Parceiro institucional:
Dan Ioschpe, Campeão de Alto Nível do Clima da COP30: "Se não acelerarmos os planos, eles não têm vida econômica" (Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 19h15.
Última atualização em 3 de agosto de 2026 às 22h31.
Como tirar do papel os compromissos assumidos na COP30? Essa foi a pergunta que deu o tom da abertura da terceira edição da SP Climate Week, nesta segunda-feira, 3.
Reunidos na estreia da Climate House, novo espaço criado como uma construção coletiva para acompanhar a implementação da Agenda de Ação da grande conferência do clima em Belém, líderes empresariais, representantes do governo e especialistas defenderam que o desafio da agenda climática deixou de ser a negociação e passou a ser a execução.
No centro dessa estratégia estão os 120 Planos de Aceleração de Soluções (PAS), organizados em torno dos seis eixos da Agenda de Ação da COP30 e apoiados por mais de 400 iniciativas e coalizões.
O foco deste primeiro dia foi em mobilizar investimentos para acelerar e escalar as soluções nos próximos anos.
"É uma agenda para impulsionar o desenvolvimento por meio de parcerias, o que a presidência da COP30 chamou de mutirão", afirmou Dan Ioschpe, Campeão de Alto Nível do Clima da COP30, durante fala na abertura oficial, reforçando seu viés como "construtora de futuro".
O grande desafio, porém, passa pelo financiamento. Para Ioschpe, os planos só terão impacto se conseguirem atrair recursos e criar condições financeiras.
"Se não acelerarmos os planos, eles não têm vida econômica", destacou.
Como exemplo, ele citou o combustível sustentável de aviação (SAF), que hoje pode custar entre duas e cinco vezes mais do que o querosene convencional. A longo prazo, a expectativa é criar mecanismos capazes de tornar tecnologias de baixo carbono mais competitivas e escaláveis.
Essa necessidade também motivou um dos principais anúncios do primeiro dia da SP Climate Week: o lançamento de um Grupo de Trabalho de Finanças, voltado a discutir instrumentos capazes de ampliar o fluxo de capital para projetos alinhados aos PAS e à implementação da Agenda de Ação.
A necessidade de conectar recursos a projetos estruturados apareceu também em outros palcos da programação. Em evento realizado no AYA Earth Partners, o ministro do meio ambiente e mudança do clima, João Capobianco, afirmou que a adaptação ainda não entrou no radar do setor econômico.
A ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reforçou que a implementação também depende da manutenção dos esforços para reduzir as emissões.
"Não existe adaptação climática que resolva o problema de uma Amazônia savanizada. Esse é um empreendimento irrealizável", afirmou.
Ela também disse que o governo espera registrar, em 2026, a menor taxa de desmatamento da Amazônia da série recente e reiterou a meta de alcançar o desmatamento zero até 2030, assim como a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) de reduzir em até 67% as emissões do Brasil em 2035.
Ao fazer um balanço da conferência em Belém, Marina reconheceu avanços, mas afirmou que eles ainda estão distantes do necessário diante do desafio da crise climática.