ESG

Oferecimento:

LOGO SITE YPÊ
LOGO SITE COPASA
LOGO SITE COCA COLA FEMSA
LOGO SITE AFYA
LOGO SITE PEPSICO

Parceiro institucional:

logo_pacto-global_100x50

Solos: startup transforma resíduos em R$ 10 milhões em renda para catadores

Em nove anos, startups construiu um modelo de negócio que une grandes marcas, poder público e cooperativas para fazer a reciclagem gerar renda real — e chegou a um marco histórico

Startup nordestina trabalha a geração de renda local para catadores de material reciclável enquanto dá nova vida para resíduos de todo o país (SOLOS/Divulgação)

Startup nordestina trabalha a geração de renda local para catadores de material reciclável enquanto dá nova vida para resíduos de todo o país (SOLOS/Divulgação)

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 4 de junho de 2026 às 07h56.

No fim de fevereiro de 2026, enquanto o Carnaval de Salvador chegava ao fim, um grupo de catadores e catadoras concluía uma operação que entraria para o Guinness World Records: mais de 46 toneladas de latinhas recolhidas durante a festa — o maior volume já registrado numa ação do tipo no mundo.

Por trás da operação estava a Solos, uma startup baiana que, neste ano, atingiu outro marco: R$ 10 milhões em renda gerada diretamente para trabalhadores da cadeia da reciclagem desde sua fundação.

O número chega numa semana em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente e representa mais do que um indicador financeiro.

O dado prova que o modelo de negócio que a empresa vem construindo há quase uma década — e que desafia a lógica convencional do setor —  traz efeito: em vez de tratar a reciclagem como custo ou obrigação legal, a Solos trabalha o valor do resíduos, gerando benefícios ao mesmo tempo para grandes marcas, prefeituras e cooperativas de catadores.

Logística reversa como negócio

A operação da Solos funciona a partir de três frentes complementares:

A primeira são as operações em grandes eventos — carnavais de Salvador, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo —, onde a empresa mobiliza catadores para coletar materiais recicláveis durante e após a festa.

A segunda são os sistemas de logística reversa estruturados em parceria com marcas como Ambev, Heineken e Braskem.

A terceira é a geração de créditos de reciclagem, um mecanismo que adiciona valor econômico ao resíduo destinado corretamente.

A renda gerada para os catadores vem dessas três fontes: pagamento direto pelos serviços prestados nas operações, repasse pela comercialização dos materiais coletados e participação nos créditos de logística reversa.

O modelo não depende de doação — ele é remunerado pelas marcas e pelo poder público, que têm obrigações legais e metas de sustentabilidade a cumprir.

"Conseguimos garantir um modelo que traz adicionalidade de massa, engaja o cidadão e promove inclusão social e produtiva de catadores. Isso em uma triangulação que envolve grandes marcas e o setor público", afirma Saville Alves, cofundadora e líder de negócios da Solos.

Em 2025, o modelo recebeu um endosso financeiro importante: um aporte de R$ 1 milhão do Banco do Nordeste, via Lei de Incentivo à Reciclagem, para expansão das operações e desenvolvimento de soluções voltadas à inclusão produtiva de catadores.

Nordeste como escolha estratégica

Grande parte das operações que contribuíram para o marco de R$ 10 milhões aconteceu no Nordeste — uma escolha que a Solos faz questão de sublinhar como intencional. A empresa apostou em territórios com infraestrutura de reciclagem menos desenvolvida do que em outros grandes centros do país. Assim, o impacto de cada real investido tende a ser maior.

Programas como Recicla Capital, Roda, Reciclo e Virado, focados na geração de valor a partir da reciclagem de resíduos, foram desenvolvidos e operados pela empresa em diferentes regiões, sempre articulando cooperativas locais com empresas e prefeituras.

A parceria com a Prefeitura de Salvador é hoje um dos casos mais emblemáticos: foi ela que viabilizou a operação do Carnaval 2026 e o consequente recorde do Guinness.

A descentralização regional também serve a uma lógica de negócio: ao construir infraestrutura em territórios menos disputados, a Solos cria vantagem competitiva e, ao mesmo tempo, atende à demanda crescente de empresas por certificação de impacto socioambiental fora do eixo Sul-Sudeste.

Renda no bolso de catadores

Mãe de duas filhas, Eduarda Sant'Anna — mais conhecida como Duda — entrou para uma cooperativa em 2017 após períodos de desemprego e a perda de parte da casa em um incêndio. Começou motivada pela possibilidade de trabalhar perto da creche das filhas.

Em poucos meses, passou a integrar a coordenação do galpão da Associação de Catadores e Recicladores Vila Chocolatão, em Porto Alegre, onde atua com a Solos desde 2021. Hoje Duda também trabalha com educação ambiental.

Dá para reciclar as figurinhas do álbum da Copa do Mundo? Essas empresas podem ajudar

"O mais importante ainda é o respeito. As pessoas precisam enxergar a gente como seres humanos iguais a elas, porque o trabalho que fazemos é fundamental para toda a sociedade", diz ela.

A geração de renda para essa população é um dos principais ganhos no trabalho, segundo a fundadora da startup. "Quando a gente cria soluções pensando nas pessoas mais vulnerabilizadas, conseguimos construir mecanismos que também ajudam essas pessoas a enfrentar momentos de crise", diz Saville.

O que vem a seguir

Com R$ 10 milhões distribuídos e uma operação de recorde mundial no currículo, a Solos chega a 2026 numa posição de consolidação, com o aporte do Banco do Nordeste e as parcerias com grandes empresas, que tendem a ganhar escala à medida que a regulação de logística reversa no Brasil se torna mais rígida.

O mercado de créditos de reciclagem também está em maturação no país, o que pode abrir novas fontes de receita para o modelo da SOLOS e ampliar a renda repassada às cooperativas.

"A gente entende que a SOLOS não faz isso sozinha. Existe um movimento maior acontecendo no setor. Mas ficamos muito felizes em perceber que fazemos parte dessa transformação e conseguimos materializar isso em um número tão significativo. Esses R$ 10 milhões representam impacto real na vida das pessoas", conclui Saville.

Acompanhe tudo sobre:ReciclagemEconomia CircularReciclagem profissionalLixo

Mais de ESG

Após série de atrasos, Brasil terá primeiro leilão de baterias em dezembro de 2026

Fafá de Belém lança Fórum Varanda da Amazônia 2026 com foco nas mulheres: 'Somos todas Beléns'

As barreiras que ainda separam o Brasil do futuro do armazenamento de energia em baterias

Pacto Global da ONU chega a 389 empresas no Brasil e expande agenda para todos os biomas