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Crise ambiental afeta a rotina de milhões de pessoas, provoca alertas de saúde e mobiliza centenas de equipes no combate às chamas (AFP/AFP)
Repórter de ESG
Publicado em 17 de julho de 2026 às 10h49.
Enquanto mais de 800 focos de incêndios florestais eram registrados no Canadá nesta quinta-feira, 16, moradores de Ontário mudavam sua rotina para evitar os efeitos do ar.
Por conta dos níveis perigosos da qualidade do ar e da névoa cinza que cobriu os céus, os canadenses evitam passar por parques, praias e piscinas, apesar do calor do verão.
Os carros foram obrigados a diminuir a velocidade, já que a visibilidade no volante também caiu. Ao todo, mais de 150 equipes e quase 50 aeronaves foram deslocadas para combater as chamas, em um esforço descrito pelo prêmier de Ontário, Doug Ford Jr., como um "trabalho ininterrupto".
O efeito não ficou só no Canadá: áreas do Centro-Oeste e Nordeste dos Estados Unidos também foram cobertas pelos efeitos das queimadas, problema também para a qualidade do ar em Chicago, Cleveland, Detroit e Minneapolis.
Em Washington, Filadélfia e Nova York, a quinta-feira foi marcada por uma leve melhora na qualidade do ar, mas a situação ainda foi descrita como "insalubre, cinzenta e com cheio de fogueira" por locais.
Na quarta-feira, 15, a crise gerada pelas queimadas no Canadá gerou um efeito assustador a Toronto. A cidade canadense ocupou o primeiro lugar no ranking de pior qualidade do ar entre as grandes metrópoles mundiais.
A informação é a IQAir, empresa suíça que monitora a poluição do ar em tempo real ao redor do planeta e avalia os possíveis riscos a partir da exposição.
Em alguns momentos, Toronto superou cidades historicamente poluídas, como Nova Délhi, na Índia, e Kinshasa, na República Democrática do Congo.
A mesma situação chegou ao Centro-Oeste dos Estados Unidos nesta quinta-feira. A medição classifica qualquer valor acima de 150 como "insalubre", e maior que 300 como "perigoso". A avaliação dada a Michigan foi de 785, e para Ohio, de 775, mais que o dobro do limite medido. Em Milwaukee, o índice da qualidade de ar foi de 460.
A recomendação das autoridades locais foi que a população evitasse atividades físicas ao ar livre e que mantivesse janelas e portas fechadas, para evitar a entrada do ar poluído.
Além da problemática ambiental, a fumaça dos incêndios florestais também gera impactos na saúde dos moradores. As partículas podem agravar sintomas de doenças respiratórias, como asma. Pessoas com doenças crônicas, como diabetes e doenças cardíacas, também podem ser mais impactadas, além de crianças e gestantes.
Na saúde respiratória, os efeitos são quase imediatos: tosse, chiado no peito, irritação na garganta, sinusite são alguns dos mais recorrentes, mas que costumam acompanhar sintomas como dor de cabeça, ardência nos olhos, dor no peito, palpitações e fadiga.
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, afirmou que o estado vai distribuir mais de 100 mil máscaras, que seriam alocadas em estações de transporte como Penn Station e Grand Central Terminal, em Manhattan. Na cidade de Nova York, os níveis de qualidade do ar ultrapassaram 150, obrigando a prefeitura a distribuir máscaras em bibliotecas públicas.
Cidades como Chicago e Lakewood fecharam praias e piscinas e remarcaram eventos públicos, como shows e partidas esportivas.
"Está terrível aqui hoje, e dá para perceber que está um pouco difícil para respirar", conta Terry Pieh, de 71 anos, em entrevista ao New York Times. Ele conseguiu dar um mergulho antes do fechamento das piscinas. "Os salva-vidas aceitam pedidos de músicas quando mergulhamos pela manhã. Eu pedi 'Smoke on the Water' (em tradução livre, Fumaça na Água)", conta.