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Restauração da Mata Atlântica avança, mas carece de estudos, diz UFMG

Revisão de estudos científicos e iniciativas de recuperação da vegetação nativa indica que impactos sobre água, solo e aspectos socioeconômicos ainda são pouco documentados

Levantamento publicado na Environmental Management aponta que monitoramento de longo prazo e financiamento seguem entre os principais desafios para ampliar os resultados

Levantamento publicado na Environmental Management aponta que monitoramento de longo prazo e financiamento seguem entre os principais desafios para ampliar os resultados

Letícia Ozório
Letícia Ozório

Repórter de ESG

Publicado em 2 de julho de 2026 às 15h37.

Última atualização em 2 de julho de 2026 às 15h38.

Em meio ao avanço das mudanças climáticas e da degradação ambiental, a restauração da Mata Atlântica tem acumulado evidências de benefícios para a biodiversidade e para o armazenamento de carbono.

Ainda assim, faltam dados consistentes para medir seus efeitos sobre recursos hídricos, qualidade do solo e impactos socioeconômicos, segundo pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O estudo, publicado na revista científica Environmental Management, avaliou artigos científicos e iniciativas de restauração desenvolvidas no bioma para analisar os resultados ambientais, sociais e econômicos das ações de recuperação da vegetação nativa, além das condições de governança e financiamento envolvidas nesses projetos.

A pesquisa ocorre em um momento em que a restauração de ecossistemas ocupa espaço central na agenda ambiental. No Brasil, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) estabeleceu a meta de restaurar pelo menos 12 milhões de hectares de florestas até 2030.

Recuperação da Mata Atlântica

De acordo com os autores, as evidências mais robustas encontradas na literatura estão relacionadas à recuperação da biodiversidade e ao aumento dos estoques de carbono nas áreas restauradas. Os resultados mostram avanços em relação às áreas degradadas, mas indicam que essas regiões ainda não alcançam as condições observadas em florestas maduras.

A análise também conclui que o desempenho das áreas restauradas varia conforme fatores como as características locais, o histórico de uso da terra e as estratégias adotadas em cada projeto, o que reforça a necessidade de avaliações de longo prazo.

Já os efeitos da restauração sobre recursos hídricos, solo e indicadores socioeconômicos aparecem de forma menos consistente na literatura. Segundo o levantamento, esses aspectos ainda são pouco documentados e contam com poucas séries de monitoramento capazes de permitir comparações entre diferentes iniciativas.

Na dimensão social, os estudos revisados apontam benefícios como geração de renda, criação de empregos, capacitação e participação das comunidades em atividades de restauração. No entanto, esses resultados são apresentados de forma heterogênea e com poucos indicadores padronizados, dificultando análises comparativas entre regiões e projetos.

Obstáculos para a manutenção da biodiversidade

Além dos resultados obtidos, a revisão identificou fatores considerados essenciais para a continuidade das iniciativas. Apoio técnico, incentivos financeiros, participação das comunidades locais e coordenação entre diferentes instituições aparecem como elementos recorrentes para garantir a viabilidade das ações.

Em contrapartida, custos elevados, limitações de financiamento e dificuldades de coordenação continuam entre os principais obstáculos para ampliar e manter projetos de restauração em larga escala.

Como recomendação, os pesquisadores defendem que novos projetos estabeleçam condições de base claras, adotem monitoramento de longo prazo com indicadores comparáveis e fortaleçam a conexão entre obrigações legais e suporte técnico e financeiro, especialmente para pequenos proprietários rurais.

O estudo foi desenvolvido por Sofia Corradi Oliveira, Britaldo Silveira Soares-Filho, Getúlio Fonseca Domingues e Ubirajara Oliveira, pesquisadores vinculados ao programa de pós-graduação em Análise e Modelagem de Sistemas Ambientais e ao Centro de Sensoriamento Remoto, da UFMG.

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