novas ocorrências.
Para domingo, a previsão aponta 45% de chance de chuva em Nova Jersey, o que mantém a decisão em alerta.
Já a fumaça mais densa dos incêndios não deve desaparecer: ela deve apenas migrar, concentrando-se sobre partes do Centro-Oeste e da região dos Grandes Lagos, mais perto da origem das chamas.