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Programa conecta a rotina da maternidade à proteção de nascentes e à recomposição da vegetação
Repórter de ESG
Publicado em 18 de julho de 2026 às 08h00.
Cada bebê que nasce na maternidade do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, passa a ser associado ao plantio de uma árvore nativa em uma área de recuperação ambiental do Rio Grande do Sul.
Em três anos, o projeto Certidão da Vida chegou à marca de 11 mil mudas plantadas. Os dados foram divulgados com exclusividade para a EXAME.
Segundo os dados divulgados pela instituição, o plantio ocupa aproximadamente 66 mil metros quadrados de áreas degradadas e tem potencial estimado para capturar cerca de 1,8 mil toneladas de carbono. A iniciativa também busca ampliar a cobertura vegetal, proteger nascentes e fortalecer a biodiversidade local.
O projeto foi criado em um contexto de avanço da perda de vegetação no país. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil de 2025, produzido pelo MapBiomas, quase 1 milhão de hectares foram desmatados no último ano analisado.
A proposta do hospital é usar um momento da rotina da maternidade para aproximar as famílias da pauta ambiental. Ao receber alta, os responsáveis pelo recém-nascido levam um certificado que representa a árvore vinculada ao nascimento da criança.
“Queríamos criar uma iniciativa que deixasse um legado. Ao conectar o nascimento de uma criança ao plantio de uma árvore, reforçamos a ideia de que todos somos responsáveis pelo mundo que deixaremos para as futuras gerações”, afirma Rogério Almeida, coordenador de Meio Ambiente do Hospital Moinhos de Vento e idealizador do projeto.
A ação tem apoio da MV, empresa de tecnologia voltada ao setor de saúde. A participação da companhia insere o projeto em uma discussão mais ampla sobre o papel da tecnologia na estratégia ambiental dos hospitais.
A digitalização de prontuários e processos administrativos, por exemplo, pode reduzir o uso de papel e ampliar a rastreabilidade de informações, embora os resultados específicos dessas medidas no Moinhos de Vento não tenham sido apresentados.
Para Paulo Magnus, fundador e CEO da MV, as agendas de tecnologia e sustentabilidade passaram a ocupar o mesmo espaço nas decisões do setor. “Quando uma instituição evolui digitalmente, ela não apenas melhora a experiência dos pacientes e a eficiência dos profissionais, mas também reduz desperdícios, otimiza recursos e amplia sua capacidade de gerar impacto positivo para a sociedade”, afirma.
A aproximação entre assistência médica e questões ambientais também reflete o avanço das práticas ESG, sigla para critérios ambientais, sociais e de governança, entre instituições de saúde. Nesse setor, a discussão inclui desde o consumo de recursos e a geração de resíduos até a relação entre mudanças ambientais e qualidade de vida.
Fundado em 1927, o Hospital Moinhos de Vento integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde. A instituição também possui acreditação da Joint Commission International, organização internacional de avaliação de padrões de qualidade e segurança hospitalar.
No caso do Certidão da Vida, o próximo desafio será acompanhar a manutenção das áreas restauradas e a sobrevivência das mudas ao longo do tempo. Esses indicadores são necessários para medir se o volume de árvores plantadas será convertido, de fato, em recuperação permanente da vegetação.