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Aliança indígena de proteção à Amazônia vence prêmio internacional de 1 milhão de euros

Prêmio da Fundação Calouste Gulbenkian, com júri presidido por Angela Merkel, reconhece atuação de mais de uma década da Alianza Ceibo em 2 milhões de hectares de floresta

Representantes dos povos A'i Cofán, Siekopai, Siona e Waorani, que integram a Alianza Ceibo, vencedora do Prêmio Gulbenkian para a Humanidade 2026 (Divulgação)

Representantes dos povos A'i Cofán, Siekopai, Siona e Waorani, que integram a Alianza Ceibo, vencedora do Prêmio Gulbenkian para a Humanidade 2026 (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 15h00.

Última atualização em 23 de setembro de 2026 às 15h01.

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Quatro povos indígenas amazônicos uniram forças para além das fronteiras de seus países para barrar garimpo ilegal, travar a exploração petrolífera e proteger mais de dois milhões de hectares de floresta tropical.

Nesta quarta-feira, 23, esse trabalho de mais de uma década foi reconhecido com um dos prêmios mais valiosos do mundo na área de sustentabilidade.

A Alianza Ceibo foi anunciada como vencedora do Gulbenkian para a Humanidade 2026, com premiação de 1 milhão de euros e júri presidido pela ex-chanceler alemã Angela Merkel.

Ao todo, foram 304 candidaturas de 73 países. Segundo Merkel, o reconhecimento é dado a quem demonstra "compromisso excecional com a Terra e com a coexistência global entre as pessoas e o planeta".

Formada pelos povos A'i Cofán, Siekopai, Siona e Waorani, a aliança atua no Equador, Peru e Colômbia.

Entre suas conquistas estão vitórias judiciais que anularam 52 concessões de mineração ilegal em território A'i Cofán, garantiram título de propriedade de terra ancestral ao povo Siekopai e estabeleceram precedente nacional sobre consentimento prévio das comunidades diante de projetos extrativistas.

A iniciativa também já instalou sistemas de água potável que beneficiam mais de 6.500 pessoas afetadas pela contaminação por petróleo na Amazônia equatoriana e colombiana, além de levar energia solar a 208 famílias, sete escolas e 14 postos de vigilância territorial.

Em setembro de 2026, o governo equatoriano deu reconhecimento oficial aos modelos educativos desenvolvidos pelas comunidades, permitindo sua adoção pelo sistema público de ensino nos territórios A'i Cofán, Siekopai e Waorani , um marco que integra conhecimentos ancestrais e línguas indígenas ao currículo formal.

Para o presidente da Fundação Gulbenkian, António Feijó, a Alianza Ceibo é "um exemplo poderoso da liderança indígena na luta pela justiça climática".

O cofundador da aliança Hernán Payaguaje, do povo Siekopai, destacou o papel das parcerias construídas ao longo dos últimos dez anos: "Estas alianças permitiram-nos chegar a mais territórios, estabelecer ligação com mais pessoas e fazer crescer um movimento regional."

Segundo ele, mais investimento na autonomia dos povos indígenas "é uma verdadeira alternativa e uma garantia para sustentar a defesa dos nossos territórios e das nossas vidas".

O prêmio de 1 milhão de euros deve ajudar a Alianza Ceibo a ampliar seu modelo de atuação, com investimento em educação comunitária e formação de novas lideranças indígenas, em um momento em que organizações indígenas ao redor do mundo enfrentam dificuldades de financiamento.

"Este prêmio reconhece a luta que travamos desde os nossos antepassados e demonstra o seu verdadeiro impacto no mundo: os povos indígenas, que sempre viveram aqui, são fundamentais para proteger a floresta tropical e encontrar soluções para as alterações climáticas", conclui a cofundadora da Alianza Ceibo Nemonte Nenquimo, do povo Waorani.

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