Parceiro institucional:
ESG na moda: CEO diz que conformidade socioambiental deixará de ser diferencial para se tornar requisito para operar no setor de moda (Leandro Fonseca/Exame)
Repórter de ESG
Publicado em 25 de julho de 2026 às 08h00.
O Grupo Malwee divulgou nesta semana seu Relatório de Sustentabilidade 2025, documento que reúne os principais indicadores ambientais, sociais e de governança da companhia e marca o quarto ano de execução do Plano ESG 2030.
Entre os resultados apresentados estão a redução de 42% das emissões de gases de efeito estufa dos Escopos 1 e 2 em relação a 2019, a reutilização de 167,7 milhões de litros de água e a diminuição do volume de resíduos enviados a aterros, de 2.131 toneladas em 2023 para 1.149 toneladas em 2025.
O relatório também registra uma revisão da estratégia adotada desde o lançamento do plano. Segundo Gabriela Rizzo, CEO do Grupo Malwee, a empresa reformulou parte da estrutura de acompanhamento das metas para tornar os indicadores mais objetivos e comparáveis ao longo do tempo.
"Para garantir maior clareza e precisão no acompanhamento das metas, realizamos uma revisão estrutural do plano", conta. "Tópicos que possuíam mensuração subjetiva ou altamente mutável foram transformados em objetivos operacionais, e algumas metas remanescentes foram reajustadas".
Entre as mudanças está a ampliação do inventário de emissões de Escopo 3, categoria que reúne as emissões indiretas da cadeia de valor. A companhia passou a incluir novas categorias, como o tratamento do fim de vida dos produtos vendidos e impactos relacionados à energia a montante.
A meta referente ao Escopo 3 também passou por revisão junto à Science Based Targets initiative (SBTi), iniciativa internacional que valida metas corporativas de redução de emissões baseadas na ciência.
Na cadeia de fornecimento, a empresa unificou metas para acompanhar simultaneamente os fornecedores considerados críticos e a exigência de certificações socioambientais. Na agenda de diversidade, os indicadores de representatividade racial também foram reorganizados.
Em 2025, o Grupo Malwee produziu 38 milhões de peças e manteve presença em mais de 18 mil pontos de venda no país. Para a companhia, o desafio agora é ampliar a escala do negócio sem que o impacto ambiental cresça na mesma proporção.
"A aposta do Grupo Malwee está no desacoplamento direto entre o volume de produção e o impacto ambiental, conquistado por meio da eficiência operacional, economia circular e transição energética", diz Rizzo.
Segundo ela, essa estratégia passa por ganhos de eficiência e pelo aumento da participação de produtos desenvolvidos com matérias-primas ou processos de menor impacto ambiental. Hoje, eles representam 86% da produção da empresa. A meta é alcançar 95% até 2030.
Os resultados ambientais apresentados no relatório refletem parte dessa estratégia. Além da redução de 42% das emissões em relação a 2019 — e de 22% frente a 2024 —, a companhia informa ter reduzido em 5,22% a captação de água por peça produzida na comparação com 2020. No acumulado da última década, a redução supera 35%.
A água ocupa um papel central na operação da empresa, principalmente nos processos de tinturaria e estamparia.
"Não há hierarquia excludente entre os temas materiais. Os indicadores são reportados mensalmente à Presidência e trimestralmente ao Conselho de Administração. Historicamente, a gestão da água recebe atenção especial devido à alta intensidade de uso na tinturaria e na estamparia", afirma a executiva.
Segundo Rizzo, a empresa ampliou o reaproveitamento de efluentes e o planejamento das coleções para reduzir o consumo hídrico. Em alguns processos de tingimento, acrescenta, o índice de água reutilizada supera 97%.
O relatório também destaca iniciativas voltadas à inovação em produtos. Entre elas está a expansão do projeto Fio do Futuro, desenvolvido para aumentar o uso de resíduos têxteis pré e pós-consumo na fabricação de novos fios.
Outra iniciativa é a camiseta Ar.voree, desenvolvida em parceria com a startup Xinterra. Segundo a empresa, o tecido é capaz de capturar dióxido de carbono do ambiente e transformar o composto em bicarbonato de sódio durante a lavagem.
Ao comentar o projeto, Rizzo afirma que a companhia evita atribuir ao produto características que não possam ser comprovadas.
"Sabemos que temos que ter muito cuidado sobre esse assunto porque é muito fácil cair num greenwashing. A Camiseta Ar.voree não é carbono neutro, mas sabemos que é um produto inovador. Quanto mais pessoas optarem por uma camiseta com essa tecnologia no lugar de uma comum, maior tende a ser o resultado positivo."
Na avaliação da CEO, projetos como a Ar.voree e o Fio do Futuro também refletem uma estratégia baseada em parcerias com empresas e startups para acelerar soluções para desafios do setor, como emissões e resíduos.
Na frente de governança, o Grupo Malwee manteve a política que vincula 5% da remuneração variável de todos os colaboradores — do operacional à diretoria — ao cumprimento de metas ESG.
O relatório também destaca a conquista do Selo Ouro ABVTEX, certificação concedida pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil para empresas que atendem aos critérios de responsabilidade social e controle da cadeia produtiva, além da presença, pelo sétimo ano consecutivo, entre as dez marcas mais transparentes do Índice de Transparência da Moda Brasil.
A companhia encerrou 2025 com 2.680 colaboradores diretos, dos quais 62,6% são mulheres. Nos cargos de liderança, elas representam 52,08%. O grupo também informa ter 168 pessoas com deficiência em seu quadro de funcionários e afirma que o menor salário pago no ano foi 35,5% superior ao salário mínimo nacional.
Apesar dos avanços apresentados, a empresa avalia que os próximos anos exigirão mudanças que extrapolam suas operações industriais e passam pela cadeia de fornecedores.
Entre as prioridades até 2030 estão ampliar a rastreabilidade, aumentar o uso de matérias-primas recicladas e circulares, avançar nas metas de descarbonização e atingir 95% de produtos desenvolvidos com matérias-primas ou processos de menor impacto.
Para isso, a companhia pretende adotar tecnologias de rastreamento, como blockchain, sistema digital que registra informações de forma compartilhada, e ampliar o monitoramento dos fornecedores.
De estilista a presidente: os 4 passos para alcançar o sucesso, segundo a CEO do Grupo MalweeRizzo afirma que, na visão da empresa, essas exigências tendem a deixar de ser um diferencial competitivo para se tornarem um requisito básico do mercado.
"A sustentabilidade deixou de ser um diferencial acessório e acreditamos que se tornará um critério decisivo de compra e de negócios. Em breve, a conformidade socioambiental e a rastreabilidade da cadeia de suprimentos serão apenas o básico para operar no setor."
Segundo a executiva, o desafio agora é fazer com que a evolução das metas ambientais acompanhe o crescimento do negócio e seja replicada ao longo de toda a cadeia de valor, especialmente nas frentes de descarbonização, rastreabilidade e circularidade.