Gabriela Rizzo, presidente do Grupo Malwee: “Quero ver uma Malwee forte, presente em todo o Brasil, como uma moda responsável, democrática e sem ansiedade” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 18h50.
Última atualização em 23 de fevereiro de 2026 às 20h14.
Entre rolos de malha, máquinas industriais e processos cada vez mais orientados por metas ambientais, a transformação de uma empresa familiar em uma das maiores indústrias têxteis do Brasil acontece diariamente em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Foi ali que a presidente do Grupo Malwee, Gabriela Rizzo, recebeu a equipe da EXAME para explicar como a companhia equilibra legado, profissionalização, sustentabilidade e inovação quase seis décadas após sua fundação.
“Existe um legado muito forte de valores, de relações duradouras e de responsabilidade com as pessoas e com o meio ambiente. Isso é inegociável”, afirma Rizzo em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME, direto da fábrica da marca.
A história empreendedora da família Weege começou bem antes da moda. Em 1906, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, o negócio da família era um açougue e uma queijaria. Décadas depois, em 1968, Wolfgang Weege e seu filho Wandér Weege fundariam a indústria têxtil que se tornaria o atual Grupo Malwee, hoje uma estrutura integrada que vai da malharia à costura e distribui suas peças em 25 mil lojas multimarcas e cerca de 200 lojas próprias e franquias.
Com mais de 3,6 mil funcionários e faturamento estimado entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, segundo dados compilados pela plataforma Klooks a partir de balanços públicos, o grupo vive um novo ciclo de gestão.
Em 2023, Guilherme Weege, que pertence a terceira geração, deixou a presidência executiva e assumiu o conselho, indicando Gabriela Rizzo, primeira mulher e também a primeira executiva de fora da família a liderar a companhia.
À frente do negócio, Rizzo conduz um dos movimentos mais sensíveis do mundo corporativo: profissionalizar a gestão sem romper com a cultura construída ao longo de décadas, ao mesmo tempo em que posiciona sustentabilidade, inovação industrial e proximidade com o consumidor como pilares estratégicos da próxima fase da companhia.
“O Grupo Malwee sempre foi reconhecido como indústria. Agora estamos trazendo cada vez mais a informação do mercado para dentro da companhia, fortalecendo marca, produto e conexão com o cliente, literalmente mostrando o nosso diferencial do fio ao consumidor”, diz.
A presidente conta tudo sobre carreira, gestão e expectativa do negócio nesta entrevista exclusiva à EXAME, que foi até a sede da marca, em Jaraguá do Sul, para conhecer de perto a estrutura, que fabrica cerca de 40 milhões de peças por ano, e coloca a marca entre uma das maiores empresas do setor de moda e têxtil no Brasil.
No Grupo Malwee, a sustentabilidade sai do discurso e chega às araras. A companhia tem investido em inovação para reduzir impactos ambientais ao longo de toda a cadeia têxtil - do fio à peça pronta, e da fábrica ao consumidor final.
Entre os exemplos estão camisetas desenvolvidas com tecnologias que ajudam a compensar ou reduzir emissões de CO₂ ao longo do ciclo de vida e jeans produzidos com processos que economizam grandes volumes de água, em alguns casos, o equivalente a apenas um copo por peça na etapa de beneficiamento.
Além disso, a empresa aposta em economia circular, reaproveitamento de resíduos têxteis, rastreabilidade de matérias-primas e desenvolvimento de novos materiais mais sustentáveis. A proposta é integrar inovação, escala e responsabilidade ambiental sem perder competitividade no varejo de moda, transformando sustentabilidade em atributo concreto do produto, não apenas em posicionamento institucional.
“Quando falamos de sustentabilidade, não é um projeto paralelo. Está no DNA da empresa”, afirma Rizzo.
A companhia investe há décadas em eficiência energética, gestão hídrica e processos produtivos menos impactantes.
Sobre internacionalização, Rizzo afirma que o tema já está no radar estratégico da companhia e que o produto tem potencial para ganhar novos mercados, mas com uma expansão gradual.
“Acreditamos que o nosso produto tem muito potencial para internacionalizar, mas deve acontecer de uma forma mais orgânica, e quando acontecer, devemos começar nos países mais próximos, como os da América Latina”, diz.
O e-commerce, por sua vez, ainda não é a principal alavanca de receita, mas cumpre um papel cada vez mais relevante na estratégia da marca.
“O e-commerce ainda tem uma representatividade embrionária no negócio, mas nos traz muito o retrato do consumidor final. Conseguimos perceber nuances de tendências e entender melhor o que o cliente está querendo no momento”, afirma.
Ao falar de futuro, Rizzo afirma que nesse ano o CAPEX estará muito focado na indústria e em tecnologia, com a malharia no centro da estratégia.
“Temos alguns lançamentos de novas malhas que estamos fazendo e temos uma vontade muito grande de estar mais perto do consumidor”, diz a CEO.
A terceira frente será uma aposta geográfica, com o foco em São Paulo para execução comercial.
“São Paulo é uma cidade cosmopolita, onde muito de tendência acontece”, afirma. “Lá a gente tem mais pessoal de marketing, administrativo, no e-commerce e provavelmente vamos ter novidades esse ano por lá também.
Ao falar do legado que pretende deixar, Rizzo reforça o objetivo de consolidar a profissionalização da gestão e preparar a companhia para novos ciclos de consumo.
“Quero ver uma Malwee forte, presente em todo o Brasil, como uma moda responsável, democrática e sem ansiedade.”