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SP Climate Week começa com meta de transformar compromissos em ação rumo à COP31

Entre 3 e 7 de agosto, mais de 230 eventos espalhados pela cidade discutem financiamento, cidades resilientes e bioeconomia, com estreia da Climate House e abertura inédita em uma Terra Indígena

Sob o tema "Da agenda global à ação nos territórios", SP Climate Week reúne mais de 230 atividades voltadas a acelerar a transição para uma economia de baixo carbono (Pexels)

Sob o tema "Da agenda global à ação nos territórios", SP Climate Week reúne mais de 230 atividades voltadas a acelerar a transição para uma economia de baixo carbono (Pexels)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 16h00.

São Paulo será palco das principais discussões climáticas da América Latina nesta semana. Entre os dias 3 e 7 de agosto, a cidade recebe a terceira edição da SP Climate Week, com mais de 230 atividades e eventos organizadas em seis eixos temáticos: energia, indústria e transporte; florestas, oceanos e biodiversidade; agricultura e sistemas alimentares; cidades resilientes; desenvolvimento humano e social; e financiamento e tecnologia.

O tema da edição deste ano é "Da agenda global à ação nos territórios" e resume a proposta central do evento: discutir como transformar os compromissos assumidos na COP30 em projetos, investimentos e políticas concretas rumo à COP31, na Turquia. A EXAME está como parceira de mídia e estará acompanhando os debates.

Entre os temas que vão mobilizar empresas, investidores e governos ao longo dos próximos dias estão o financiamento da transição climática, o mercado de carbono, a descarbonização da indústria, a adaptação das cidades a eventos extremos e a preparação da agenda brasileira para a próxima grande conferência do clima da ONU em novembro.

Climate House estreia como espaço permanente

Uma das novidades desta edição é a Climate House, no Hub Green Sampa, criado para acompanhar a evolução da implementação da agenda climática depois da COP30.

O espaço vai reunir autoridades, empresas e organizações internacionais em painéis voltados aos Planos de Aceleração de Soluções (PAS) e os mapas do caminho, apontados como um dos principais legados de Belém.

Michel Porcino, diretor-executivo da São Paulo Climate Week, destacou que a Semana do Clima já vem sendo apontada como a principal ponte dos compromissos firmados entre as COPs. "Com a Climate House, queremos consolidar uma plataforma permanente de articulação capaz de conectar todos os atores", disse.

Pela primeira vez, uma Climate Week abre dentro de uma Terra Indígena

Antes mesmo do início da programação oficial, a São Paulo Climate Week marca um feito inédito entre as Semanas do Clima ao redor do mundo: pela primeira vez, a abertura foi dentro de um território indígena.

No sábado, 1, a cerimônia aconteceu na Tekoa Yvy Porã, comunidade do povo Guarani Mbya dentro da Terra Indígena Jaraguá, na zona noroeste da capital paulista.

A programação incluiu um Reconhecimento da Terra, prática já consolidada em países como Canadá, Austrália e Estados Unidos, mas conduzida no Jaraguá pelas próprias lideranças Guarani Mbya.

Quem recebeu os participantes é Thiago Karai Djekupé, o Thiago Guarani, liderança da Terra Indígena Jaraguá envolvida na recuperação de áreas degradadas e no cuidado com abelhas nativas na região. "Nós queremos não só morar, mas preservar", resume a liderança.

O protagonismo indígena segue no dia 5 de agosto, com o Hub Jaraguá, o primeiro hub de uma Semana do Clima realizado dentro de um território indígena.

O encontro deve reunir lideranças indígenas, pesquisadores e representantes do poder público para debater justiça climática, proteção territorial e financiamento direto, com presenças como as da ministra Sônia Guajajara e Chirley Pankará.

"Os territórios não são apenas áreas a serem preservadas: são espaços vivos de conhecimento, resistência e produção de soluções para a crise climática. Não existe futuro sustentável sem nós", disse a ministra, à EXAME.

No dia seguinte, 6 de agosto, a agenda chega à Ocupação 9 de Julho, no centro de São Paulo, com o "Hub Ocupação", também pioneiro e ligado ao trabalho de resgate do Rio Saracura, curso d'água soterrado pela urbanização da cidade.

Os dois hubs e a abertura têm produção da BND Digital, primeira agência de marketing digital e social fundada por duas mulheres indígenas no mundo. A semana também marca o início do Agosto Indígena, mês de mobilização e valorização cultural dos povos originários.

"Durante décadas, fomos excluídos dos espaços de decisão e nossos alertas não foram ouvidos. Escutar os povos indígenas é reconhecer a experiência de quem cuida da terra há milhares de anos e sabe que proteger os territórios é proteger a vida", complementou Guajajara.

Para conferir os eventos e se inscrever, acesse o link oficial da programação. 

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