O jovem Djhordney em ação com a camisa do São Paulo; compra do jogador é motivo de nova dívida para o clube.
Redator na Exame
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 19h52.
RESUMO | O São Paulo tem até a próxima segunda-feira para quitar ou renegociar uma dívida com o Novorizontino referente à contratação do jogador Djhordney, sob o risco de sofrer o primeiro transfer ban da história imposto pela agência brasileira de fair play financeiro (Anresf).
O São Paulo vive dias de intensa movimentação nos bastidores para evitar uma punição inédita no cenário nacional. De acordo com reportagem publicada pelo ge, o clube do Morumbi tem apenas cinco dias — com prazo final encerrando-se na próxima segunda-feira, 28, — para evitar o primeiro transfer ban aplicado pela agência brasileira responsável por fiscalizar o cumprimento das regras de fair play financeiro (Anresf). A sanção decorre de uma pendência financeira com o Novorizontino relacionada à contratação do atleta Djhordney.
O acordo original previa o pagamento em cinco parcelas de R$ 200 mil, que acabaram não sendo honradas. Como o contrato estipulava a cobrança integral da dívida em caso de atraso, o caso escalou. Em agosto, a agência advertiu o Tricolor e estipulou um prazo de 45 dias para a regularização. A disputa enquadra-se nas regras de transição da Anresf, que penaliza obrigações contraídas entre clubes após a publicação do regulamento em janeiro. Para escapar da punição automática, a diretoria são-paulina precisa oficializar um novo acordo de pagamento que conte com a anuência do clube do interior.
Embora a punição não traga prejuízos esportivos imediatos na prática — visto que a janela nacional de registros de novos atletas encontra-se fechada —, a diretoria trabalha com cautela para resolver o impasse e evitar um novo abalo institucional. O São Paulo negocia um novo parcelamento dividido em três prestações até o final da temporada. Segundo o ge, embora as conversas sejam consideradas avançadas e haja otimismo mútuo, a cautela impera na cúpula tricolor devido a tratativas anteriores que acabaram desfeitas de última hora pelo Novorizontino.
Para normalizar o fluxo de caixa e equacionar suas obrigações, o clube aguarda a votação de um contrato com a Ticketmaster pelo Conselho Deliberativo no próximo dia 29, que prevê um adiantamento de R$ 110 milhões na gestão de ingressos do Morumbis, além de outros R$ 30 milhões na assinatura. Vale lembrar que esta seria a segunda vez no ano que o clube lida com a ameaça de restrições de mercado, após quitar em agosto uma dívida de R$ 6,2 milhões com a Lazio, da Itália, que havia gerado um transfer ban internacional junto à Fifa.
A gestão financeira do São Paulo Futebol Clube em 2026 transita entre marcos históricos de arrecadação e uma severa asfixia orçamentária de curto prazo. Pela primeira vez em sua história, o clube ultrapassou a marca de R$ 1,07 bilhão em receitas anuais (conforme o balanço consolidado de 2025), impulsionado por um salto de 25% nas receitas recorrentes — como patrocínios e publicidade — e por um expressivo volume de negociações de atletas. O exercício foi encerrado com um superávit de R$ 56,8 milhões, revertendo o grave déficit de R$ 287,6 milhões da temporada anterior, enquanto o endividamento líquido oficial registrou queda de R$ 968,2 milhões para R$ 858,2 milhões. No entanto, análises especializadas apontam que tal redução representou mais uma vitória contábil, decorrente do aumento de valores a receber por vendas parceladas, do que uma geração real de caixa livre.
Segundo o ge, o avanço nas negociações de jovens promessas (como William Gomes, Matheus Alves, Henrique Carmo e Lucas Ferreira) injetou R$ 283,7 milhões nos cofres, mas gerou forte turbulência política. As transferências foram amplamente criticadas e consideradas subfaturadas, desencadeando um processo de impeachment que culminou na renúncia do então presidente Júlio Casares no início do ano. Em um desdobramento político incomum, o Conselho Deliberativo optou por reprovar as contas em maio de 2026, mesmo diante do superávit apresentado, como forma de protesto contra os moldes das negociações.
Com a ascensão de Harry Massis Júnior à presidência, a diretoria implementou uma política de cortes agressivos — economizando R$ 11,3 milhões logo em janeiro — e adotou um perfil de forte austeridade imposto por um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Amarrado a metas rígidas, o departamento de futebol reduziu pela metade os investimentos em contratações (R$ 55,9 milhões) e passou a focar em atletas livres e empréstimos. O grande gargalo para a sustentabilidade do clube no restante de 2026 continua sendo o perfil de sua dívida: cerca de metade das obrigações vence no curto prazo, fazendo com que o São Paulo consuma cerca de R$ 116 milhões anuais apenas no pagamento de juros para rolar seus débitos com bancos e intermediários.
Criada para impor rigor e sustentabilidade econômica ao esporte nacional, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) é um órgão independente estruturado para monitorar e fiscalizar a saúde financeira dos clubes que disputam as Séries A, B e C do futebol brasileiro. Inspirada nos modelos internacionais de fair play financeiro, a atuação da agência tem como principal objetivo combater o chamado "doping financeiro" — práticas em que equipes gastam acima de suas capacidades reais —, blindando as instituições contra o risco de insolvência a longo prazo e preservando a equidade das competições.
O Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) estabelecido pela ANRESF apoia-se em quatro pilares fundamentais:
O débito refere-se à contratação do jogador Djhordney junto ao Novorizontino, cujas parcelas acordadas não foram quitadas.
O São Paulo tem até a próxima segunda-feira, 28, para apresentar um novo acordo aprovado pelo Novorizontino.
É a agência brasileira encarregada de fiscalizar e aplicar as regras de fair play financeiro entre os clubes do país.
Não. O transfer ban impede apenas o registro de novos atletas; como a janela de transferências está fechada, não haveria impacto prático imediato, mas geraria desgaste de imagem.
Além das tratativas diretas com o Novorizontino para um novo parcelamento, a diretoria aposta na aprovação de um contrato de gestão de ingressos com a Ticketmaster que injetará recursos no clube.